18
Abr 14

«Bisturi/escalpelo»

Pode parecer

 

 

      E agora, pour finir en beauté, coisas em francês. Se o autor quisesse usar bistouri, tê-lo-ia feito; se usou scalpel, talvez o tradutor o tenha de seguir. Escalpelo e bisturi são apenas parcialmente sinónimos (ver este texto de Joffre de Rezende), e não me parece que o tradutor tenha necessidade de divergir. Ou será porque suspeita que o leitor não sabe do que se trata ou tem preguiça de consultar um dicionário? Não me parece uma boa razão.

 

[Texto 4422]

Helder Guégués às 21:40 | comentar | favorito
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Uma TAC, duas TAC

A quatro mãos

 

 

      «As peças do British Museum foram submetidas a TACs em hospitais de Londres, como quaisquer doentes vivos, ainda que tenha havido o cuidado de se fazer os exames de madrugada, não fosse algum doente cardíaco apanhar com uma múmia pela frente ao virar uma esquina» («Múmia cantora é cabeça de cartaz em exposição do British Museum», Luís Miguel Queirós, Público, 18.04.2014, p. 28).

  Cada cabeça, sua (má) sentença. No subtítulo, está assim: «Oito múmias da colecção do museu britânico [sic] foram submetidas a TAC’s e revelaram segredos: uma tinha uma ferramenta partida no crânio, outra sofria de abcessos, e a mais recente tatuara na coxa um nome».

 

[Texto 4421]

Helder Guégués às 09:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Enérgico/energético»

Tem energia, sim

 

 

    «Mas é já enquanto estudante universitário, em Bogotá, que descobre um autor que o influenciará decisivamente: Franz Kafka. Uma afinidade inesperada, já que nada parece aproximar o angustiado judeu checo do energético e bem humorado [sic] colombiano» («O contador de histórias que inventou o realismo mágico», Luís Miguel Queirós, Público, 18.04.2014, p. 2).

   Nunca uso «energético» quando quero dizer que alguém tem energia, é activo, dinâmico — uso «enérgico». Mas, claro, García Márquez era «a jaunty, energetic man».

 

[Texto 4420]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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18
Abr 14

«Mandato/mandado»

Nem queremos acreditar

 

 

      «Sob a tutela, e com a colaboração, do PC e da extrema-esquerda, o MFA descolonizou, nacionalizou, ajudou a ocupar a terra no Alentejo e no Ribatejo, “saneou”, onde o deixaram, personagens que não lhe pareciam, e às vezes não eram, de confiança, censurou a imprensa 
e a televisão, prendeu a torto 
e a direito, sem processo ou mandato, e acabou com uma campanha que se destinava 
a desprestigiar e a suprimir a Assembleia Constituinte» («Legitimidades», Vasco Pulido Valente, Público, 18.04.2014, p. 52).

      Para ter legitimidade para o fazer, o MFA precisava de um mandato ou de um mandado? O contexto parece-me claro, como clara me parece a confusão: «prendeu a torto 
e a direito, sem processo ou mandado [judicial]». Porque foi isso que aconteceu.

 

[Texto 4419]

 

Helder Guégués às 08:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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