12
Mai 14

Léxico: «pagé»

Está, Sr. Xucuruku?

 

 

      Num texto, fala-se no «pagé Celestino Xucuruku, dos índios Cariris de Alagoas». É bem provável que o Sr. Xucuruku tenha telemóvel, agora é quase obrigatório, e apetecia-me perguntar-lhe o que significa «pagé», porque interrogo os dicionários e nada. (Recentemente, sugeri que, para esclarecer uma dúvida [«They sneeze hullabaloos»?], se contactasse a autora de um livro. Lá a foram desencantar no Havai. Milagrosamente, pois o livro era de 1960, recordava-se do que quisera dizer...) O dicionário de Cândido de Figueiredo regista-o: «sacerdote curandeiro, entre os aborígenes; feiticeiro». O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não o regista, como também não regista «Cariris». Para quê, não é?, é lá longe.

 

[Texto 4548]

Helder Guégués às 23:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

«Sarcasmo»?

O pior é aturá-los

 

 

      «Na apresentação do orador anterior, o deputado Paulo Mota Pinto, a diretora da Universidade Política de Lisboa, Teresa Leal Coelho, que é membro da direcção [sic] do PSD, referiu que este tem apenas uma “mancha no seu currículo: ter sido juiz no Tribunal Constitucional”. A dirigente do PSD admitiu na altura que pensava não estarem jornalistas na sala e que se tratava apenas de “sarcasmo”» («“Não antecipamos qualquer dificuldade no Tribunal Constitucional”», Expresso Diário, 12.05.2014). 

   Sarcasmo? E são amigos? Mas esta gente sabe o que diz? São só palavras, é o que devem pensar.

 

[Texto 4547]

Helder Guégués às 20:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

Léxico: «pi»

3,1416? Não

 

 

    «O hip-hop português tem um novo grupo que promete ignorar os ‘pis’ da rádio e quebrar as convenções. Os 5-30 chegaram mas não sabem se é para ficar» («Cinco perguntas a...», Ana Maria Pimentel, Expresso Diário, 12.05.2014).

    Onomatopeias e interjeições são, já o vimos repetidas vezes, os parentes pobres da língua. Os dicionaristas insistem em fingir que nada disto tem importância. Nas traduções, é como temos visto. Já tenho lido, para designar o mesmo, o inglês bleep, porque se trata do mesmo: o som electrónico estridente e breve usado na rádio e na televisão como substituto de palavra ou frase censuradas. Claro que beep já foi aportuguesado em «bip».

 

[Texto 4546]

Helder Guégués às 20:24 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

Ortografia: «mãos-largas»

Quase

 

 

      «Se a memória não me falha, e nunca falha, o meu velho comprou a primeira televisão a cores da Rua MFA, a minha rua. Estávamos em 1984. O velhinho monitor a preto-e-branco foi recambiado para a minha avó, e ali ficou até 1996, ano em que ela morreu. Éramos um bocadinho diferentes na altura, não é? Não éramos mãos largas, gastávamos tudo até ao bagulho. […] Não valeu de nada. A macumba caseira à base de um kispo da candonga não foi suficiente para exorcizar a maldição de Bella Guttman e lá perdemos mais uma final europeia, a quinta» («1988: Benfica a preto-e-branco», Henrique Raposo, Expresso Diário, 12.05.2014). Expresso Diário, erro diário. É «mãos-largas». É como mãos largas/mãos-largas; braço direito/braço-direito... E «à base de» é quase português. Quase.

 

[Texto 4545]

Helder Guégués às 20:01 | comentar | ver comentários (8) | favorito
Etiquetas:

Ortografia: «transexual»

Também tem barbas

 

 

  «E apesar da vitória de há uns anos do transsexual israelita Dana International (1998), Conchita Wurst, a Rússia e Vladimir Putin permitiram consagrar agora essa nova identidade» («A mulher de barba», Joel Neto, Diário de Notícias, 12.05.2014, p. 44).

    Dois ss depois de consoante, caro Joel Neto? Ainda um dia nos dirá quantas mais conhece.

 

[Texto 4544]

Helder Guégués às 09:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,

Escrita fácil

Entreadivinhamos

 

 

      «Um país que tem como o Poeta do Amor como escritor primeiro só pode ser bom. Sim, estou a falar de Ovídio, o das Metamorfoses» («Línguas do romance», Rui Zink, Diário de Notícias, 12.05.2014, p. 11).

   Já não vai a tempo de corrigir. Sim, fez bem em explicar de quem estava a falar, pois a primeira frase é uma trapalhada.

 

[Texto 4543]

Helder Guégués às 09:43 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas:

Tradução: «vending»

E chega

 

 

      Na Fundéu, dizem que venda automática é preferível ao anglicismo vending, forma de nos referirmos à distribuição e venda através de máquinas de produtos como tabaco, bebidas, comida, etc. Sem dúvida. E em vez de «máquinas de vending», «máquinas de venda automática». Vinha agora no carro com a minha filha e ouvimos várias vezes o disco Histórias de Chocolate, de José Jorge Letria (Lisboa: Ovação, 2009), e na terceira das doze histórias, «Os cigarros de chocolate», aparece uma «máquina automática». Chegou para se perceber do que se tratava.

 

[Texto 4542]

Helder Guégués às 09:39 | comentar | favorito
Etiquetas:
12
Mai 14

«Haja Deus!»

Haja paciência

 

 

      «“Haja Deus!”, lê-se no documento de 140 páginas, escrito num tom forte e indignado. Quase três meses depois de 10 arguidos terem sido absolvidos dos crimes de burla qualificada e falsificação de documentos nas contrapartidas associadas à venda de dois submarinos a Portugal, o Ministério Público (MP) entregou um recurso ao Tribunal da Relação de Lisboa pedindo que a decisão seja anulada e o julgamento seja feito de novo» («MP arrasa juízes e pede novo julgamento», Micael Pereira, Expresso, n.º 2167, 10.05.2014).

     E escrevem assim, os magistrados do Ministério Público? Isto não é invocar em vão o santo nome de Deus? Estou a brincar (e persigno-me). Haja paciência, que não vejo nos dicionários, diz mais ou menos o mesmo.

 

[Texto 4541]

Helder Guégués às 09:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: