09
Abr 14

Léxico: «Chanuca»

Um ḥănūkkāh português

 

 

      «Nunca íamos à bonita sinagoga de tijolo em Leopoldstadt, comíamos shnitzel em restaurantes que não eram kosher, festejávamos o Natal em vez do Hanuca [Chanukah] e orgulhávamo-nos de pertencer à nova classe de burgueses austríacos» (Uma Casa de Família, Natasha Solomons. Tradução de Elsa T.  S. Vieira. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 31).

    Está na hora de ser dicionarizado, o Chanuca (ou Chanucá) ou Festival das Luzes. (Também os hindus têm o seu Festival das Luzes, o Divali.)

 

[Texto 4355]

Helder Guégués às 23:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «small talk»

Mais conversa

 

 

      «Margot trocou palavras de circunstância [pleasantries] com Frau Roth, com Robert ao seu lado, desajeitado e incapaz de participar neste tipo de interações [incapable of small talk]» (Uma Casa de Família, Natasha Solomons. Tradução de Elsa T.  S. Vieira. Alfragide: Edições Asa II, 2013, p. 28).

   A formulação mais analítica é própria do português, decerto, mas o termo «interacção» (já o vimos aqui, adjectivado com «social», para traduzir simplesmente conversations) para verter small talk parece equívoco. Sendo assim, também podia traduzir-se por «mimetismo», e os leitores que adivinhassem porquê. Small talk é «tagarelice». Pouco fino? Talvez. «Conversa de circunstância» é talvez como mais vezes o vejo traduzido.

 

[Texto 4354]

Helder Guégués às 22:28 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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Açaflor, nêveda, marrolho

Esquecível

 

 

      «São vegetais dos Açores, alguns esquecidos, mas que a partir de hoje chegam ao mercado servidos num prato gourmet: açaflor, nêveda ou marrolho. Faça o favor de se servir destes legumes» (Cláudia Costa, Portugal em Directo, Antena 1, 9.04.204).

    Apesar de ter o lido e ouvido ser pronunciado correctamente, houve silabada repetida da jornalista (que confessou que tinham «nomes esquisitos») no vocábulo «nêveda». O marrolho é o nome que a erva-virgem tem nos Açores. Não está registado em nenhum dicionário que eu conheça, apenas uma variante, «marroio». Quanto a «vegetais», já muito disse neste blogue. Na Loja dos Açores em Lisboa, na Elias Garcia, onde foram apresentados, havia um cartaz em que se podia ler «forgotten vegetables». Não me esqueço de nada.

 

[Texto 4353]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «eartip»

E fica bem

 

 

     A personagem teve de ir comprar um estetoscópio. Queria o melhor: Littmann. Com algumas peças sobresselentes (!): dois pares de eartips. «Fones», lê-se na tradução. Em Espanha, dão-lhes o nome quase poético de olivas; no Brasil, diz-se que também. É o que parecem, azeitonas. Vejam aqui. Cá não sei que nome têm, mas não me parece mal que se adopte a designação usada no Brasil.

 

[Texto 4352]

Helder Guégués às 15:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Sobre «preparo»

Mas parece que não

 

 

      «O cronista explicou ainda na mesma entrevista que não fala com Pinto da Costa há vários anos e não coloca a hipótese de vir a falar com o presidente do FC Porto sobre este processo. “Não [admito essa possibilidade]. Como a indemnização é muito alta, implica desde logo o pagamento de uma elevada quantia. Implica, além dos honorários do advogado, desde logo o pagamento de 1600 euros de preparo para a defesa”, esclareceu» («“Não sou da SAD do FC Porto”, diz Miguel Sousa Tavares», Tiago Pimentel, Público, 9.04.2014, p. 41).

   Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, preparo, nesta acepção de pagamentos exigidos a título de antecipação das custas de um processo, usa-se somente no plural. Não é, contudo, o que tenho ouvido e lido, e o mesmo, pelos vistos, dirá Miguel Sousa Tavares. Quanto à «colocação de hipóteses», já se disse aqui o suficiente.

 

[Texto 4351]

Helder Guégués às 13:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Plural de «rial»

Se é assim nas coisas básicas

 

 

      «Os rublos de Abramovich valeram mais do que os rials de Nasser al-Khelaifi e o Chelsea de José Mourinho afastou o Paris Saint-Germain de Laurent Blanc. Após a derrota no primeiro jogo, no Parque dos Príncipes, por 1-3, os ingleses venceram os franceses, em Stamford Bridge, por 2-0. Os golos que apuraram Mourinho para as meias-finais da Liga dos Campeões foram apontados por André Schürrle e Demba Ba, dois jogadores que saíram do banco de suplentes» («Os rublos do Chelsea valeram mais do que os rials do Paris Saint-Germain», David Andrade, Público, 9.04.2014, p. 22).

     Rials... Talvez a minha filha fizesse assim o plural de «rial». Mas a comparação é desfavorável ao jornalista, porque a minha filha tem apenas 7 anos.

     «O príncipe estabelecera um limite de 25 000 riais sauditas como o máximo que os pais da noiva podiam pedir ao noivo pela mão da filha» (A Vida Secreta das Princesas Árabes, Jean Sasson. Tradução de Lídia Geer. Alfragide: Asa II, 2012, 2.ª ed., p. 165).

 

[Texto 4350] 

Helder Guégués às 08:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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09
Abr 14

Cifrão e euro

Ainda não

 

 

      «Pondo cifrões sobre esta inédita operação internacional, a Reuters calcula que só Austrália, China, Estados Unidos e Vietname — quatro dos 26 países envolvidos nas buscas — já gastaram 32 milhões de euros, tanto quanto os gastos da operação para a recuperação das caixas negras do avião da Air France que em 2009 se despenhou no Atlântico. E, tal como então, os custos reais terão sido três ou quatro vezes superiores do que o anunciado, sendo provável que o saldo final desta operação atinja as centenas de milhões de euros» («Buscas no Índico tentam captar novos sinais antes de envio de submergível», Ana Fonseca Pereira, Público, 13.03.2014, p. 22).

    O termo «cifrão» remete-nos directamente para o escudo. O artigo, contudo, refere o valor em euros, moeda que não é indicada por aquele sinal. É indicada por outro que, é esse o problema, não tem sequer nome. Ainda não. Quanto aos dicionários, também é preciso corrigir. Lê-se no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que cifrão é o «sinal ($) que, no antigo sistema monetário português, se colocava à direita do algarismo que representava os escudos». Não é apenas isso. José Pedro Machado, no seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa, diz que é o «sinal ($) que indica o valor em escudos, cruzeiros, dólares, etc.».

 

[Texto 4349]

Helder Guégués às 07:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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