13
Fev 14

Ortografia: «meio-termo»

E nós, não devíamos saber?

 

 

      «Portugal não é a Espanha, e não me parece que venha por aí um movimento de direita que tome conta do Governo e queira novamente penalizar o aborto. Mas as injustiças da actual situação necessitam de ser corrigidas, porque manifestamente passámos do oito para o oitenta. Há oito anos, uma mulher que abortava podia ir parar à prisão. Hoje, ela tem os mesmos privilégios de quem deu à luz. Será assim tão difícil encontrarmos um meio termo?» («A vergonha do aborto gratuito», João Miguel Tavares, Público, 13.02.2014, p. 48).

      E será assim tão difícil consultar um dicionário de vez em quando? Vai fazer cinquenta anos, Rebelo Gonçalves já sabia isso.

 

[Texto 4040]

Helder Guégués às 15:26 | comentar | favorito
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Tradução: «nana»

E nós, sabemos?

 

 

      «Robbie não se lembrava dela, nem fazia ideia do significado da palavra bivó [Nana]; entendia apenas o conceito de mãe e irmã» (Uma Morte Súbita, J. K. Rowling. Tradução de Alberto Gomes, Manuel Alberto Vieira, Marta Fernandes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, p. 321).

      He had no idea what Nana meant. Coitada da criança. Acho que é o sítio e a altura ideais para confessar que nunca antes lera ou ouvira a palavra «bivó». Nem quando vivi no Porto.

 

[Texto 4039]

Helder Guégués às 14:32 | comentar | ver comentários (30) | favorito
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Tradução: «hero-worshipped»

Cegamente

 

 

      «Esse amigo, que idolatrizava claramente Fats, juntara-se à equipa dele e de Cubby» (Uma Morte Súbita, J. K. Rowling. Tradução de Alberto Gomes, Manuel Alberto Vieira, Marta Fernandes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, p. 361).

      Só quem não conhecesse o Fats é que podia fazer tal afirmação. Não: «who clearly hero-worshipped Fats». Idolatrava-o, ­ não o idolatrizava, que significa tornar idólatra; tornar cegamente apaixonado.

 

[Texto 4038]

Helder Guégués às 14:14 | comentar | favorito
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Tradução: «emasculating»

Mas vejam melhor no dicionário

 

 

    «[A sua corpulência] Foi forjada com prazer pelas mulheres que o amavam, e Howard pensava que era absolutamente típico da Fala-Barato, aquela desmancha-prazeres emasculada [emasculating killjoy], querer privá-lo disso» (Uma Morte Súbita, J. K. Rowling. Tradução de Alberto Gomes, Manuel Alberto Vieira, Marta Fernandes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, p. 349).

   Não costumam ser nada disso, antes o contrário. Desmancha-prazeres castradora, é o que a Dra. Parminder Jawanda é. Ou o que o pote de banhas do Mollison diz que ela é.

 

[Texto 4037]

Helder Guégués às 14:10 | comentar | favorito
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Tradução: «glucometer»

Uma certeza temos: é -metro

 

 

    «Nessa manhã, ao pequeno-almoço, tinha medido o açúcar no sangue com o glicómetro pela primeira vez, após o que retirara a seringa pré-cheia [sic] e se injetara na própria barriga» (Uma Morte Súbita, J. K. Rowling. Tradução de Alberto Gomes, Manuel Alberto Vieira, Marta Fernandes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, p. 297).

   O que se lê em vários dicionários é que glicómetro — que todos remetem para gleucómetro — é o instrumento que serve para medir a quantidade de açúcar existente no mosto. Parece, contudo, que se pode dar o mesmo nome ao que mede a glicose no sangue, daí também a designação glicosímetro, que não aparece em muitos dicionários. De qualquer maneira, o original levava-nos para outra variante: «That morning, at breakfast, she had tested her blood sugar with the glucometer for the first time, then taken out the prefilled needle and inserted it into her own belly.»

 

[Texto 4036] 

Helder Guégués às 08:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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13
Fev 14

Tradução: «agency nurse»

Sua registada

 

 

      «– A mulher de Simon Price é uma excelente rapariga – disse Shirley num tom de suave arrependimento. – Não acredito que a Ruth saiba o que quer que seja sobre isto, que o marido tem andado a receber por fora. É minha amiga lá no hospital. – replicou Shirley a Maureen. – É enfermeira registada [agency nurse]» (Uma Morte Súbita, J. K. Rowling. Tradução de Alberto Gomes, Manuel Alberto Vieira, Marta Fernandes e Helena Sobral. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, p. 280).

      E que é isso, «enfermeira registada»? Nada que se conheça. Dantes é que havia as registadas (ou matriculadas), que eram as prostitutas que tinham licença para exercer o seu mister. Neste caso, pode ser enfermeira temporária, por exemplo. Ou enfermeira contratada. Na tradução brasileira está algo que só faz sentido para eles, «enfermeira terceirizada».

 

[Texto 4035]

Helder Guégués às 08:07 | comentar | favorito
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