03
Fev 14

Tradução: «weighbridge for lorries»

Menos palavras

 

 

   «O que encontraram foi um posto fronteiriço pequeno guardado por apenas dois homens, um entreposto de alfândega, uma balança rodoviária para pesar camiões e uma casa da guarda» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 280).

    Muitas, mesmo demasiadas palavras para algo muito simples: báscula para camiões.

 

[Texto 3976]

Helder Guégués às 22:43 | comentar | favorito
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O plural oculto

Inglês, sem dúvida

 

 

      «Decidiu que o melhor veículo seria um Range Rover. No momento, não havia concessionários ou pontos de venda de carros usados em Teerão, portanto incumbiu o Motoqueiro de arranjar dois Range Rover» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 277). Mais duas sequazes da doutrina usmaia. Prefiro em inglês: «He decided that the best kind of car for the trip was a Range Rover. There were no dealerships or used car lots open in Tehran now, so Coburn gave the Cycle Man the job of getting hold of two Range Rovers

 

[Texto 3975]

 

Helder Guégués às 22:23 | comentar | favorito
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Tradução: «Saudi-Arabian»

Mais simples

 

 

    «Jackson fez a viagem ao longo dos quase cem quilómetros de costa, desde a fronteira com o Irão a norte até à fronteira saudi-arábica a sul» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 268).

   «Saudi-Arabian border». Está bem, mas não é mais natural dizer «fronteira saudita»? Nem nos jornais alguma vez encontrei «saudi-arábico».

 

 [Texto 3974]

Helder Guégués às 21:58 | comentar | favorito
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Rei Acab

Comece ou acabe

 

 

      A minha filha trouxe hoje da escola uma revistinha para crianças, Nosso Amiguinho, que eu não sabia que existia. Na página 8, traz uma história bíblica, «Elias e as aves», que começa assim: «Acabe, rei de Israel, abandonou a fé em Deus e começou a adorar a estátua do ídolo Baal, pedindo-lhe chuva para as colheitas do povo.» Vieira escreve, no «Sermão de sexta-feira da Quaresma», que Acab — e não Acabe — foi rei de Israel; Pereira de Figueiredo, por seu lado, ora escreve que Acab foi rei de Samaria ora de Israel. Mas sempre Acab. Acabo. Dixi.

 

[Texto 3973]

Helder Guégués às 21:31 | comentar | favorito
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Tradução: «disciplinary panel»

Não tem nada que saber

 

 

      «“A minha mãe não quis dar sequência às acusações criminais, apesar de [existirem] indícios de causa provável pelo estado do Connecticut – por causa, nas palavras do procurador, da fragilidade da ‘criança vítima’”, lê-se na carta. A expressão “causa provável” fora proferida pelo promotor público Frank Maco, que seria depois admoestado por um painel disciplinar» («Dylan Farrow escreve sobre o alegado abuso sexual cometido por Woody Allen», Joana Amaral Cardoso, Público, 3.02.2014, p. 27).

     Cada vez é mais fácil traduzir. Não tem nada que saber: disciplinary panel é «painel disciplinar»; planting abuse é «plantar falsas acusações»; o clip das armas é «clipe», etc. Para os casos mais bicudos, como leading man, há uma solução inteligentíssima: fica igual!

 

[Texto 3972]

Helder Guégués às 21:04 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Tradução: «leading man»

Isto é imparável

 

 

  «O seu corpanzil exuberante, a sua fisionomia angustiada, não o talhavam para estrela de cinema, nem para leading man, coisa cada vez mais reservada para portadores de uma elegância física que não era a de Seymour Hoffman. E se nos anos 1990 o vimos sobretudo em papéis secundários, o talento e a intensidade que aplicava neles, muitas vezes “roubando” as cenas de maneira inesquecível, deram-lhe a pouco e pouco o direito a chegar à primeira linha, algo consumado ao longo desta primeira década e meia do século XXI, que foi o seu tempo e agora se percebe, com imensa pena, que acabou» («Philip Seymour Hoffman encontrado morto na sua casa de Nova Iorque», Joana Amaral Cardoso e Luís Miguel Oliveira, Público, 3.02.2014, p. 27).

      Ou seja, no teatro e no cinema, o protagonista (masculino, neste caso). E para dizerem isto Joana Amaral Cardoso e Luís Miguel Oliveira não se envergonham de recorrer a uma expressão inglesa.

 

[Texto 3971] 

Helder Guégués às 20:08 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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03
Fev 14

Tradução: «plant»

Jornalistas no mundo rural

 

 

      Na carta aberta de Dylan Farrow, lê-se esta frase: «I didn’t know that he would accuse my mother of planting the abuse in my head and call her a liar for defending me.» Agora é que Woody Allen vai fazer humor negro... para Rikers Island. Mas voltemos ao que interessa. A jornalista Ana Felício, no Jornal da Tarde de ontem, traduziu assim aquele passo: «Não sabia que ele iria acusar a minha mãe de estar a plantar falsas acusações na minha cabeça e nem imaginava que ele lhe iria chamar mentirosa por me estar a defender.» Já aqui tínhamos visto e condenado este disparate enormíssimo, mas naturalmente não foi lido por toda a gente que o devia ter feito.

 

[Texto 3970]

Helder Guégués às 09:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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