16
Mar 14

Tradução: «eh»

Não é o mesmo

 

 

      «– Ah! – O cavalheiro forte riu e piscou um olho. – Não quer admiti-lo, eh?» (O Estrangulador de Cater Street, Anne Perry. Tradução de Mário Dias Correia. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 40). No original: «“Ah,” the stout man grinned and winked. “Not wanting to admit it, eh?”»

    As interjeições, que de vezes aqui o tenho dito!, são um dos pontos fracos dos tradutores. Mesmo, como é o caso, dos excelentes. «Eh» em inglês, pois que em português não exprime o mesmo. Podia ser: «Não quer admiti-lo, é isso?» Ou assim: «Não quer admiti-lo, hã?»

 

[Texto 4230]

Helder Guégués às 23:12 | comentar | favorito

Tradução: «inside information»

Aqui, não é crime

 

 

     «E tinha informações “de dentro” sobre o vencedor da corrida anterior» (O Estrangulador de Cater Street, Anne Perry. Tradução de Mário Dias Correia. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 39).

     O narrador não o diz, mas devem estar nas corridas em Ascot. Emily está acompanhada de um lorde, possível futuro marido, que a informa de que conhece o proprietário do cavalo vencedor. Não sei se a tradução por «informação privilegiada» não seria mais clara. E depois as aspas... «And she had inside information on the winner of the previous race.» 

 

[Texto 4229]

Helder Guégués às 22:56 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Titular/titulado»

Sim, mas pouco

 

 

      «Era uma pena os cavalheiros já não se baterem em duelo. Oh, claro, seria tudo extremamente decente. Talvez um deles fosse titulado» (O Estrangulador de Cater Street, Anne Perry. Tradução de Mário Dias Correia. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 33). No original: «A pity gentlemen did not duel any more. Of course, it would all be very proper. Perhaps one of them would be titled.» 

      É sinónimo, nesta acepção, de «titular», mas escassamente usado, essa é a verdade.

 

[Texto 4228]

Helder Guégués às 22:03 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Não, não, não

 

 

      E, porque acabo de ler a palavra «não-violência», lembrei-me, era inevitável, disto: «Todos estes casos são empecilhos que Sarkozy tem de ultrapassar para se recandidar [sic] em 2017 à presidência — não é segredo que o deseja fazer. O que interessava a Sarkozy neste caso era saber qual seria a sorte das suas agendas, apreendidas durante buscas da polícia no âmbito do inquérito Bettencourt, mas não-devolvidas» («Escutas a Sarkozy revelam tráfico de influências e deixam Governo socialista aflito», Clara Barata, Público, 16.03.2014, p. 34). E disto: «O valor das indemnizações dos ex-operários ronda os 4,2 milhões de euros, além dos 12,4 milhões de créditos a não-funcionários e de cerca de 2,2 milhões à Segurança Social» («De insolvência em insolvência, a fábrica das [sic] Victor Emmanuel fechou», Sara Dias Oliveira, Público, 16.03.2014, p. 26).

 

[Texto 4227]

Helder Guégués às 17:08 | comentar | favorito
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Sobre «brecagem»

Tristeza

 

 

     De madrugada, um ignorante de nome Nuno Teixeira deixou-me um comentário no Assim Mesmo, no texto sobre «brecagem». Só isto: «Aldrabice: o dicionário da Porto Editora - 6ª edição não tem tal palavra. Talvez seja termo de motorista semi-analfabeto.» Já se deixa adivinhar quem é aldrabão e semianalfabeto — até à 5.ª ou 6.ª casas. Bem, mas quanto ao que interessa, porque alguma coisa se aproveita. Na altura, a redacção do verbete no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora era a seguinte, como eu indiquei: «Brecagem s. f. MECÂNICA. Ângulo horizontal máximo que as rodas directoras de um veículo podem descrever a partir da sua posição em movimento rectilíneo.» «A minha preocupação», comentei então, «neste caso, é a de os leitores que consultarem um dicionário neste verbete e não entenderem o que lêem.» Já não sei se foi por sugestão minha, o que sei é que o verbete tem agora esta redacção: «Brecagem s. f. MECÂNICA. Amplitude máxima que a direcção de um veículo consegue descrever.»

 

[Texto 4226]

Helder Guégués às 16:00 | comentar | favorito
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16
Mar 14

«Príncipe consorte»

Não, obrigado

 

 

    «O príncipe-consorte morrera de tifo havia já vinte anos: Gilbert O’Sullivan escrevia óperas como H.M.S. Pinafore» (O Estrangulador de Cater Street, Anne Perry. Tradução de Mário Dias Correia. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 10).

      Não precisa de hífen, tal como príncipe regente e príncipe herdeiro também não precisam de hífen. «Solicitava-lhe ainda que informasse o príncipe consorte do que se passava em Lisboa» (Dom Pedro V, Maria Filomena Mónica. Lisboa: Temas e Debates, 2007, p. 208).

 

[Texto 4225]

Helder Guégués às 08:42 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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