08
Fev 14

Tradução: «discharged»

Outra dúvida

 

 

      «Quando Michael Corleone foi desincorporado [discharged], no início de 1945, para restabelecer-se de um ferimento grave, não tinha a menor ideia de que o pai lhe havia arranjado a baixa [release]» (O Padrinho, Mario Puzo. Tradução de Mário V. Soares. Lisboa: Bertrand Editora, s/d, p. 22).

      É também o que está nos dicionários, mas será a melhor tradução? Fica a dúvida.

 

[Texto 4010]

Helder Guégués às 15:42 | comentar | ver comentários (11) | favorito
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Tradução: «chorus»

Pode ser

 

   

      «Era um velho costume deles, uma batalha simulada e um galanteio, usando as vozes como espadas, cada um gritando um coro por sua vez» (O Padrinho, Mario Puzo. Tradução de Mário V. Soares. Lisboa: Bertrand Editora, s/d, p. 44).

    É isso mesmo, chorus, o que está no original. Refrão ou coro, como traduzir? Precisamos aqui da opinião de um musicólogo.

 

[Texto 4009]

Helder Guégués às 11:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «knowingly»

Vê-se muito

 

 

      «O noivo louro [Carlo Rizzi] serviu um copo de vinho a Lucy e sorriu conscientemente» (O Padrinho, Mario Puzo. Tradução de Mário V. Soares. Lisboa: Bertrand Editora, s/d, p. 36). «Sorriu conscientemente»... Há várias maneiras disparatadas de traduzir, em contextos semelhantes, knowingly, e esta é uma delas.

 

[Texto 4008]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | ver comentários (10) | favorito
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Tradução: «gaucherie»

Não era fatal

 

 

   «Queria ser o mais generoso para mostrar que era o que tinha mais respeito, e esse era o motivo por que entregara o sobrescrito pessoalmente a Don Corleone, uma gafe que este perdoava por meio da sua própria enternecida frase de agradecimento» (O Padrinho, Mario Puzo. Tradução de Mário V. Soares. Lisboa: Bertrand Editora, s/d, p. 32).

      Tinha de sair qualquer coisa vagamente francesa, até porque no original está gaucherie... Não há menos de meia dúzia de melhores formas de traduzir a palavra. Mas enfim, sempre podia ser pior, até porque o envelope foi vertido para «sobrescrito».

 

 [Texto 4007]

Helder Guégués às 10:18 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Clear olive-brown»

Sobretudo, nada de oliva

 

 

    «A sua pele moreno-oliva clara seria considerada linda numa garota» (O Padrinho, Mario Puzo. Tradução de Mário V. Soares. Lisboa: Bertrand Editora, s/d, p. 21).

   Isto das cores... Valia mais uma construção semelhante a esta: «De bigodinho donairoso, muito moreno, cor de azeitona, imperativo para a consorte, objecto seu, claro, e cheio de lhaneza com os amigos, gabando-se, tropeçando em todas as lisonjas, que o tinham levado a apostar mais e a perder mais, tão sem defesa, pobre diabo!...» (Obras Completas, vol. 1, Urbano Tavares Rodrigues. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2007, p. 350).

 

[Texto 4006]

Helder Guégués às 09:43 | comentar | favorito
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08
Fev 14

«In its majesty»

Recuando um pouco

 

 

      «– Mas devido à vossa juventude, à vossa ficha limpa, devido às boas famílias a que pertencem e levando em conta o facto de que a lei de Sua Majestade não procura vingança, condeno-vos a três anos de reclusão numa penitenciária. Tal pena, porém, ficará suspensa – arrematou o juiz» (O Padrinho, Mario Puzo. Tradução de Mário V. Soares. Lisboa: Bertrand Editora, s/d, p. 14)

      Em meados do século XX, um juiz norte-americano a invocar a justiça de Sua Majestade? Coitado de Jorge VI, bem alheio a tudo isto. Erro de Mario ou de Mário? De quem havia de ser... No original, «because law in its majesty does not seek vengeance». Ou seja, «porque a lei, na sua majestade, não procura a vingança». Faz lembrar a frase irónica de Anatole France: «La loi, dans sa majesté sereine, permet aux pauvres comme aux riches de dormir l’hiver sous les ponts de Paris.» Inacreditável.

 

[Texto 4005] 

Helder Guégués às 09:23 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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