28
Abr 14

Costa Amalfitana

Por analogia será

 

 

    «Nos dias anteriores tínhamos visitado Pompeia, percorrido a costa amalfitana, descansado em Sorrento. Trazíamos ainda nos olhos o esplendor de tudo isso; e, mesmo assim, vista  do mar, com a mole ondulante dos Apeninos ao fundo, Nápoles surgia, diante de nós, como um espectáculo incomparável de graça, de grandeza e de equilíbrio» (Discurso Directo: Crónicas, David Mourão-Ferreira. Lisboa: Guimarães Editores, 1969, p. 90). Mas, por analogia com Costa Vicentina (como li recentemente numa obra de Leite de Vasconcelos), ou Costa do Sol ou Costa da Prata, por exemplo, chegamos a Costa Amalfitana.

 

[Texto 4478]

Helder Guégués às 21:52 | comentar | favorito
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«Ao abrigo de», outra vez!

É preciso ver para acreditar

 

 

      «Está a ser preparado desde o último trimestre do ano passado, mas só a partir de 5 de maio é que vai chegar à RTP2 o programa [Livre Pensamento] de entrevistas que pretende ouvir os autores dos estudos elaborados ao abrigo da Fundação Francisco Manuel dos Santos» («Ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos chegam à RTP2», C. B., Diário de Notícias, p. 43).

  «Estudos elaborados ao abrigo»... É uma colecção de ensaios, que por acaso tem o nome «Ensaios da Fundação». Não são elaborados «ao abrigo da» FFMS; são publicados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

[Texto 4477]

Helder Guégués às 21:18 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Pérgula/pérgola»

A não ser que

 

 

   «“Pérgula” ou “pérgola”?», perguntou um consulente ao Ciberdúvidas. Respondeu o consultor C. M.: «O Dicionário da Porto Editora regist[r]a o termo pérgula, mas não traz pérgola. Diz que pérgula vem “do latim pergula-, varanda exterior”», tratando-se de “espécie de passeio com cobertura em forma de ramada decorativa” ou “terraço coberto”. Já o Dicionário Eletrônico Houaiss acolhe a palavra pérgola, embora nos remeta para pérgula, o que significa que este é o termo preferível; e considera que é uma “espécie de galeria coberta de barrotes espacejados assentados em pilares, ger. guarnecida de trepadeiras”.»

   Não significa nada, caro C. M. Isso era dantes. Infelizmente, essas remissões deixaram de ter, temo-lo comprovado aqui repetidas vezes, tal significado. E se o étimo for o italiano pergola, como também me parece provável?

 

[Texto 4476] 

Helder Guégués às 20:58 | comentar | favorito

«Os Burgueses»

Bom trabalho

 

 

      Quando vou a pé levar a minha filha ao colégio, passo algumas vezes em frente ao ateliê de moda Os Burgueses. Parece que, entretanto, foi à falência. Mas já apareceram outros: «O académico Francisco Louçã lançou ontem um desafio aos seus seguidores na rede social Facebook, remetendo os interessados para uma base de dados online sobre os 776 ministros e secretários de Estado que integraram os Governos constitucionais (1976-2014). [...] Em www.osburgueses.net, da autoria do próprio Louçã, João Teixeira Lopes e Jorge Costa, os internautas e investigadores têm acesso à informação curricular de cada membro dos 19 governos constitucionais, a que se pode chegar através da ligação “governos” ou da lista nominal dos “governantes”» («Louçã cria base de dados sobre os governantes», M. C. F., Diário de Notícias, p. 10).

 

[Texto 4475]

Helder Guégués às 16:55 | comentar | favorito
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Como se fala na doce Álbion

De cojones

 

 

      «O discurso [aqui] era sobre homens que tiram licença de paternidade e fazem tudo para conciliar o trabalho com a atenção aos filhos. “Têm mais cojones”, garantiu Miriam Clegg, que na verdade mantém o apelido González que já usava antes de ter casado com um tal de Nick, que hoje é o número dois do Governo britânico. A última palavra foi proferida em espanhol e não parece ter chocado os altos quadros da City que ouviam o vice-primeiro-ministro propor legislação a reforçar os direitos dos pais. O próprio Clegg, interrompido, riu-se, para logo acrescentar: “Concordo sempre contigo.” Aplausos gerais» («Os ‘cojones’ da mulher do ministro britânico», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 28.04.2014, p. 7).

   Ficavam chocados – se percebessem antes de lho explicarem. Levemente chocados ficamos nós quando comprovamos que a versão em linha do Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora não regista cojón. Aqueles têm-nos, mas não o sabem; estes sabem-no, mas não os têm.

 

[Texto 4474] 

Helder Guégués às 10:04 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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28
Abr 14

Léxico: «pópia»

Pópia, popias e panquecas

 

 

     Leio aqui, escreve-o um autor português, que um advogado calou, com muita pópia e alguns milhares de dólares, a indignação da vítima. (Não foi, em princípio, cá, um país decente.) Só para conhecermos o léxico precisavamos de uma vida. A sintaxe, de uma e meia. Pópia é, suspeito, termo caluanda (vá, vão lá ao dicionário); conhecia, isso sim, popia (que até posso ter sido eu a pôr em algum dicionário, já não me lembro). Quem é que, ouvindo uma vez a expressão «popia de espécie», a esquece? (No próximo fim-de-semana vou fazer, tive de o prometer à minha filha, bolos de frigideira – panquecas, se insistem –, com seiva de ácer. Queres vir com o teu evangelista, T. G.?)

 

[Texto 4473] 

Helder Guégués às 08:28 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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