05
Mar 14

Léxico: «averso»

Léxico avondoso

 

 

      Acabei de ler numa carta, a determinado passo, «que nos é mais averso, etc.». O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora-o. Sabia Gil Vicente, que além de averso usava avondança, aquirir, adversairo, etc. Isso mesmo: averso ou adverso. Chegou ao século XXI.

 

[Texto 4178]

Helder Guégués às 17:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «foreshortened»

Ou seja...

 

 

    «Entrou uma rapariga [no autocarro]; filmado de uma posição sobranceira ao motorista, o rosto dela era escorçado e ficava fortemente obscurecido, muito embora se distinguisse o rabo de cavalo louro» (Quando o Cuco Chama, Robert Galbraith. Tradução de Ana Saldanha, Maria Georgina Segurado e Rita Figueiredo. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2013, 2.ª ed., p. 197).

    Hum... escorçado... Será que se percebe? Não será antes reduzido, porque a câmara estava num ponto alto? Ou mesmo distorcido ou desfocado. No original: «A girl got on; filmed from a position above the driver, her face was foreshortened and heavily shadowed, though her blonde ponytail was distinctive.»

 

[Texto 4177]

Helder Guégués às 15:20 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Tradução: «hedge fund»

Então, que seja literal

 

 

      «Os gestores de fundos são os reis de Wall Street. Os 25 gestores de sociedades de capital de risco (private equity) e de fundos especulativos (hedge funds) ganharam, no conjunto, 24 300 milhões de dólares no ano passado, quase 18 mil milhões de euros, mais 50% que em 2012» («Soros lidera lista dos mais bem pagos», Diário de Notícias, 2.03.2014, p. 36).

      Mas será a melhor tradução de hedge funds? «Na prática», lê-se aqui, «são fundos de investimento altamente especulativos.» Ah, na prática... Porque, «numa tradução literal, hedge funds são fundos de protecção ou cobertura de risco».

 

[Texto 4176]

Helder Guégués às 14:41 | comentar | favorito
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05
Mar 14

Tradução: «your worship»

Sua Excremência

 

 

      «“Não sou culpado, minha senhora”, respondeu Pistorius à juíza Thokozile Masipa, após ter assegurado que compreendia as acusações contra si, nomeadamente o porte e uso de armas proibidas» («Pistorius reclama inocência no primeiro dia do julgamento», Diário de Notícias, 4.03.2014, p. 41).

      Parece o empregado de mesa a dizer a uma cliente que não tem culpa de estar uma mosca a boiar na sopa. David Smith, correspondente do Guardian, assegura que foi assim: «Asked by the judge, Thokozile Masipa, how he pleaded, Pistorius rose and replied softly: “Not guilty, my lady.”» Outros, porém, afiançam que foi desta maneira: «Not guilty, Your Worship.» E há-de haver outras formas de tratamento em inglês, o que nada nos interessa. Temos de usar as nossas.

      O que me trouxe à memória isto: «En la posguerra española se contaba que un día, en Buenos Aires donde se había refugiado, el poeta comunista R. Alberti dirigió al Embajador de la España franquista una carta que empezó con una variante escatológica del saludo ceremonial de moda: Excrementísimo Señor. Sin duda para no romper la unidad estilística, el poeta del 27 utilizó a continuación como zalema “Su Excremencia”. Se non è vero...» (El humor en el español formal, Jacques De Bruyne. Cáceres: Universidad de Extremadura, 2009, pp. 92-93).

 

[Texto 4175] 

Helder Guégués às 10:33 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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