05
Abr 14

Ortografia: «papaieira»

O fruto, a doença, a cegueira

 

 

    Se as caixas de comentários já estivessem activadas («houve manipulação indevida do CCS», dizem-me, e, rai’s partam, nunca nos entregam a mensagem toda em português), não vos incomodava tanto. Para dizer apenas que não se escreve, e menos seis vezes, «papaeira» quando nos queremos referir à planta tropical que produz as papaias. Em que sítio fora do mundo (e repito a fórmula para não perder mais tempo) de papaia + eira se chegava a «papaeira», não me querem dizer? Como o deixam, «papaeira», parece o nome doente de uma doença. Papeira.

 

[Texto 4335]

Helder Guégués às 13:55 | comentar | favorito
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Ortografia: «estrelícia»

Ala

 

 

      Em António Lobo Antunes também há «esterlícias», que eu já as vi. Rapaziada, ainda nunca viram esta flor, confessem lá. Nem o que registam os dicionários. Em que sítio fora do mundo de estrela + ícia se chegava a «esterlícia», digam lá?

 

[Texto 4334]

Helder Guégués às 12:53 | comentar | favorito
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Ortografia: «brócolos»

Não mexam

 

 

      Num livro qualquer, de que já esqueci o título: «bróculos, bróculos, bróculos». Ora (posso dizê-lo?) porra, se um revisor não corrige uma coisa destas, que corrige afinal? Na pontuação destrambelhada e caprichosa não mexem, à sintaxe erram a ortoépia (nota: reler três vezes, para completa assimilação do sentido), o que não será somente explicável pelo temor reverencial. Apetece parafrasear a exclamação do Marocas, da obra O Que Diz Molero, foda-se, foda-se, não mexam na língua!

 

[Texto 4333]

Helder Guégués às 08:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «fotolivro»

Mais específico, talvez?

 

 

      «A longa sequência de mais de cem fotografias começa com uma imagem óbvia nas inaugurações: uma cerimónia de corta-fita, onde o general Óscar Carmona, de farda alva, se destaca com a tesoura na mão. E a fita cai. Mas a partir daqui pouco parece encaixar muito bem no Álbum Comemorativo da Exposição-Feira de Angola, certame que se realizou em 1938, em Luanda. Como aliás toda história (ou a falta dela) desta obra esquecida e muito pouco estudada, que é um dos mais surpreendentes e notáveis fotolivros realizados em Portugal na primeira metade do século XX» («Luanda, 1938, O cerco à sala de aula», Sérgio B. Gomes, Público, 5.04.2014, p. 26).

      Lê-se de quando em quando na imprensa, mas poucas vezes, e ainda não chegou aos dicionários. Mas em inglês também existe photobook. Curiosamente, nem o próprio título – Álbum Comemorativo da Exposição-Feira de Angola – nem o texto do jornalista prescindem do termo «álbum» para designar este tipo de publicação. Mais específico ou, afinal e a avaliar pelos indícios, desnecessário?

 

[Texto 4332]

Helder Guégués às 07:21 | comentar | favorito
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05
Abr 14

Carradas, arrobas

Mas não de razão

 

 

      «Eu sei que no Conselho Científico da EPIS estão quatro ex-ministr@s da Educação, três d@s quais cumpriram o seu mandato até ao fim, bem como o estudo 
é coordenado por outro ex-ministro […] Encontraram esses docentes em tal retrato de salas de aula anárquicas, povoadas por alunos irresponsáveis, provocadores e desinteressados das aprendizagens 
e por professor@s (embora os relatos sejam todos no feminino) desanimad@s e incapazes de manter alguma ordem, um reflexo que consideram algo fiel do seu próprio quotidiano de desânimo e desespero» («O cerco à sala de aula», Paulo Guinote, Público, 5.04.2014, pp. 50-51).

      Até Paulo Guinote já cedeu a isto. Bem sei que não é o mesmo que dizer: «Até o P.e António Vieira cedeu a isto.» Ainda assim. Porque não é necessário, porque são factos da língua, convenções, não um conluio contra as mulheres. Todos os leitores sabem, e os que não sabem podem comprová-lo, que tivemos ministras e ministros da Educação. Homens e mulheres. Só espero que não passe, como tantas outras, de uma moda. Uma coisa me deixa tranquilo: o provável, e porventura inevitável, reconhecimento, nos ordenamentos jurídicos de vários países, do «género neutro» ou «terceiro género», como ainda anteontem se podia ler no Público, pelo menos na língua portuguesa não vai ter reflexos. O género neutro, que no latim e no grego era uma herança do indo-europeu, semanticamente era indistinguível do masculino e a diferenciação formal, lembro-me dos escorreganços nas aulas de Latim, era mínima. No decurso do tempo, tirando uns vestígios nas línguas novilatinas, o género neutro foi reconduzido ao masculino. Vamos agora complicar tudo de novo? Só porque sim?

 

[Texto 4331]

Helder Guégués às 05:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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