15
Mai 14

Ao vento

Sic, sic, sic

 

 

   Atenção a esta: «No Porto, Luca Massolin e Paulo Couto”[,] “melómanos descomplexados e ‘diggers’ empenhados”[,] partilham sessões gira-disquistas, são as L. P. Sessions”, desta vez a partir das 20h [sic] na “Miss’opo”» («Esta noite», Expresso Diário, 15.05.2014).

   Escrevinhar, falazar, o que interessa é contribuir para o ruído, entrar afoitamente na grande corrente.

 

[Texto 4576]

Helder Guégués às 23:07 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «predestinado»

É convicção

 

 

      «Porém, a ideia de algo pré-destinado [foreordained] é capaz de abalar a mente mesmo do mais racional  dos homens, e Treslove não era propriamente o mais racional dos homens» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 74).

      É das tais que vejo uma vez por mês mal escritas. Estão absolutamente convencidos de que existe um «pré-destinar» e, por isso, «pré-destinado». «Predeterminado» e «preestabelecido» são vítimas da mesma ignorância.

 

[Texto 4575]

Helder Guégués às 22:50 | comentar | favorito
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Ortografia: «pequeno-burguês»

Uma escrita mais leve

 

 

   «Tinham mobilado o apartamento no estilo Biedermeier, segundo o gosto de Libor, não de Malkie (embora lhe corresse sangue Biedermeier nas veias), mas Malkie concordara em fazer a vontade ao aspirante a pequeno burguês [petit bourgeois] que existia em Libor» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 49).

      Isto é o que se chama saber de outiva. Nem vale a pena consultar um dicionário ou prontuário. Além disso, se no original está petit bourgeois, nem vale a pena pensar mais, não é? (Se o livro seguisse a nova ortografia, já alguém viria lembrar-me que já não leva hífen...)

 

[Texto 4574] 

Helder Guégués às 22:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Fácil, mas não tanto

A eito

 

 

      «Em segundo lugar, um racista não deixa de ter direitos só porque é racista. Vamos lá supor que Sterling batia ou matava Magic Johnson num impulso alcoviteiro» («Um racista não deixa de ter direitos», Henrique Raposo, Expresso Diário, 15.05.2014).

      Matava Magic Johnson. Perfeito (salvo seja). Batia Magic Johnson? Também podia ser perfeito, se o sentido fosse outro. Se os verbos têm — como é manifestamente o caso — regências diferentes, não podemos escrever desta maneira, temos de dar a volta à frase, dar-lhe outra redacção.

 

[Texto 4573]

Helder Guégués às 22:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Ter pó a alguém»

Pequeníssimas partículas

 

 

      «Eu tenho um certo pó por racistas, até porque o meu círculo de amigos é um pequeno anúncio da Benetton, mas este caso é mais complicado do que parece» («Um racista não deixa de ter direitos», Henrique Raposo, Expresso Diário, 15.05.2014).

      A regência não é aquela, mas «ter pó a X» (to dislike X intensely, para a legião de anglófonos que nos segue). Que não vejo no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 4572]

Helder Guégués às 21:53 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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15
Mai 14

Tradução: «fringe»

Menos palavras

 

 

      «– Exacto. Não sabes o que és, por isso queres ser judeu. A seguir, vais começar a usar faixas franjadas [fringes] e vens dizer-me que te ofereceste como voluntário para pilotar os caças israelitas contra o Hamas» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 87).

   Basta dizer «franjas», nem mais uma palavra. «Quando levantou o braço, julguei distinguir na sua manga outras filactérias de couro; e por debaixo do seu casaco, aquilo não eram as franjas brancas disso a que os judeus chamam o pequeno talit que despontavam?» (As Benevolentes, Jonathan Littell. Tradução de Miguel Serras Pereira. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2007, p. 427). Pequeno talit, ou tsitsit, que se usa debaixo da camisa durante o dia.

 

[Texto 4571] 

Helder Guégués às 09:18 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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