26
Mar 14

O Solidarnosc também é nosso

Inconsistentes

 

 

      «A caneta com que assinou os estatutos do Solidarnosc (Solidariedade) tinha a imagem de João Paulo II» (A Guerra Fria, John Lewis Gaddis. Tradução de Jaime Araújo. Lisboa: Edições 70, 2007, p. 221).

      Porquê em itálico, se não é um nome comum? Mais polaco está no original, e o autor (bem sei que eles se apropriam de todas as palavras qualquer que seja a língua) não o grafou em itálico: Solidarność. Na imprensa portuguesa, tem dias, como tudo: «O mesmo acontece com o Presidente republicano Ronald Reagan, o líder político ocidental que mais veementemente apoiou Lech Walesa e o Solidarnosc, na década de 1980» («Bom ano», João Carlos Espada, Público, 30.12.2013, p. 44). O mesmo cronista, menos de dois meses depois: «Não menos decisivo foi certamente o movimento Solidarnosc, na Polónia católica, que no início da década de 1980 abriu o caminho que culminaria na queda do muro de Berlim, em 1989» («1974-2014: a era das transições democráticas», João Carlos Espada, Público, 17.02.2014, p. 45).

 

[Texto 4278]

Helder Guégués às 23:30 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Órgãos parenquimatosos»

É isso mesmo

 

 

  Toda a gente já terá ouvido, alguma vez, falar em órgãos parenquimatosos, e até saberá que o cérebro, o fígado e a próstata são alguns desses órgãos. «Parenquimatoso» está em todos os dicionários, mas é mero passaporte para irmos para o verbete «parênquima». E não ficamos propriamente elucidados. Os órgãos parenquimatosos são constituídos por tecidos mais ou menos compactos e não apresentam nenhuma superfície interna acessível a exame endoscópico (ao contrário dos órgãos, digamos, «ocos», como o tubo digestivo ou a bexiga, por exemplo). Não seria bom que os dicionários dissessem, por estas ou por outras palavras, isto mesmo?

 

[Texto 4277]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Célula-mãe», mas «gânglio sentinela»?

Que mal pergunte

 

 

      Só um apontamento (não quero incomodar): se se escreve «gânglio sentinela», porque se escreve «célula-mãe»? E parece que não se está a copiar o inglês, em que é, respectivamente, sentry ganglion e mother cell. Mistérios.

 

[Texto 4276]

Helder Guégués às 20:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «gastroesofágico»

Quem diria

 

 

      «Refluxo gastro-esofágico», escreve o Sr. Dr. *** (e os acólitos não se atreveram a corrigi-lo). Nada disso. O elemento gastro- liga-se sem hífen ao termo que se lhe segue: gastroesofágico. Por vezes, até os jornalistas sabem mais: «A doença rara de Martim só foi descoberta porque um dos sintomas — refluxo gastroesofágico — se manifestou» («Já ouviu falar em síndrome de Cornélia de Lange? A vida de Martim gira à volta dele», Rita Araújo, Público, 29.02.2012, p. 28).

 

[Texto 4275]

Helder Guégués às 16:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Um Audi, dois Audis...

E por aí fora

 

 

      «Os 54 automóveis Audi que vão ser distribuídos no sorteio Factura da Sorte vão custar ao Estado um total a rondar 1,55 milhões de euros. Em 2014, porém, como o ano já está em curso, serão feitos apenas 39 sorteios ordinários (um por semana) e dois sorteios extraordinários (um em Junho e outro em Dezembro, nos quais será atribuído ao vencedor um carro de gama mais alta) – isto significará um desembolso próximo de 1,18 milhões de euros» («Audi do sorteio do fisco custam 1,55 milhões», João Pedro Pereira, Público, 26.03.2014, p. 28).

     «Audi custam»?! «Cá fora, no parque de estacionamento, respirando dinheiro, podiam ver-se BMWs [sic], Audis e Rovers» (Os Grandes Patrões da Indústria Portuguesa, Maria Filomena Mónica. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1990, p. 58).

 

[Texto 4274]

Helder Guégués às 08:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Mar 14

Tudo menos português

Soa mal

 

      Uma ilustradora de Coimbra, Catarina Sobral, é a única representante portuguesa na edição deste ano da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha, em Itália. Sobre o terceiro livro, disse: «Fala de um avô muito específico [sic], que é uma personagem, um bon vivant, que sabe aproveitar o tempo e tem várias actividades quotidianas muito dandy e, por outro lado, fala de um vizinho dele, o Dr. Sebastião, que faz um contraponto das actividades quotidianas do avô, portanto, são sempre actividades paralelas e, por outro lado, antagónicas» (in Jornal da Tarde, 25.03.2014).

      Soa mal, é claro. Dândi como adjectivo? Também temos: «Aqueles que, pensando no vigor racionalista, na sensualidade cálida e nas atitudes dândis do Escritor, buscam, por exemplo, na moda do “byronismo”, associada à expressão dos sentimentos tristes do exílio […]» (A Formação de Almeida Garrett. Experiência e Criação, Vol. 2, Ofélia Milheiro Paiva Caldas Monteiro. Coimbra: Centro de Estudos Românicos, 1971, p. 133).

 

[Texto 4273]

Helder Guégués às 07:12 | comentar | favorito