11
Mar 14

Tradução: «Rubensesque»

Posso?...

 

 

      «Se o termo “rubensesco” se aplicasse aos homens seria perfeito para descrever Bobby» (Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham. Tradução de Rui Pires Cabral. Lisboa: Gradiva, 2005, 5.ª ed., p. 177).

      Sou só eu que me arrepio com isto, ou há aí mais alguém? Bem, mas eu não sou poeta. Para começar, devia ter copiado a pontuação: «If the word “Rubensesque” applied to men, it would be perfect for Bobby.» Se até em inglês há, é uma variante, Rubenesque, não se devia procurar o termo português correspondente? Devia, e ei-lo que surge desempoeirado dos dicionários (no meu caso, das edições do Boletim do Instituto de Angola, onde o encontrei pela primeira vez): rubenesco.

 

[Texto 4210]

Helder Guégués às 22:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Os colocanços jornalísticos

Um vivo e um morto

 

 

      «Eu, e outros como eu — gente que depois de ver o que aconteceu ao país com a entrada no euro e a bebedeira de crédito fácil que se lhe seguiu, aprecia muito que alguém ou alguma coisa coloque um travão numa forma de governar que anda há décadas a gastar o dinheiro que o país não tem» («Pulseira electrónica até 2035», João Miguel Tavares, Público, 11.03.2014, p. 52).

      «Entendeu-se que era preciso pôr um travão ao bolchevismo russo, e os fascistas portugueses começam a assumir o seu papel de defensores da cultura ocidental contra o “perigo vermelho”» (Vida e Obra de José Gomes Ferreira, Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa: Livraria Bertrand, 1975, p. 66).

 

[Texto 4209]

Helder Guégués às 22:17 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Afervorar o amor ao estudo

Um morto e um vivo

 

 

      «O PCP é como os filmes da Disney, não precisamos sequer de ir ao cinema para saber qual é o final. Desde que vivemos em democracia, tivemos três Governos socialistas: Mário Soares, António Guterres e José Sócrates. Dispenso-me de recordar o grande amor de Cunhal por Soares. Já sobre o Governo Guterres, dizia Carlos Carvalhas que ele era “cúmplice da política de direita”» («Pulseira electrónica até 2035», João Miguel Tavares, Público, 11.03.2014, p. 52).

   João Miguel Tavares queria escrever «amor de Cunhal a Soares», mas esqueceu-se da regência nominal adequada. Agora (tem de ser) um morto. Ora vejamos... Pode ser Camilo, no Amor de Perdição: «Isto afervorou-lhe para mais o amor ao estudo.» Oxalá.

 

[Texto 4208]

Helder Guégués às 22:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito

«Tecto/telhado»

Regressado dos mortos

 

 

      Só de mortos? Não, Tânia, tenho de voltar aos vivos. Repórter Patrícia Cerdeira, da Antena 1, na inauguração do novo edificio da Polícia Judiciária: «Pedro Passos Coelho e a ministra da Justiça, que são aguardados a qualquer momento aqui no 13.º piso, no tecto deste edifício, onde se encontra o heliporto, uma das marcas mais emblemáticas desta sede da Polícia Judiciária.» É confusão, esta entre tecto e telhado, que só costumo ver em traduções.

 

[Texto 4207]

Helder Guégués às 14:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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11
Mar 14

Elipse da preposição

Repreende o sábio e ele te amará

 

 

      Doravante, só vou falar de mortos. E hei-de chegar à suprema perfeição de só falar com mortos. Hoje, porém, vou responder, recorrendo à lição de Vasco Botelho de Amaral, a uma pergunta que me fizeram na sexta-feira. «O mês passado, em vez de no mês passado. Elipse da preposição, encontrável a cada passo em clássicos e na boca do povo. Noutras línguas há semelhante omissão. Os Ingleses, por exemplo, dizem: last month. Etc.» (Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, vol. 2, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 569).

 

[Texto 4206]

Helder Guégués às 07:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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