27
Mar 14

Anda bem que me pergunta

Muito sucintamente

 

 

      «Porque é que o fizeram? Aqui chegamos à questão crucial. Porque acreditam naquilo que o clube euro-Atlântico é suposto representar: a liberdade sob a lei. Essa paixão pela liberdade existe, ou emerge, imprevisivelmente, no coração de muitas pessoas. Não é produto do desígnio de nenhum governo, nem é controlável por nenhum governo. Desde a Grécia antiga que emerge onde menos se espera, em povos diferentes, culturas diferentes, latitudes diferentes» («A paixão da liberdade», João Carlos Espada, Público, 10.03.2014, p. 45).

     Tudo coisas, e em especial aquele tremendo anglicismo sintáctico «ser suposto», que se hão-de pegar mais em quem lida diariamente com outras línguas, o que nunca servirá, ainda assim, de desculpa.

 

[Texto 4283] 

Helder Guégués às 20:38 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Abreviatura de «senhor»

Tão novo?

 

 

      «Esta é uma pergunta vital a que nem o sr. Putin saberá responder. Talvez a sua resposta seja hoje relativamente comedida. Mas, em bom rigor, a resposta não depende só dele. A resposta, também em bom rigor, não é dada hoje, nem amanhã, nem numa data precisa. A resposta da Rússia relativamente à definição dos limites das suas ambições evoluirá de acordo com as circunstâncias — e será em grande parte definida por interacção com as circunstâncias, sobretudo em interacção com o tipo de resposta que encontrar por parte do clube euro-atlântico» («A paixão da liberdade», João Carlos Espada, Público, 10.03.2014, p. 45).

      Quando se usa a forma abreviada de «senhor», o que apenas se deve fazer se é seguida de nome próprio, a inicial é maiúscula. Deve ter desaprendido com Vasco Pulido Valente. Para quem pertence, nas palavras de A. P. P., à «verdadeira geração bem preparada», não está nada bem. E não vou dizer, caro A. P. P., como Álvaro de Campos: «Contradigo-me? Pois bem, contradigo-me, contenho multidões.» Porque não há contradição nenhuma.

 

[Texto 4282]

Helder Guégués às 20:15 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Escreve-se «predefinido»

Fuga, de certeza

 

 

      Esta era matéria comezinha para o Twitter, mas fica aqui. Não passa um mês que não veja escrito «pré-definido». Ora, está errado, porque o particípio passado do verbo «predefinir» só pode ser predefinido. Até o velho Bluteau, um rapaz que se fosse vivo teria agora 376 anos, sabia isto. Os doutores do século XXI, e em especial a «geração mais bem preparada de sempre», nunca pensaram no caso. Fuga de cérebros. Que exagero.

 

[Texto 4281]

Helder Guégués às 16:19 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «palete»

Tudo do francês, afinal

 

 

      «Mientras, los accesos a la Universidad Autónoma están cerrados. La policía ha retirado varios palés colocados en las vías de tren de la estación de cercanías de Cantoblanco. En Vicálvaro, los agentes han desmontado barricadas colocadas en la Universidad Rey Juan Carlos» (in El País).

      Palé. «Plataforma de tablas para almacenar y transportar mercancías.» É a nossa palete. O dicionário da Real Academia Espanhola regista (apenas desde 2002) como étimo o francês palée, o que é mais do que duvidoso. São coisas diferentes. Vejam o que se lê no verbete «palée» no Dicionário de Francês-Português da Porto Editora: «estacada; estacaria». Até recentemente, nem todos os dicionários da língua portuguesa registavam o termo, que quase de certeza recebemos do inglês pallet; este, por sua vez, vem do francês palette.

 

[Texto 4280]

Helder Guégués às 15:34 | comentar | favorito
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27
Mar 14

Rústicos, pois

Lapso, ou não

 

 

      «Na fala de rústicos e de crianças», escreveu José Leite de Vasconcelos a propósito de «sovino». Pois agora mesmo (às 11h03) Júlia Pinheiro, no programa Queridas Manhãs, da SIC, estava a entrevistar o empresário Miguel Pina Martins, e, de dedo em riste, perguntou-lhe: «O meu amigo é sovino?»

 

[Texto 4279]

Helder Guégués às 11:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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