14
Mai 14

Tradução: «doh»

Quais Simpsons

 

 

      «– Estava nos cartões de crédito que ela te roubou – daaa! [doh]» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 84).

      Lembram-se de, ainda no Assim Mesmo, ter falado da interjeição anglo-saxónica duh, traduzida ora por da-aa, ora por daa, ora por dahhh, ora por... duh? Pronto, temos de falar como Homer Simpson.

 

[Texto 4570]

Helder Guégués às 20:49 | comentar | favorito

Tetuão

Ou será «Tétouan»?

 

 

      «E já passando da meia-noite, 15 minutos depois, mais precisamente, estreia na TVI a série espanhola “O Tempo entre Costuras” que se passa em Madrid, Tânger, Tetuán e Lisboa» («Esta noite», Expresso Diário, 14.05.2014).

      «Nos dias seguintes, depois de o general Francisco Franco ter voado num avião inglês das Canárias a Tetuão para se colocar à frente das tropas de África, e de o governo de Giral ter mandado distribuir armas ao povo, o professor Júlio Quirino declarou solenemente aos outros Amigos do Livro […]» (Café República, Álvaro Guerra. Alfragide: Bis/Leya, 7.ª ed., 2010, p. 183).

 

[Texto 4569]

Helder Guégués às 19:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Engraçadismo», de novo

Desengraçado

 

 

  «Amigo muito calculista dizia há dias que eu não devia assumir publicamente o meu regresso à fé, que devia continuar no engraçadismo indiferente à questão ou na posição cómoda e até chique do agnóstico. […] Para comprovarmos este ponto não precisamos sair de casa. Basta dar uma saltada a Fátima: bandos de sul-coreanos estão a invadir o santuário. E também há indonésios, vietnamitas, chineses, malaios, japoneses (v. reportagem de Conceição Antunes no Expresso de sábado)» («Fátima mostra a força do cristianismo», Henrique Raposo, Expresso Diário, 14.05.2014).

     Já aqui tínhamos este «engraçadismo», que, aliás, não tem graça nem utilidade. Os «malaios» da Malásia (ou será da Malaia?) também já são nossos conhecidos.

 

[Texto 4568] 

Helder Guégués às 19:05 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «sash window»

Janelas, sim, mas

 

 

    «Rodolfo, Ralph para os amigos, era gerente de uma casa de sandes na City – muito no espírito em que Treslove distribuíra leite numa carrinha eléctrica e mudara janelas de sacada [sash windows], supunha ele, e, imaginava, devido a idênticas frustrações profissionais, embora neste caso houvesse questões de género adicionais» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 77).

     É o mesmo passo que elogiei ali atrás, acertaram. Nem tudo está ali bem. Sash window («a window with one or two sashes which can be slid vertically to make an opening») é a nossa janela de guilhotina.

 

[Texto 4567]

Helder Guégués às 18:21 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Tradução: «watery woman»

Ou seja?...

 

 

      «Também gostava da obra [Hamlet], não porque desejasse matar a mãe, mas por causa de Ofélia, a santa padroeira das mulheres aguadas [watery women]» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 64).

  Digam-me os leitores o que são «mulheres aguadas», porque eu não sei. Refere-se, obviamente, à forma como Ofélia, personagem de Hamlet, morreu, afogada. Vem-me logo à memória, e já me apareceu mesmo em sonhos, o quadro de Millais, que está na Tate. É a watery grave de Ofélia. Mas «mulheres aguadas»...

 

[Texto 4566]

 

Helder Guégués às 14:52 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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«Visualizações» alucinadas

Não passará

 

 

    «Treslove costumava visualizar [knew to picture] Libor em pessoa ao falar com ele por telefone, enfiá-lo na sua camisola de gola alta, mas mesmo assim a voz deprimia-o» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 50).

      Pelo menos quando no original está visualized ainda damos o desconto, mas quando não está assim no original?

 

[Texto 4565]

Helder Guégués às 11:46 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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Sobre «tutorial»

Ou tudo ou nada

 

 

     «Além de tutoriais com milhões de visualizações no YouTube, o sucesso dos elásticos coloridos é tal que todos os dias surgem novas páginas no Facebook» («A moda das pulseiras que até ajuda a pensar», Joana Capucho, Diário de Notícias, 14.05.2014, p. 16).

   São as pulseiras que ajudam a pensar ou é a moda? Agora sim. Vamos ao que interessa: para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, tutorial é a «série de instruções que explicam o funcionamento de um determinado programa». Não trouxeram o conceito e a palavra do inglês? Não podem deixar lá metade. Em inglês, é «an account or explanation of a subject, printed or on a computer screen, intended for private study».

 

[Texto 4564]

Helder Guégués às 10:34 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «the length and breadth»

Não, ou tudo serve

 

 

      «Durante três dias, percorreram a maior cidade gastronómica do mundo de fio a pavio [the length and breadth], discutindo futilmente, famintos e envergonhados, e quando no fim regressaram ao apartamento de Treslove […]» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 67).

  Não me parece a expressão mais adequada, este «de fio a pavio». Recentemente li, e também não me pareceu adequada, num contexto semelhante, «de cabo a rabo» (no original, estava over much). Eu optaria por de lés a lés ou mesmo de ponta a ponta.

 

[Texto 4563]

Helder Guégués às 10:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Adeus, plural

Não: «os hijras»

 

 

      «Por oposição, em outras partes do globo, a existência de um “terceiro género” é um facto consensual. Em certos casos, há vários séculos. Os hijra, comunidade do Sul da Ásia (seis milhões dos quais a viver na província indiana de Bombaim), são caracterizados como do sexo masculino à nascença mas podem mais tarde assumir-se como pertencendo a um “terceiro género”. Distinguem-se pelas roupas femininas que vestem. Também vivem 80 mil a 300 mil no Paquistão» («O “terceiro género” nos diferentes países», Pedro Sousa Tavares, Diário de Notícias, 14.05.2014, p. 14).

 

[Texto 4562]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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14
Mai 14

Os Médicis, os Bórgias

Ele sabe (é pena a «pizza»)

 

 

      «Além de Portugal, Itália é o único país europeu que eu adoro. Gosto de tudo naquele país, da arquitetura e da comida, da cidade e das serras, dos lagos e das praias, da história e do presente. É difícil encontrar defeitos numa terra tão perfeita. Gosto de pizza e de tortellinis, de salpicão e de vinho de Montalcino; gosto do uso e do abuso do tomate e do azeite; gosto da língua, da pronúncia e dos sotaques cantados; gosto das famílias antigas e célebres, os Médicis, os Bórgias; gosto dos Césares e dos seus impérios; e até gosto dos romanos quando eles são motivo de gozo, como nos livros do Astérix, onde levam sempre muita pancada» («‘Italians do it better’», Domingos Amaral, Diário de Notícias, 14.05.2014, p. 11).

 

[Texto 4561]

Helder Guégués às 09:43 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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