25
Abr 14

Tradução: «deflect»

Ficção científica

 

 

      Agora que já mostraste, linda menina, que conheces o verbo «deflectir», podes voltar a traduzir to deflect como se costuma fazer. Isso de deflectir tudo, a história que se ia contar, os sarcasmos dos outros... Costuma aparecer na ficção científica, em que alguém tudo faz (e tem o meu fervoroso apoio) para deflectir um asteróide desgovernado e assassino que está em rota de colisão com a Terra.

 

[Texto 4465]

Helder Guégués às 23:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Tradução: «cheerleader»

Ou artes circenses

 

 

     Ontem, a minha filha veio dizer-me que quer ser claquista. «É claquista que se diz, papá?» Deve ser por causa dos pompons... Lembrei-me então que já tenho visto cheerleader, «chefe de claque», por traduzir. Enfim, mais uma. (Esta tarde, durante a primeira viagem de comboio que fez, viu este vídeo da Sequin, Ana Miró, e já quer ser teclista. Música electrónica. O que me espera...)

 

[Texto 4464]

Helder Guégués às 23:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Sobre «bitaite»

Mito?

 

 

   Morreu, lê-se na edição em linha do Público, o Professor Bitaites, Hernâni Gonçalves, antigo preparador físico da selecção portuguesa de futebol, do FC Porto e do Boavista. «O termo “bitaite”», garante aquele jornal, «foi inventado pelo próprio, que costumava dizer aos amigos: “vou escrever o meu bitaite”, referindo-se a uma crónica que tinha no Jornal de NotíciasBitaite, a opinião pouco reflectida ou palpite geralmente sem fundamento, é corruptela de «bitate», que é de origem obscura e, ao que creio, com primeira abonação apenas no século XX. E isto é que é curioso: habitualmente, das corruptelas é que desconhecemos o autor.

 

[Texto 4463] 

Helder Guégués às 21:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Lapsos e nazis

É o trabalho que me cura

 

 

      Nietzsche, revelou o germanista francês Charles Andler, pensava com frequência em latim, e poderia ter intitulado o seu livro Humana, nimis humana. Isto a propósito de o título Menschliches, Allzumenschliches andar muitas vezes mal traduzido em várias línguas.

   E por falar em alemães. Não voltes a dizer que o trabalho liberta, olha a ressonância nazi. Diz antes, como o Tasso de Goethe, que o trabalho cura: «Mein Fürst, so scheint es; doch, ich bin gesund,/Wenn ich mich meinem Fleiss ergeben kann,/Und so macht wieder mich der Fleiss gesund.»

 

[Texto 4462]

Helder Guégués às 13:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Tradução: «for someone’s benefit»

Quase grandiloquente

 

 

      Tinha dois interlocutores à sua frente (Mark e Eva, vamos supor) e, referindo-se ao marido, dizia que ele não costumava sair à noite. Mark sabia disto, mas não Eva, e por isso ela explicou for Eva’s benefit. «Em prol de Eva», verteu o tradutor. Em prol de (a favor de, em defesa de) é locução prepositiva que não me convence aqui, parece contrafeito. Faz-me lembrar a tradução de «meaning it for the vicar». A solução podia ser a mesma: «e depois explicou, dirigindo-se a Eva».

 

[Texto 4461]

Helder Guégués às 11:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Tradução: «conflation»

Tem de ter nome específico

 

 

      O autor escreveu *conflacção, mas é, e só podia ser, «conflação». É o aportuguesamento, ainda não dicionarizado, mas já com algum uso (diferente, portanto, do houaissiano «obstrépero»), do vocábulo inglês conflation. Para o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, traduz-se por «reunião, junção, fusão». É um conceito muito interessante.

 

[Texto 4460]

Helder Guégués às 11:27 | comentar | ver comentários (2) | favorito
25
Abr 14

Léxico: «senfilista»

Ainda está nos dicionários

 

 

      «“Está lá? Ouve bem?” Estas foram as palavras proferidas por Fernando Gardelho de Medeiros a 24 de abril de 1914. Aluno de engenharia, fez aquela que é considerada a primeira transmissão radiofónica portuguesa. Segundo o próprio em declarações à revista Rádio Semanal, foi escutado por “três ou quatro senfilistas [pessoa especializada em telefonia sem fios]”. Um século depois, a rádio cumpre o seu papel, tendo até nos últimos anos aumentado a sua audiência com o aproveitamento das potencialidades das redes sociais» («Rádio faz cem anos em Portugal», Diário de Notícias, 25.04.2014, p. 17).

 

[Texto 4459]

Helder Guégués às 09:41 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: