04
Fev 14

«A history of strokes»

Histórias

 

 

      «Numa carta lida ao telefone por Keane Taylor, Bill pedira-lhe que nada dissesse até ser absolutamente necessário, pois o pai de Bill tinha uma história de tromboses, e o choque podia ser perigoso» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 247).

      Em inglês está muito bem — a history of strokes —, em português não é assim que dizemos. Bem, os médicos portugueses dizem, mas são um caso à parte, não servem de exemplo.

 

 [Texto 3985]

Helder Guégués às 15:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Small sum as airport tax»

Um pequeno toque

 

 

      «Seguiu por um corredor até uma cabina onde pagou uma pequena soma de taxa de aeroporto» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 255).

   Soa mal e, de qualquer maneira, também são palavras a mais. No original, «small sum as airport tax». Talvez a diferença esteja no as, «como», mas basta «uma pequena taxa de aeroporto», porque «taxa» é a própria quantia cobrada.

 

[Texto 3984]

Helder Guégués às 15:14 | comentar | favorito
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Tradução: «right-hand»

Com hífen

 

 

      «Foram-lhe transmitidas pelo braço direito de Perot, Merv Stauffer, que assumia as funções de intermediário entre Simons e a equipa de resgate, agora dispersa» (O Voo das Águias, Ken Follett. Tradução de Isabel Nunes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 3.ª ed., p. 269).

    E o braço esquerdo também fala e dá ordens? Senhoras tradutoras: à pessoa que se dedica ao serviço de alguém com muita aplicação, ao principal colaborador (como se lê na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), dá-se o nome de braço-direito. Com hífen.

 

[Texto 3983]

Helder Guégués às 15:13 | comentar | favorito
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Sobre «jihadista»

Quando o devem usar, não usam

 

 

      «As informações são ainda mais escassas sobre Falluja, a 60 quilómetros de Bagdad, tomada na mesma data por uma aliança que integra milícias sunitas que se rebelaram contra o Governo e jihadistas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Foi a primeira vez, desde a insurreição que se seguiu à invasão americana de 2003, que os rebeldes, alguns suspeitos de ligações à Al-Qaeda, ousaram reclamar o controlo de cidades, num desafio ao Governo, nas mãos da maioria xiita» («Exército iraquiano põe em marcha ofensiva para reconquistar Falluja», Ana Fonseca Pereira, Público, 4.02.2014, p. 22).

    Cara Ana Fonseca Pereira: se está aportuguesado, é português, não precisa de itálico nem de aspas.

 

 [Texto 3982] 

Helder Guégués às 07:25 | comentar | favorito

Léxico: «evondo»

Um caso para resolver

 

 

      «Dieudonné, que montou uma versão light do seu anterior espectáculo, que a justiça francesa proibiu de ser representado em várias cidades, chamado Asu Zoa (a Face do Elefante, em língua ewondo, dos Camarões), tem defendido Anelka — a quem chamou “um príncipe” na televisão Sky News. “É uma pessoa muito corajosa. Estamos solidários, muito orgulhosos dele. Tem uma postura muito nobre, é um príncipe para nós”, afirmou» («Humorista Dieudonné não entra no Reino Unido», Público, 4.02.2014, p. 20).

    É tão estranho e errado como escrever «língua português» ou «língua inglês». Estranho também é não constar no Dicionário Houaiss, quando o próprio Houaiss usou o aportuguesamento «evondo» na obra O Português no Brasil (Rio de Janeiro: Unibrade – Centro de Cultura, 1985, p. 111). Caro Paulo Araujo, tem de a entesourar no Houaiss.

 

[Texto 3981]

Helder Guégués às 07:10 | comentar | favorito

«Spill over»

Meia explicação 

 

      «Castro Almeida nota que o acordo de parceria não faz referência ao spill over [efeito difusor, admitido como argumento para afectação de verbas destinadas às regiões mais pobre [sic] em Lisboa], que considera “inevitável”, desde que não usado abusivamente a favor do centralismo, como Rui Moreira já disse recear. Aliás, ainda como autarca de S. João da Madeira, Castro Almeida votou na Junta Metropolitana do Porto uma queixa a Bruxelas contra Portugal por recurso ao spill over» («Castro Almeida vê críticas de Moreira como “equívocos”», A. V./Lusa, Público, 4.02.2014, p. 9).

      Parece que o jornalista tinha intenção de explicar o que é o spill over, mas depois atrapalhou-se. Aqui, Paulo Ferreira, sem deixar de lhe dar o mesmo nome, explica do que se trata.

 

[Texto 3980]

Helder Guégués às 06:46 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Errar em todas as línguas

Comida rápida

 

 

      «Nos países desenvolvidos, Portugal está entre aqueles que apresentam menor obesidade e menor consumo de fastfood, segundo um estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estuda a obesidade, hábitos de consumo e a liberalização comercial de bens alimentares. Este é o primeiro estudo que investiga o papel da liberalização dos mercados no consumo de comida rápida (fastfood) e no aumento do índice de massa corporal (IMC), incluindo pela primeira vez o número de transações [sic] da chamada fastfood» («Portugal está entre países desenvolvidos com menor consumo de fastfood», Público, 4.02.2014, p. 7).

      Comida rápida. Tão rápida que no Público não atinam com a grafia da palavra.

 

[Texto 3979]

Helder Guégués às 06:31 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Meias licenciaturas!

Pelo menos ficam mais baratos

 

 

    «O anúncio foi feito ontem, no final de uma reunião entre o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e o CCISP [Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos], que decorreu no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, e onde as praxes académicas estiveram também na ordem de trabalhos. O secretário de Estado do Ensino Superior explicou que estes ciclos curtos “já existem em todos os países, à excepção de Portugal, estão previstos na Reforma de Bolonha e são uma meia licenciatura com uma intenção muito profissionalizante”, ainda que também tenham uma formação genérica» («“Meias licenciaturas” nos politécnicos aprovadas nesta semana mas sem se saber número de vagas», Romana Borja-Santos, Público, 4.02.2014, p. 5).

      Se com licenciaturas inteiras não sabem escrever nem pensar, como será com meias licenciaturas? E como se dirá de quem tem esta formação — que é semilicenciado? O que me faz lembrar a hierarquia dos energúmenos das praxes: bestas, caloiros, pastranos, doutores, veteranos.

 

[Texto 3978]

Helder Guégués às 06:23 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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04
Fev 14

«Deferir/diferir»

E quem paga é o leitor

 

 

      «Foi também por isso que as famílias requereram ontem ao Tribunal de Almada a sua constituição como assistentes. Se o juiz de instrução criminal diferir o pedido, passarão a colaborar com o MP sugerindo diligências a fazer. “É isso mesmo que pretendemos. Colaborar para que se esclareça o que aconteceu. Às famílias interessa a descoberta da verdade”, disse Parente Ribeiro» («Polícia Judiciária examina diário de uma das vítimas do Meco», Pedro Sales Dias, Público, 4.02.2014, p. 4).

      A nossa justiça é conhecida por fazer isso: demorar, empatar, adiar, mas neste caso foi o jornalista que adiou a consulta de um dicionário. «Se o juiz de instrução criminal deferir o pedido», ou seja, despachar favoravelmente, devia o jornalista escrever. Ou é por pura preguiça de confirmar ou — o que ainda é pior, pois sabem sempre infinitamente menos do que julgam saber (vd. efeito Dunning-Kruger ou, se quereis em inglês, unskilled-and-unaware effect) — por pensarem que sabem.

 

[Texto 3977]

Helder Guégués às 06:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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