20
Fev 14

Ortografia: «catalisador»

A persistência dos erros

 

 

      «Carmona é — e será sempre — mais um símbolo do que um líder: um ponto de equilíbrio de forças, uma apaziguador de conflitos, um catalizador de energias, um mediador ponderado e aceite» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 60).

      De «catálise», só pode ser catalisador. Espanta é que na 6.ª edição da obra este e muitos outros erros persistam.

 

[Texto 4085]

Helder Guégués às 22:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Léxico: «rupturista»

Voto no gato

 

 

      «Mas a euforia unitária do triunfo durou pouco tempo: sobe a tensão entre os rupturistas (o Exército, com Gomes da Costa à cabeça) e os conciliadores de Mendes Cabeçadas, atrás de quem se tentavam já reordenar as forças conservadoras dos partidos» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 60).

   Não tinha topado antes com ela. Rupturista. Está no Aulete: «Que suspende ou interrompe acordos, relações (de compromisso, políticas, etc.)». E quem fala em ruptura fala no Acordo Ortográfico de 1990, que amanhã volta a ser debatido: «O jornalista da RTP e escritor José Rodrigues dos Santos, a favor; o subdirector do PÚBLICO Nuno Pacheco, contra; o escritor e ex-secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas, que admitiu introduzir mudanças na legislação ratificada por Portugal em 2008. São estes os pólos do debate que amanhã — Dia da Língua Materna — se realiza em Cascais, com moderação de Carlos Carreiras, presidente da autarquia, sobre o Acordo Ortográfico. A sessão está marcada para as 10h [sic] da manhã na Biblioteca Municipal de Cascais/Casa da Horta da Quinta de Santa Clara. Será mais um momento de discussão de um tema polémico, que tem mobilizado investigadores, políticos e a opinião pública macional [sic]» («Acordo Ortográfico em debate amanhã em Cascais», Público, 20.02.2014, p. 35). Um a favor, um contra e um abstencionista. Voto no gato raiado que costuma andar lá pela biblioteca.

 

[Texto 4084] 

Helder Guégués às 16:07 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,

«Muleta», uma acepção

A lição do serralheiro

 

 

      O que eu disse ao serralheiro é que as novas portas tinham de abrir por dentro e por fora sem o auxílio de chave. «Ah, sim», respondeu prontamente, «está a falar de puxadores de dupla muleta.» Isto aqui.

 

[Texto 4083]

Helder Guégués às 15:36 | comentar | favorito
Etiquetas:

As aspas da discriminação

Invencionice

 

 

      «Este [Ezequiel de Campos] era “seareiro”, isto é, do grupo reformardor da Seara Nova, dirigido por Raul Proença e António Sérgio» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 59).

     Se fosse seareiro, isto é, cultivador de searas, já não precisava das aspas, é isso, caro Jaime Nogueira Pinto? Isso não tem pés nem cabeça. Não há acepções de primeira e acepções de segunda.

 

[Texto 4082]

Helder Guégués às 11:24 | comentar | favorito
Etiquetas:

Era uma vez o plural

É a grande tendência actual

 

 

      «Olhando com atenção os milhares de fotografias existentes da época, mostrando a caminhada para Lisboa ou os bivaques locais, os oficiais e os soldados, vê-se o equipamento da Grande Guerra, os capotes, os dólmans e pistolões dos oficiais, as Mauser 1907 dos soldados, os grandes carros descobertos em que se transportavam os emissários, as colunas avançando nas estradas e caminhos do Norte ou então nos comboios militares» (António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, Jaime Nogueira Pinto. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2008, 6.ª ed., p. 56).

   Adeus, plural, foi um prazer. Isso era dantes: «As Mausers visam certeiras e uma das cabras empina-se no ar com a pata dianteira quebrada e, depois, cai redonda, ao receber o segundo tiro» (Ao Sol do Império: viagem presidencial a S. Tomé e Angola, Fernando de Pamplona. Lisboa: Companhia Nacional Editora, 1938, p. 174).

 

[Texto 4081] 

Helder Guégués às 11:08 | comentar | ver comentários (5) | favorito
Etiquetas:
20
Fev 14

Um apóstrofo alienígena

Não precisa

 

 

     «E perguntaram o que iria fazer: limpar WC’s e cozinhas? Usufruir da reforma dourada? Agarrar um “tacho” proporcionado pelos “amiguinhos”? Houve até um que, com ironia insuspeita, lhe pediu que “deixasse cá a reforma”. Os duzentos e tal euros. [...] Eu conheço-o: é um tipo simpático e cheio de humor, que está bem com a vida e que, ontem, partiu com uma mala às costas e uma guitarra na mão, aos 65 anos, cansado deste país onde, mais cedo do que tarde, aqueles que o mandam para Cuba, a Coreia do Norte ou limpar WC’s e cozinhas encontrarão, finalmente, a terra prometida: um lugar onde nada restará senão os reality shows da televisão, as telenovelas e a vergonha» («Carta ao meu pai, Fernando Tordo», João Tordo, Público, 20.02.2014, p. 55).

    É impressionante, vergonhoso, como tratam mal os artistas — e Fernando Tordo não é um artista qualquer — neste país.

    Agora quanto aos WC: não precisam, como acabei de fazer, de apóstrofo, que, afinal, nem na língua inglesa, neste caso, se usa. «Mostrou as áreas de performing, o bar onde poderia servir-se à discrição, a pérgula onde podia fumar e a escada de acesso aos WC. De longe apontou para o dono da casa» (Cidade Proibida, Eduardo Pitta. Lisboa: QuidNovi, 2007, p. 103).

 

[Texto 4080]

Helder Guégués às 09:49 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: ,