19
Fev 14

Estranhas «demonstrações»

Ainda menos se justifica

 

 

    «As conspirações e revoltas contra o sidonismo prosseguiram com rebeliões militares e demonstrações sindicais» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 43).

  Estas «demonstrações sindicais» não serão, afinal, manifestações sindicais? Não se tratará do falso cognato demonstration mal traduzido? E a propósito de quê, se nem se trata de uma tradução?

 

[Texto 4079]

Helder Guégués às 23:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «surto»

Aqui não é epidemia

 

 

   «Mas o partido intervencionista prevaleceu e, em Março de 1916, Portugal tomou a iniciativa de apresar os navios alemães surtos nos portos portugueses» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 40).

    Surto significa aqui fundeado, ancorado. É bom para variar.

 

[Texto 4078]

Helder Guégués às 23:10 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «quarteleiro»

No entanto

 

 

   «Apesar de alguma agitação quarteleira, o Exército tem então, essencialmente, duas funções: de ordem pública e de ocupação e quadrícula do Ultramar» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 39).

   Quarteleiro. Não é a primeira vez que o leio com este sentido de relativo a quartel. No entanto, nos dicionários apenas está registado como substantivo: militar responsável pela guarda e conservação do material existente numa arrecadação.

 

[Texto 4077]

Helder Guégués às 22:50 | comentar | favorito
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É preciso ouvido

 

 

      «Foi decretada a Lei da Separação e cortadas as relações com a Santa Sé; acabou o ensino da religião nas escolas; bispos e sacerdotes foram detidos e deportados para fora das dioceses; foram expulsas as ordens religiosas masculinas (Jesuítas, Franciscanos, Espiritanos, Beneditinos, Salesianos, Lazaristas) e as ordens femininas (Doroteias, Irmãs dos Pobres, Hospitaleiras, Missionárias de Maria), congregações com longa experiência de assistência social e médica e de missionação no Ultramar» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 37).

      Já uma vez lembrei um comentário verrinoso de Camilo a uma obra em que lera que alguém «cortara as relações» com certo indivíduo. Como quem «corta as unhas», zombou Camilo.

 

[Texto 4076]

Helder Guégués às 22:36 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «picagem»

Inesgotável

 

 

      Repórter Vítor Rodrigues Oliveira, no noticiário das 10h00, na Antena 1: «No Porto, os autocarros da STCP transportaram menos 16 milhões, mas a Metro do Porto ganhou passageiros, é a grande excepção das transportadoras, mais dois milhões de picagens.» Os dicionários ainda ignoram a palavra, embora saibam quem são os picas.

      Bem, tudo isto me faz lembrar as estatísticas das «ignições» no Verão.

 

[Texto 4075]

Helder Guégués às 18:29 | comentar | favorito
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Soltem os meios

Tira, tira

 

 

      «Usávamos antes o apelido, meio-irónico, meio-cúmplice, de “Botas”. “Botas” porque usava botas correctivas e não porque era sovina... Que também era, sobretudo com o dinheiro do Estado» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., pp. 11-12).

    Não podem ver um «meio» à solta, amarram-no logo à palavra seguinte. Os revisores, ao que parece, acham normal.

 

[Texto 4074]

Helder Guégués às 11:12 | comentar | favorito
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«Os Romanovs»

Grande lógica, sim senhor

 

 

   «Estas eram os grandes poderes europeus — a Inglaterra, a França, a Alemanha — que, com a Rússia imperial e reaccionária dos Romanov e a Áustria-Hungria dos Habsburgos, símbolo do conservadorismo católico, formavam a pentarquia europeia» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 26).

   Caro Jaime Nogueira Pinto, é um homem inteligente: diga-nos lá: acha que é coerente escrever «os Perestrellos» e «os Habsburgos» e, por outro lado, «os Romanov»? Não, não é. Serão os Romanovs, e que a Virgem Maria confunda aqueles que se põem a pensar (coitados) como será o plural em russo. Que interessa isso?

 

[Texto 4073]

Helder Guégués às 07:27 | comentar | favorito
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Léxico: «mal-alinhavado»

Coisa mal-ajambrada

 

 

    Ia apostar que «mal-alinhavado» estava, pelo menos, no Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado. Se apostasse, perdia. Não está. Como também não está no Dicionário Houaiss. Encontro-o no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora e, em mais uma incongruência, no Dicionário de Francês-Português da mesma editora. Embrouillé.

 

[Texto 4072]

Helder Guégués às 07:24 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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19
Fev 14

Léxico: «salazariano»

António voltou

 

 

      «A seguir entramos noutro capítulo da história e do método salazarianos: o Salazar diplomata, o estratega da Política Externa de um pequeno país, numa década — 1936-1945 — de grandes crises e conflitos na Europa» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 19).

   Pouco usado — mas já usado em 1961: «Sob a designação vaga de República unitária e corporativa, principiaria a desenvolver-se a longa e inextricável cadeia de sofismas e mistificações do Estado salazariano» (Minha Cruzada pró-Portugal: Santa Maria, Henrique Galvão. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1961, p. 6).

 

[Texto 4071]

Helder Guégués às 07:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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