22
Mar 14

Léxico: «alude»

Não divergiu

 

 

      Afirmei aqui, lembram-se?, que «alude» raramente é usado. Continua a ser assim, mas apareceu-me agora. «Noutras épocas, o triunfo era sedimento; hoje é um alude que produz eco» (Pensa, É Grátis, Joaquín Lorente. Tradução de Bárbara Pinto Coelho. Lisboa: Planeta, 2009, p. 63). Boa opção. Razões? Está no original! «En otras épocas, el triunfo era un sedimento; hoy es un alud con eco.» Tendo, porém, em conta o que por aqui temos visto, já não é mérito pequeno.

 

[Texto 4259]

Helder Guégués às 19:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Usos e abusos

Você, José Candeias

 

 

      Ao pequeno-almoço dos sábados, que tento sempre abreviar, ouço o programa de José Candeias na Antena 1. De certeza que não há ninguém em Portugal que use mais vezes você/vocês. À bruta. À náusea. Ah, não haver uma alma caridosa que lho diga. Ainda um dia, em que tiver menos que fazer, as conto.

      Nas sextas-feiras, ouço sempre o Contraditório, e neste é Luís Delgado que usa a expressão «ponto de vista» muito, mas muito mais vezes do que as necessárias. Abusa. São dezenas as vezes que diz «desse ponto de vista», a esmagadora maioria sem propriedade. Um tique, uma balda, mas quase tudo tem cura.

 

[Texto 4258]

Helder Guégués às 08:48 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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«Alto Nilo», logo...

Alto lá

 

 

  Cada vez mais pobres, os dicionários. Eu bem faço centenas de sugestões, mas nem assim. Procurem, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o que se diz no verbete «alto» sobre os rios. Nada de nada. No entanto, no dicionário de Cândido de Figueiredo lá está: «Diz-se do rio, na região que banha, ainda longe da foz: o alto Nilo.» Metade das vezes talvez se veja com maiúscula, Alto Nilo, e não me parece mal, como topónimo que também é. Mas dir-se-á semelhantemente Alto Rio Amarelo?

 

[Texto 4257]

Helder Guégués às 08:31 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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«Roaring Forties»

Agora lembraram-se dos leitores

 

 

      «A área de buscas está na fronteira da zona conhecida como Vendavais da Latitude 40 (Roaring Forties), onde o mar nunca é calmo, os ventos podem ser fortíssimos e a ondulação é muita. Num mar tão agreste os radares não são de grande ajuda e o mesmo acontece com os infravermelhos, porque os objectos estarão à mesma temperatura da água, explica ao Guardian David Learmount, editor na Flightglobal, um site de notícias de aviação» («MH370: à procura de uma agulha no “sítio mais inacessível à face da terra», Sofia Lorena, Público, 22.03.2014, p. 24).

 

[Texto 4256]

Helder Guégués às 07:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Intimidar/intimar»

Como não é inglês, atrapalham-se

 

 

      «Também foi intimidada [pelo Tribunal de Família] “a retirar da sua página no Facebook” e qualquer outra rede ou página na Internet informações que tinha sobre os filhos» («Razões da retirada de crianças a casal português “são muito pouco sólidas”», Ana Dias Cordeiro, Público, 22.03.2014, p. 10).

   Vou limitar-me a copiar para aqui o que já escrevi algures: um jornalista confundir intimar com intimidar é lamentável. Intimar é tornar ciente com autoridade oficial; notificar. Intimidar é inspirar receio, medo ou temor a; amedrontar. Não há dúvida de que, com uma intimação, se consegue intimidar uma pessoa. Em latim, intĭmo,as,āvi,ātum,are é fazer algo penetrar. Só em sentido figurado é que significa fazer algo (uma ordem) penetrar no espírito de outrem; interpelar; notificar. É disso que estes jornalistas precisam: que alguém lhes faça penetrar na mente a diferença.

 

[Texto 4255]

Helder Guégués às 06:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Mar 14

«County council»

É um risco

 

 

      «Dos Serviços Sociais de Lincolnshire County Council chegou ontem a informação de que não seria dado nenhum esclarecimento, solicitado para perceber se no processo constavam indícios de maus tratos ou negligência contra os pais. “O caso é confidencial. Não podemos dar pormenores sobre casos individuais que dizem respeito à protecção de menores”, disse John Giblin, do gabinete de imprensa» («Razões da retirada de crianças a casal português “são muito pouco sólidas”», Ana Dias Cordeiro, Público, 22.03.2014, p. 10).

      E porque não Conselho do Condado de Lincolnshire ou Conselho Municipal de Lincolnshire? Têm receio que os leitores fiquem a perceber tudo, não é?

 

[Texto 4254] 

Helder Guégués às 06:22 | comentar | favorito
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