09
Mar 14

Tradução: «elm»

Podia ser u, podia ser o

 

 

      «Cleveland oferecia-se aos olhos de modo diferente, em fragmentos maiores. Em Cleveland viam-se os painéis de publicidade, as nuvens, os elmos erguidos sobre as suas próprias sombras» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 145).

      Só sei o que é porque fui ver no original: elm. Ulmeiro, olmo, ulmo. Se não tivermos acesso ao original, o limite é a imaginação.

 

[Texto 4201]

Helder Guégués às 22:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «conversation»

Rebuscado ou singelo

 

 

      «Na sua vida quotidiana era praticamente invisível – usava calças de ganga e camisas de pólo, era tímido e inseguro nas mais simples transacções sociais, vivia sozinho num estúdio vazio» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 136).

    Não será demasiado rebuscado? «Transacções sociais»... Afinal, no original está o singelo conversations. Mais: «transacção social» não é usado quase exclusivamente no Brasil? Cá, creio que se usa mais «interacção social».

 

[Texto 4200]

Helder Guégués às 21:55 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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«Segunda banana»!

Outra para esquecer

 

 

     «Clare cumpria as suas rotinas diárias com irónica alegria, como a segunda banana [second banana] numa comédia dos anos 30» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 122).

    Conheço muitos bananas, e «segundo-cabo», «segundo-furriel», etc.; «segunda banana» é a primeira vez — e com razão: é coisa alienígena, ao contrário do que o tradutor nos quer fazer crer. Top or second banana: «The most (or second most) important person in a organization: a top banana of the Mafia» (in Oxford Dictionaries).

 

[Texto 4199]

Helder Guégués às 21:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «patronize»

Para esquecer

 

 

      «– Não me paternalizes [patronize]. Não te atrevas. Podes desprezar-me, podes irritar-te ou chateares-te de morte comigo, mas não me paternalizes como se eu fosse uma espécie de pequena esposa» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 110).

   Não me lembro de me ter avistado alguma vez, antes, com este «paternalizar». E agora vou tentar esquecê-lo, como convém.

 

[Texto 4198]

Helder Guégués às 14:51 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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«Ao deus-dará»

Ou talvez não

 

 

      «– É um miúdo um pouco bravio, só isso. Um miúdo que está a crescer sem mãe, ao Deus dará [half wild]. Penso que temos recursos suficientes para lhe dar algum apoio, não te parece?» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 71).

      Será por hipercorrecção, digo eu. Esta locução adverbial grafa-se assim: ao deus-dará.

 

[Texto 4197]

Helder Guégués às 10:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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09
Mar 14

Léxico: «madrasto»

Esqueceram-se das camisas

 

 

      «Na base do pescoço dele, um tufo de cabelos aloirados despontava-lhe do colarinho da camisa de madrasto [madras shirt]» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 14).

    O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o: «tecido de algodão e seda, geralmente com padrão enxadrezado, muito usado para confeccionar lenços, gravatas e cachecóis.» Esqueceram-se das camisas. É termo muito mais presente na literatura brasileira do que na portuguesa.

 

[Texto 4196]

Helder Guégués às 10:49 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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