30
Abr 14

«Autotransplante/alotransplante»

Tudo num dia

 

 

      «O autotransplante de medula óssea de Reynaldo Gianecchini realizado na quinta-feira, em São Paulo, foi bem-sucedido. “O procedimento ocorreu sem interferências e o paciente ficará internado para recuperar”, disse a equipa médica. Especialistas já afirmaram que o ator brasileiro pode voltar ao trabalho em junho» («Transplante em ator foi bem-sucedido», Diário de Notícias, 14.01.2012, p. 45).

   Por sugestão minha, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora já regista – ao contrário do que acontecia às 11h17 de hoje – o vocábulo «autotransplante». Curiosamente, aquele dicionário já registava «alotransplante», o transplante de órgãos ou de tecidos entre indivíduos da mesma espécie, mas geneticamente diferentes.

 

[Texto 4487]

Helder Guégués às 17:56 | comentar | favorito
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T de quase tudo

Apartamentos e tumores

 

 

      Quando ainda nem todos os falantes sabem sequer exactamente o que é aquele T dos apartamentos, T0, T1, T2, etc., eis que vem algo semelhante para os tumores. O tamanho do tumor e a sua relação com os tecidos vizinhos é subdividido em graus, de T0 (lesões não invasoras) a T4 (lesões muitíssimo invasoras). T de «tipologia», T de «tumor». Como também há, e têm de ser interpretadas em conjunto, uma escala para a metastização nos gânglios linfáticos, de N0 (sem metástases) a N3 (com metástases em gânglios afastados). Mas isso já é conversa para geneticistas clínicos.

 

[Texto 4486]

Helder Guégués às 17:54 | comentar | favorito
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Amálgama

O que será (à flor da pele)

 

 

      O bilinguismo é bom, sim, mas... Viviane, que gosto muito de ouvir, estava agora mesmo na Antena 1, porque tem um novo trabalho. «Eu senti bem à flor da pele o que é ser emigrante», desabafou. Uma amálgama de sentir na pele com (ter os nervos) à flor da pele. Nem de propósito: isto é conflação.

 

[Texto 4485]

Helder Guégués às 10:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Abr 14

Sobre «palangre»

Como sempre o conhecemos

 

 

      «A frota de pesca portuguesa está a ser subutilizada em relação às oportunidades de pesca, diz um relatório da Comissão Europeia, com dados de 2012. O relatório salienta, no caso de Portugal, haver indicadores técnicos que mostram uma utilização “relativamente baixa” dos navios de cerco, usados na pesca da sardinha e do carapau. Segundo os peritos de Bruxelas, para além de “muitas frotas apresentarem baixas taxas de utilização”, os navios entre os 10 e os 12 metros que usam artes de pesca ativa e passiva são “economicamente não lucrativos”. A pesca de palangre à linha e de dragas menores de 12 metros (para bivalves) também são tidas como não lucrativas» («Portugueses não sabem pescar», Diário de Notícias, 30.04.2014, p. 30).

   Portugueses não sabem pescar, jornalistas não sabem escrever – permanece tudo como sempre o conhecemos, graças a Deus. Vejamos: se palangre, que é castelhano, significa «cordel largo y grueso del cual penden a trechos unos ramales con anzuelos en sus extremos», faz algum sentido usar o castelhanismo?

 

[Texto 4484] 

Helder Guégués às 09:34 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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