04
Abr 14

«Deque»

Que comece por aqui

 

 

    Talvez os meus caros leitores não saibam, mas, apesar de não precisarmos do inglês deck, bem podiam contemporizar com o aportuguesamento da palavra. Ficaríamos amigos. Olhem, há quem o faça (e não será por isso que só tem dezenas de teses de doutoramento que tomam o conjunto das suas obras como tema): «À direita do navio onde agora se agita uma bandeira grega, há um barco mais pequeno onde um homem lava o deque com uma escova e sabão» (A Árvore das Palavras, Teolinda Gersão. Lisboa: Sextante Editora, 2008, 6.ª ed., p. 82). E porque é que isto fez logo saltar de um esconso do meu cérebro a expressão peregrinatio ad loca infecta, porque será? Marinha, Jorge de Sena. Será? Ainda desenlaço aqui a minha memória num perequiano je me souviens e só paro amanhã. Ná. Estou a trabalhar.

 

[Texto 4330]

Helder Guégués às 21:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Garantia de qualidade

Outras línguas

 

 

      Uma personagem da obra A Árvore das Palavras, de Teolinda Gersão, raras vezes vai à cabeleireira do bairro, prefere pintar o cabelo de loiro-cendrado em casa. Na drogaria da esquina, compra Color Shampoo Palette. «O resultado deixa-a satisfeita, como aliás ela esperava – as palavras estrangeiras na embalagem do produto parecem-lhe garantia de qualidade, dada a admiração incondicional que demonstra pelas outras línguas, de que não entende mais do que palavras soltas» (Lisboa: Sextante Editora, 2008, 6.ª ed., p. 60).

 

[Texto 4329]

Helder Guégués às 20:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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04
Abr 14

Era o Faroeste

É uma pena

 

 

      Nas portas de um centro comercial, em Benfica, vi hoje o que nunca vira: um cartaz com um fotograma em picado, claramente de uma câmara de vigilância, de um homem a caminhar e as palavras «procura-se»; e, por baixo, «recompensa: € 50.000» (não precisa do ponto, mas, ainda que me repugne, estou a ser fiel). Isabel Jonet aconselharia agora que todos os desocupados deixassem as redes sociais e se pusessem à procura deste homem. A mim, tudo isto me fez lembrar apenas o Faroeste — palavra que encontrei agora mesmo numa obra de Teolinda Gersão —, sim Faroeste, não escrevam far-west. Para quê?

     (Ah, sim, já recebi mensagens de leitores a queixarem-se de que aparece a mensagem «commentários fechados». Com dois mm, o que me afronta. Mas não é disso que se queixam, suponho. Espero que não sejam manipulações da omnipotente NSA. Já liguei, entretanto, para a Sapo.)

 

[Texto 4328]

Helder Guégués às 11:47 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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