07
Abr 14

Como se fala por aí

Faz-me um like

 

 

      O que mais me impressionou nos últimos tempos foi ler no Público que o cantor Legendary Tigerman, num concerto no Lux, irritado com a conversa de alguns, disparou: «Quero levar-vos numa viagem, ou vêm ou põem-se no caralho.» Parece que depois se desculpou no Facebook, mas disto já não tenho a certeza, posso ter inventado eu. Agora é tudo mediado pelo Facebook. Ainda ontem (esta tu já sabes, T.) vi numa praia um fã a atravessar meio areal para se apropinquar, ofegante e humílimo canídeo, do seu ídolo, para balbuciar o seu pedido. «Hã? Faz-me um like, que eu depois sigo-te.» «Faz-me um like»!, como quem diz, sei lá, faz-me um... Como é que se diz? Pregadeira? Broche, é isso.

 

[Texto 4342]

Helder Guégués às 13:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Aportuguesamento: «uíja»

Porque isso facilita a possessão

 

 

      «Tabuleiro ouija», leio numa tradução. Ia jurar que os dicionários já registavam «uíja». Já usei esta grafia em várias revisões, e até agora ninguém morreu. O que mata é ler por todo o lado estas barbaridades: «Nunca use o tabuleiro de Ouija quando estiver doente, enfraquecido ou sobre o efeito de álcool, porque isso facilita a possessão.»

 

[Texto 4341]

Helder Guégués às 12:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Tradução: «procedural»

Porque é para todos entenderem

 

 

      «A democracia é o regime da regra,
como gostava de dizer o Presidente Mário Soares. E o debate de quarta-feira passada, promovido conjuntamente pelo IEP-UCP 
e pelo IPRI-UNL, foi muito esclarecedor nesta matéria. Mostrou como uma decisão procedural sobre regras — a eleição do 
PR por sufrágio directo e universal — foi decisiva para a transição democrática» («Democracia: o regime da regra», João Carlos Espada, Público, 7.04.2014, p. 45).

      Tem a certeza de que isso não tem concerto nem tradução, caro João Carlos Espada? Uma coisa é ampliar o âmbito semântico de um vocábulo que já temos, mas mesmo então é preciso ver caso a caso; outra, importar directamente um vocábulo estranho, sem semelhança com qualquer outro que tenhamos. Não se recomenda, tanto mais que é desnecessário. Não diz «procedimental» exactamente o mesmo?

 

[Texto 4340]

Helder Guégués às 12:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Abr 14

«Comandante-chefe»

E capaz de grandes acertos

 

 

      «Ficámos ainda a saber que, para os militares que queriam um regime de tipo ocidental, a decisão foi fundamental para um gradual regresso dos militares aos quartéis. Como sublinharam Rocha Vieira e Vieira Matias, só um Presidente eleito por sufrágio directo e universal poderia restabelecer, como comandante-chefe das Forças Armadas, a disciplina interna nas FA e a sua ordeira submissão ao poder civil eleito democraticamente» («Democracia: o regime da regra», João Carlos Espada, Público, 7.04.2014, p. 45).

      «Comandante Supremo das Forças Armadas», lê-se na Constituição. Mas sim, em português decente, comandante-chefe, e não, como leio até em tradutores de alto coturno (nem que peçam com jeitinho darei nomes), «comandante-em-chefe», galicismo completamente inútil. «En chef. En fonction de chef. Rédacteur, ingénieur, général en chef» (in TLFI). Sobre a abreviatura FA, ver aqui.

 

[Texto 4339]

Helder Guégués às 12:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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