06
Abr 14

Ortografia: «extraconcurso»

Mais um esforço

 

 

   Na versão em linha do Dicionário de Português-Inglês da Porto Editora, podemos encontrar o equivalente para «extraconcurso», outside the competition. Contudo, erro frequente para que tenho vindo a chamar a atenção, o Dicionário da Língua Portuguesa da mesma editora não acolhe «extraconcurso», embora já se encontre no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. É desejável e possível harmonizar tudo isto, sobretudo num tempo em que os meios técnicos não faltam. Não o fazer é contribuir para se encontrar ainda mais vezes as outras únicas duas formas — e ambas erradas — de o escrever: «extra-concurso» e «extra concurso».

 

[Texto 4338]

Helder Guégués às 09:23 | comentar | favorito

Um «estupro» mais fácil

Um critério que não se compreende

 

 

      Mais um estudo, mais um erro. Agora, no Brasil. «Um estudo que chocou o Brasil afinal estava errado. O IPEA (Instituto de Pesquisa Económica Aplicada), uma fundação vinculada à Presidência da República, revelou que são 26% (e não 65%) os brasileiros que consideram que as “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”» («Havia um erro em estudo de mulheres e violência», J.G.H. e H.D.S., Público, 6.04.2014, p. 26). Parecia um inquérito feito a homens indianos e, por associação de ideias, lembro-me da confusão, de que já dei conta no Assim Mesmo, que se encontra em traduções, entre «índio» e «indiano». Há de tudo, neste mundo vário e multiforme. Termina assim o artigo: «Apesar dos erros na divulgação de alguns resultados, o IPEA realça que 58,5% dos entrevistados concordam “com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros [violações]”.» Os jornalistas recearam que os pobres leitores — do Público, não da revista Maria — desconhecessem o vocábulo «estupro». Termos realmente mais desconhecidos, ou técnicos ou estrangeirismos, ficam por explicar.

 

[Texto 4337]

Helder Guégués às 08:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Abr 14

«Enquanto», e chega

Aliviem a língua

 

 

      Enquanto que. Quer seja influência do francês pendant que quer seja resultado de analogia com a locução conjuncional coordenativa adversativa «ao passo que», o certo é que soa mal – ou, convenho, soará mal a quem sabe que não é assim –, sobra uma palavra. Agora ouçam, enquanto eu falo. Experimentem a seguir juntar-lhe o «que». Outra vez. Vêem? É uma sobrecarga. Aliviem a língua.

 

[Texto 4336]

Helder Guégués às 08:03 | comentar | favorito
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