20
Abr 14

Amores e desamores. Porque sim

À papo-seco

 

 

      E não apenas: também detesto a grafia «xixi». Como detesto ver, numa tradução do francês, uma personagem ter sucessivos coups de foudre. Só quando é desgraça imprevista, como na fábula do urso e dos dois companheiros (ou camaradas, como traduziu Francisco Manuel do Nascimento), vertem para «raio». Também, era o que faltava. «Trouvent l’Ours, qui s’avance, et vient vers eux au trot./Voilà mes gens frappés comme d’un coup de foudre.»

 

[Texto 4436]

Helder Guégués às 21:27 | comentar | favorito | partilhar
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«Endorsed, infected»...

To whom it may interest

 

 

      Parece-me que o vocábulo inglês endorsed está a ser tão bem traduzido como o infected, que já aqui vimos mais de uma vez. Vejam lá isso, se faz favor.

 

[Texto 4435]

Helder Guégués às 17:44 | comentar | favorito | partilhar
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Tradução: «médico residente»

Mais médicos

 

 

     Não temos «urgentistas» nem, ao que me parece, «médicos residentes», ao contrário do que leio numa tradução. Em Espanha, é o «médico que, para su especialización, y de acuerdo con ciertas reglamentaciones, presta sus servicios con exclusividad en un centro hospitalario», que não é, obviamente, o nosso interno, pois este é o que está a fazer o internato geral ou o internato complementar da especialidade. Médico efectivo ou médico titular?

  

[Texto 4434]

Helder Guégués às 17:06 | comentar | ver comentários (7) | favorito | partilhar
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Hebraísmos

Vamos ler

 

 

   «Na nota prévia deste ensaio [Nova Visão sobre ‘Hebraísmos’ na Língua Portuguesa. Lisboa: Chiado Editora, 2014] de 213 páginas, o autor [Pedro da Silva Germano] considera que a maior parte das palavras e expressões portuguesas que não se encontram em todas as línguas românicas, em particular no francês e no castelhano, “serão quase sempre explicáveis por qualquer relação com uma língua semita, oriental”, apesar de alertar que esta pesquisa estará “sempre incompleta”.

      O autor, que também rejeita a “panaceia explicativa” da origem “quase só latina do Português”, salienta ainda que com os judeus sefarditas “aprendemos a relacionar e decifrar termos, conceitos e hábitos culturais, incluindo a compreensão de alguns hebraísmos por eles identificados como tal”» («Influência da cultura hebraica na língua portuguesa em ensaio», Diário de Notícias, 19.04.2014, p. 15).

      E as aspas em «hebraísmo»? Bem, o livro «tem por “objetivo apresentar alguns ângulos de visão do que pode ser o hebraísmo. Não é uma noção estrita nem limitada do que é o hebraísmo. Essa é a visão oficial”, referiu à Lusa o autor». Vem-nos logo à mente o aviso: «Não negue à partida uma ciência que desconhece.»

 

                                                                                                                     [Texto 4433]

Helder Guégués às 14:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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Plural do nome das vogais

Primeiro caderno

 

 

   No princípio de Março, a minha filha veio contar-me que tinha aprendido o plural do nome das vogais, as, es, is, os, us, e que um colega levara a professora ao desespero porque — por dislexia ou brincadeira levada ao extremo — lia repetidamente ao contrário. Agora leio numa tradução: «com as linhas dos g e dos y emaranhadas umas nas outras», quando no original está «the gs and ys». Qual a dúvida?

 

[Texto 4432]

Helder Guégués às 12:14 | comentar | ver comentários (5) | favorito | partilhar
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«Guarda Costeira»

Olha se fosse um romance

 

 

      «Os primeiros corpos de vítimas do naufrágio foram ontem retirados do ferry, quase quatro dias depois do acidente com o navio que levava 476 pessoas a bordo, anunciou a guarda costeira sul-coreana. “Os mergulhadores entraram no navio através da janela de uma das cabines dos passageiros pouco antes da meia-noite de hoje [hora local] e retiraram três corpos”, disse um responsável da Guarda Costeira citado pela agência France-Presse» («Buscas poderão durar dois meses, mas sem esperanças», Diário de Notícias, 20.04.2014, p. 30).

      Como é que, em tão escassas linhas, o jornalista (ninguém, na verdade) não reparou na desconformidade?

 

[Texto 4431]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | favorito | partilhar
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Ortografia: «terceiro-oficial»

Mas é o que significa

 

 

       «Era o terceiro oficial que estava ao comando do navio Sewol, quando este começou a afundar-se durante a ligação entre Incheon, Oeste de Seul, e a ilha turística de Jeju, Sudoeste. O promotor Yang Jung-jin revelou que o piloto, de 25 anos, estava a navegar aquelas águas pela primeira vez e viu a sua tarefa dificultada pelo nevoeiro e pelas rápidas correntes» («Comandante pediu aos passageiros para não saltar», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 20.04.2014, p. 30).

      Por analogia com outros vocábulos compostos semelhantes, só pode ser «terceiro-oficial». E lá está o «promotor», porque os jornalistas estão completamente imbuídos de inglês. E, por fim, reparem no título: «Comandante pediu aos passageiros para não saltar». Ou seja, o comandante pediu autorização aos passageiros para não saltar, decerto para os ajudar. É assim, cara Maria João Caetano?

 

[Texto 4430]

Helder Guégués às 10:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar

«Motoquatro/moto-quatro/moto quatro»?

Não pode ser

 

 

      «Nesse mesmo ano, cinco bombeiros voluntários de Setúbal acusaram o antigo líder benfiquista de os ter impedido de entrar na sua propriedade, em Azeitão, para apagarem um incêndio. Os bombeiros terão sido insultados por Vilarinho que ainda os terá tentado atropelar com uma motoquatro» («Manuel Vilarinho foi detido em operação stop», Luís Fontes, Diário de Notícias, 20.04.2014, p. 23).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora grafa — rais parta — «moto quatro». O plural, confirmamo-lo no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, é «moto quatros». Haja paciência! Quer dizer, fica invariável a palavra variável e varia a palavra invariável, é isso? Ou será com hífen, «moto-quatro», ou mesmo aglutinado, «motoquatro».

 

[Texto 4429]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
20
Abr 14

Tradução: «urgentiste»

Procurar o que há

 

 

      «Le médecin urgentiste est suspecté d’avoir procédé, etc.» O tradutor verteu assim: «O urgentista é suspeito de ter procedido, etc.» No Brasil, usa-se; nós, não. É claro que bastava traduzir por «médico» ou «médico das urgências». Como em italiano se dirá «medico d’urgenza» ou «medico d’emergenza» e em inglês «emergency department physician». Não temos, não temos. Traduzir não é sempre esse decantado ofício de criar.

 

[Texto 4428]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | ver comentários (10) | favorito | partilhar
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