10
Mai 14

Gíria médica brasileira

Melhor assim

 

 

      Num parque infantil, esta manhã, estava uma brasileira com o filho. Falava com outra mulher, esta portuguesa. «Ah, eu já fiz o selamento», revelava, meio pesarosa, meio aliviada. Por indicação médica, aposto. Gorda como era, nas cesarianas os médicos tinham de usar ganchos de açougue em vez de afastadores (C-section retractors, para a legião de anglófonos que nos segue)... A propósito, aqui fica alguma da gíria médica brasileira, ou, mais modestamente, do Rio de Janeiro.

 

[Texto 4531]

Helder Guégués às 19:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Como falam os dentistas

A 9 %

 

 

     «Veja bem: as indicações das chefias, dizem-me colegas meus que trabalham em hospitais públicos, é para usarem menos NaCl, uma coisa elementar», disse-me o dentista da minha filha. Hã? «O senhor professor sabe o que é NaCl?» (Sou eu, o senhor professor. Os dentistas tratam-me errónea e hipocritamente ou por engenheiro ou por professor.) «É soro fisiológico» (saline solution, para a legião de anglófonos que nos segue). Não é bem: soro fisiológico é NaCl com água desionizada ou destilada, por isso é que se trata de uma solução, mas percebo. Deformação profissional.

 

[Texto 4530]

Helder Guégués às 16:39 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas:

Sobre «católico nominal»

Os de nome

 

 

   «Católico nominal», leio aqui. Não tem muitos anos, esta classificação. Praticante, não praticante, observante, irregular, ocasional, nominal... Nominal é o que nunca participa na missa? E «não participante» é sinónimo? Isto não se percebe muito bem, convenhamos. Católico nominal... Também há homossexuais nominais, nudistas nominais, carteiristas nominais?

 

 [Texto 4529]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Números simbólicos

Não gosto disto

 

 

      A multinacional Procter & Gamble viu-se forçada a retirar do mercado alemão a embalagem do detergente Ariel que aparecia com o número 88  em grandes letras pretas, depois de uma vaga de protestos, agora sempre ampliados pelas «redes sociais». Claro que há aqui grandes paranóias, mas também há ingenuidade dos génios do marketing. O número 88 é usado pela extrema-direita alemã (vê-se muito em tatuagens) para significar a saudação nazi «Heil Hitler», porque a letra h é a oitava letra do alfabeto, forma inteligente de contornar a proibição de frases ou símbolos nazis. O pior é que a publicidade à nova embalagem de detergente também usava a expressão neuer Konzentration («nova concentração»). E mais: Ariel faz lembrar «ariano». Claro que se, em vez de 88, fosse 18, era mais ou menos o mesmo: é uma referência a Adolfo (1) Hitler (8). Mas 14 também seria conotado com a ideologia nazi, e 28 e 4/20 e... Paranóia, pois. No Twitter, perguntava um alemão: «Das sind nur Zahlen. Ich bin 88 geboren, bin ich jetzt ein Nazi?!» Realmente... Das gefällt mir nicht.

 

[Texto 4528]

Helder Guégués às 09:53 | comentar | favorito
Etiquetas:
10
Mai 14

Uma vergonha

E não haver ninguém

 

 

      «Os mais de 22 mil quilómetros percorridos pela Península Ibérica e as 150 horas de gravações de Templários vão resumir-se em seis episódios, com o primeiro a estrear-se já esta segunda-feira, pelas 22.00. D. Afonso Henriques, Hugo de Payns, líder dos nove cavaleiros templários, D. Gualdim Pais, o mais importante mestre da Ordem do Templo, são algumas das personagens retratadas na série, que aborda episódios como a formação dos templários e a emblemática Batalha de Ourique» («Templários ‘regressam’ a Portugal segunda-feira», Marlene Rendeiro, Diário de Notícias, 10.05.2014, p. 42).

  Uma verdadeira tristeza, esta forma de escrever, estes malditos modismos. Hugo de Payns, «líder» dos nove cavaleiros templários! Francamente, Marlene Rendeiro. Hugo de Payns (Payens, ou Payus, ou Paganis) foi fundador e primeiro grão-mestre da Ordem dos Templários. Estão a afunilar, a empobrecer a língua, porque tudo é «líder»: Passos Coelho é «líder» do Governo (de Portugal, como agora acrescentam, para completo esclarecimento); António José Seguro é «líder» do PS; Vasco Lourenço é «líder» da Associação 25 de Abril; Francisco é o «líder» da Igreja Católica. É a indiferenciação completa, o que só pode contribuir para maior ignorância. Muitos «líderes» e ninguém com dois palmos de testa para acabar com esta pouca-vergonha.

 

[Texto 4527]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (6) | favorito
Etiquetas: