07
Mai 14

Mais do que Shakespeare

Palavras, palavras, palavras

 

 

      «Sabe aqueles artistas que só falam sobre drogas, mulheres e dinheiro? Pois bem, foi elaborado um gráfico que compara 35 mil letras dos “rappers” mais conhecidos às primeiras cinco mil palavras das obras mais emblemáticas de Shakespeare, com o intuito de perceber quem utiliza um vocabulário mais vasto» («Os artistas de hip-hop com mais vocabulário que Shakespeare», Expresso Diário, 7.05.2014).

  O curioso é que em Londres há uma Hip-Hop Shakespeare Company, fundada por um tal Akala (ouçam-no aqui numa conferência TED). E por cá, o panorama será comparável? Sam The Kid, Boss AC, Mind da Gap, Da Weasel, Expensive Soul... Falta-nos é um Matt Daniels.

 

[Texto 4519]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Ficamos sem saber

Segunda colheita

 

 

    «Há dias, uma reportagem do Expresso assinada por Vera Lúcia Arreigoso abordou a forma como os país portugueses transferem a mariquice hipocondríaca para os filhos. [...] O nosso medo original é elevado ao cubo pela hipocondria dos outros país. [...] As creches são pressionadas para não manterem nas instalações uma criança com febre. Por dá-cá-aquela-palha, somos chamados à creche, porque a “menina tem um piquinho de febre”. […] Se sai com frequência para ir buscar a filha pseudo-doente a meio do dia, uma funcionária está a correr riscos» («38 de febre, ou o medo de ser mãe», Henrique Raposo, Expresso Diário, 7.05.2014).

      Revisão, nada. Eu diria «pressionadas a». «Por dá cá aquela palha», sem hífenes. «Pseudo-doente» é erro ortográfico igual ao de ontem, ou seja, não aprendemos com os erros. E mais – e pior –, ontem era segundo o Acordo Ortográfico de 1945, hoje, segundo o Acordo Ortográfico de 1990. Bem, talvez não se possa fazer semelhante afirmação: na crónica de ontem, só por uma palavra, «exacto», se sabia qual a ortografia; na crónica de hoje, também só por uma palavra, «afeta».

 

[Texto 4518]

Helder Guégués às 19:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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De pequenino...

... se torce (qualquer coisa)

 

 

  Só ouvi uns escassos minutos, nem cheguei a saber o nome do entrevistado. Era na Antena 1, depois das 2 da tarde, e sobre o Pirilampo Mágico. Às tantas, o entrevistado citou um provérbio ou o que ele julga que é tal, mas cuja origem afinal não se perde no tempo... «De pequenino se torce o destino.» Só que a frase é o título de um trabalho de Sérgio Godinho, datado de 1976. Sérgio Godinho é exímio neste uso humorístico de frases feitas, idiotismos, provérbios e coloquialismos, e se soubesse disto ficaria satisfeito. O pepino.

 

[Texto 4517]

Helder Guégués às 16:38 | comentar | favorito
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«Medida de afastamento»

Pode ser assim

 

 

   «Essa falha já deu origem a situações “aberrantes” como o juiz de Família e Menores decretar a visita do pai aos filhos em casa da mãe das crianças, isto quando o pai/agressor está sujeito à medida de afastamento da mulher no âmbito do processo-crime, como referiu ontem a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais» («58 agressores de mulheres internados por ordem judicial», Rute Coelho, Diário de Notícias, 6.05.2014, p. 44).

   Já tivemos oportunidade de tratar da tradução da expressão restraining order (aqui, aqui e aqui), e a única conclusão a que chegámos foi a de que não se pode traduzir por «ordem de restrição».

 

[Texto 4516] 

Helder Guégués às 08:16 | comentar | ver comentários (8) | favorito
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07
Mai 14

«Júri/jurado», de novo

Quem diria

 

 

      «Depois, há a componente multimédia, que é um fator importante. Ou seja, a possibilidade de os portugueses serem jurados (e não “júris” como, inexplicavelmente, a TVI espalhou em cartazes pelo País inteiro – será que não houve uma alminha em Queluz de Baixo a ser capaz de reparar no erro?) em sua própria casa é um isco tecnológico muito interessante e que a TVI (e a Media Capital Digital) tem sabido desenvolver e aproveitar» («APPanhem as estrelas», Nuno Azinheira, Diário de Notícias, 6.05.2014, p. 44).

      Não estamos habituados a ver jornalistas a corrigirem seja o que for, mas talvez isto esteja a mudar.

 

[Texto 4515]

Helder Guégués às 07:46 | comentar | favorito
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