03
Mar 14

Tradução: «solicitud penal»

Como no circo

 

      E agora, como no circo, algo ainda mais difícil: «El derecho alemán distingue entre delitos perseguibles de oficio (Oirtzialdelikten) delitos dependientes de denuncia o solicitud penal (Antragsdelikten) y delitos perseguibles únicamente mediante acción privada (Privatklagedelikten).» Como traduzir aquela solicitud penal? Não, decerto, como o estou a ver, «solicitação penal» (também existe, e não tem nada que ver, solicitación penal). Por «pedido de acção penal?

 

[Texto 4170]

Helder Guégués às 17:37 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Tradução: «juez comisionado»

Aos senhores juristas

 

      «Juez comisionado», lê-se no original; «juiz comissário», lê-se na tradução. Nunca tal vi. No âmbito do Direito penal alemão, é o juiz a quem outro encarregou de recolher o depoimento de uma testemunha. Servirá «juiz deprecado»?

 

[Texto 4169]

Helder Guégués às 17:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «hipófora»

Retórica obamaniana

 

      «Outra maneira de reforçar a persuasão é abordar questões não retóricas. Fazer uma pergunta não retórica — ou seja, cuja resposta vamos dar — é uma maneira apreciável de replicar a sensação de comunicação directa entre duas pessoas. A utilização de questões não retóricas, abordadas na altura apropriada, faz com que o ouvinte sinta que o orador está a levantar e a responder a preocupações comuns aos dois. Conhecida como hipófora, esta técnica permite ao orador validar questões-chave para o público» (Falar como Obama, Shel Leanne. Tradução de José Couto Nogueira. Alfragide: Lua de Papel, 2009, p. 132).

    O Dicionário Aulete regista «hipofora», sem acento. Contudo, na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira é hipófora — parte da prolepse em que se citam e enumeram objecções — que também se pode ler. E lá está o nosso já conhecido «replicar». O tradutor espanhol optou, muito acertadamente, por «reproducir».

 

[Texto 4168]

Helder Guégués às 13:29 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tradução: «leading politician»

Toda a família

 

      «Os políticos liderantes [leading politicians] na Alemanha falam em alargar as suas perspectivas para a Ásia, apontando também para “valores” e procurando relações estratégicas mais estreitas com “a Coreia do sul, o Japão, a Índia e a Indonésia [que] podem desempenhar um papel na segurança e noutras grandes questões globais”» (O Regresso da História e o Fim dos Sonhos, Robert Kagan. Tradução de Oscar Mascarenhas. Alfragide: Casa das Letras, 2009, p. 115).

      É, como já tenho afirmado, uma das maldições da actualidade e, como se vê, não se fica pelo «líder». Como também já tenho reconhecido, nem sempre é fácil combatê-la, porque numa tradução, como é o caso desta, pode ocorrer largas dezenas de vezes. De qualquer maneira, «político liderante» é nova para mim.

 

[Texto 4167] 

Helder Guégués às 11:14 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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É preciso ouvido

E quedasse mudo

 

      «Tal como mais de um líder iraniano tornou claro, o Irão define-se e enaltece-se pela sua determinação em fazer frente aos Estados Unidos, a superpotência predominante e opressora e que dá-se também o caso de ser o Grande Satã» (O Regresso da História e o Fim dos Sonhos, Robert Kagan. Tradução de Oscar Mascarenhas. Alfragide: Casa das Letras, 2009, p. 78).

 

[Texto 4166]

Helder Guégués às 10:48 | comentar | favorito
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«Mau grado/malgrado»

A terceira (errada) via

 

      «Jordânia, Egipto, Arábia Saudita e Marrocos continuam a trabalhar estreitamente com os Estados Unidos, mal-grado alguma pressão emanada de Washington no sentido da reforma política destas autocracias» (O Regresso da História e o Fim dos Sonhos, Robert Kagan. Tradução de Oscar Mascarenhas. Alfragide: Casa das Letras, 2009, pp. 133-34).

      Até podemos, como vimos aqui, escrever indiferentemente mau grado e malgrado, não podemos é inventar grafias.

 

[Texto 4165]

Helder Guégués às 10:40 | comentar | favorito
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03
Mar 14

Uma certa confusão

Gramaticando de novo

 

      «A China protestou formalmente junto de cada país que participou e foi formalmente assegurada de que os exercícios nada tiveram a ver com a contenção de qualquer potência» (O Regresso da História e o Fim dos Sonhos, Robert Kagan. Tradução de Oscar Mascarenhas. Alfragide: Casa das Letras, 2009, p. 77).

    Como é? «A China [...] foi formalmente assegurada»!? As palavras são inequivocamente portuguesas, mas a sintaxe não é deste mundo. Vamos tentar de novo?

 

[Texto 4164]

Helder Guégués às 09:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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