08
Mai 14

Um «botânico» diferente

Já passava

 

 

      Se não tivesse deixado de ter dores de cabeça quando passei a não comer nenhum tipo de queijo (obrigado, Dr. Oliver Sacks), passava a beber gim (a propósito de «destila», já aqui falámos de gim, e gim biológico produzido em Évora). «As qualidades terapêuticas do zimbro nunca foram segredo para as principais civilizações e, ao longo dos séculos teve sempre como objetivo a cura das doenças mais variadas: dor de cabeça (Antigo Egito), dor de dentes (Civilização Árabe), efeitos abortivos e combate à peste bubónica (Idade Média)» («Que o gin esteja convosco!», Paulo Brilhante, Expresso Diário, 8.05.2014). E mais (e mais importante): «Hoje, o gin, com mais de 50 marcas à venda em Portugal e 300 mil garrafas vendidas em 2013, tornou-se numa quase experiência de vida, com dezenas e dezenas de botânicos (os ingredientes) e águas tónicas diversas» (idem, ibidem). Do inglês botanical, pois claro.

 

[Texto 4523]

Helder Guégués às 23:28 | comentar | ver comentários (7) | favorito
Etiquetas:

Miudezas

Terceira colheita

 

 

   Já aqui estou para a terceira colheita, foi só ir jantar à Espiral e fazer a Avenida Lusíada a 130. 

   «As filhas de “Alexandra Alpha” já eram o pão-nosso-de-cada-dia, graças a deus. É por isso que os jantares de senhoras passaram a ser jantares de gajas. […] Por mim, a revolução sexual está muito bem, sim senhora, o problema é mesmo a revolução do vernáculo. Dama que é dama não diz asneiredo» («“Sei Lá”: quando as “senhoras” passaram a “gajas”», Henrique Raposo, Expresso Diário, 8.05.2014).

     Muitos hífenes, já vimos, é o pão nosso de cada dia. E parece que é um deus menor, o destes ateus. «Asneiredo» está muito bem, só é pena não estar nos dicionários. Não está lá «passaredo»? Então? O escritor português que mais usou «asneiredo» foi, ao que me parece, Alves Redol.

 

[Texto 4522]

Helder Guégués às 22:32 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

«Choro convulsivo»

Chorar baba e ranho

 

 

      Um erro que vejo de seis em seis meses (vá lá): alguém que desaba num «choro compulsivo»... Enfim, há de tudo neste mundo. Mas não: é choro convulsivo (convulsive crying, para a legião de anglófonos que nos segue). E sabiam que «ranho», que vem do árabe, significa precisamente «choro convulsivo»? Porque o choro violento leva à emissão de abundantes secreções nasais, pois claro.

 

[Texto 4521]

Helder Guégués às 21:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,
08
Mai 14

«My Life Sucks!»

Admirável ou detestável

 

 

      «O tabloide New York Post em matéria de fórmulas prefere-as mais gráficas e fez ontem esta manchete, ao lado da foto de Monika Lewinsky: “My Life Sucks!”. Tem duas traduções: “A Minha Vida Enoja!” ou “A Minha Vida Chupa!” Era também uma manchete noticiosa que dizia: “Nunca se deve esquecer que há sempre pessoas e os seus correspondentes jornais atraídos pela sarjeta!” É admirável a capacidade de concisão (“My Life Sucks!”) do New York Post, que diz tanto em só três palavrinhas» («Para acabar com o buraco da fechadura», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 8.05.2014, p. 48).

     O que a mim me parece uma tremenda falta de bom gosto, para Ferreira Fernandes é admirável. Mas é boa esta diversidade de opiniões, porque assim o mundo não cai só para um lado. (Também não escrevo «Monika Lewinsky», antes «Monica Lewinsky».)

 

[Texto 4520] 

Helder Guégués às 07:30 | comentar | ver comentários (3) | favorito
Etiquetas: