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Mai 14

Tradução: «récidive»

Um inconseguimento

 

 

     Os médicos, como se sabe, não têm uma obrigação de resultado, apenas uma obrigação de meios. Alguns tradutores gostavam de estar nesta cómoda posição. Uma doença pode regressar sob diversas formas, e uma delas são as «récidives». Tradução?... Ah, sem pensar: «reincidências», verte o tradutor. Qual é a alminha que nunca ouviu ou leu a palavra «recidiva» para significar o reaparecimento dos sintomas de uma doença? E, menos técnica, a palavra «recaída»? É verdade que être en récidive significa «ser reincidente», já noutro campo semântico. Mas, como diz a outra, problema deles, dos Franceses.

 

[Texto 4604]

Helder Guégués às 19:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Aguaceiro», no dicionário da ACL

Já não azurra

 

 

    O Dicionário Houaiss, fiando-se do Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (editado em 1793 e reeditado em 1976), o tal que ficou décadas a azurrar, data a primeira abonação do vocábulo «aguaceiro» de 1557. Para evitar entrar no anedotário, a reedição de 1976 tem como último verbete «azuverte», nome vulgar de uma ave fringilídea de Timor. Para um trabalho que está a fazer, um leitor do Linguagista que reside no estrangeiro precisava de cópia do verbete completo de «aguaceiro». Alguém pode ajudá-lo?

 

[Texto 4603]

Helder Guégués às 18:34 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Deixemos agora as traduções

Abrem-se os olhos de espanto

 

 

      Na semana passada, tive de ir à Amadora. Agora já não é exactamente quando passamos para lá das Portas de Benfica que parece que entramos noutro mundo: é uns metros mais à frente. Ali pela Rua Elias Garcia, vi um sítio fino, finíssimo, finérrimo, e na montra, isto: «lipoaspiração não evasiva». Abrem-se os olhos de espanto, como na canção de Paulo de Carvalho.

 

[Texto 4602]

Helder Guégués às 14:57 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «cogula»

Protecção ignífuga

 

 

      «O novo equipamento – constituído por cogula (capuz utilizado por baixo do capacete), fato, luvas e botas – foi concebido no âmbito de uma parceria entre a corporação e o banco BiG» («Bombeiros de Carregal do Sal receberam novos fatos», Diário de Notícias, 21.05.2014, p. 22).

    Só o refiro porque na maioria das vezes se vê grafado como esdrúxula, que não é. (Tudo ao contrário: a *cógula dos bombeiros e o *caracter dos paginadores.) Os dicionários não registam esta acepção: cogula (flash/fire hood ou balaclava, para a legião de anglófonos que nos segue) é apenas a túnica de frade de mangas largas e compridas e a casula.

 

[Texto 4601]

Helder Guégués às 09:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Mai 14

Como se escreve nos jornais

Com os copos

 

 

     «O evento [Lisbon Bar Show, realizado ontem na Tapada da Ajuda] incluiu um concurso de flair bartending, em que os barmen fizeram “acrobacias” com as garrafas» («Recorde. O maior gin tónico do mundo», Diário de Notícias, 21.05.2014, p. 6).

     De vez em quando, no Diário de Notícias grafam-na com hífen, «gim-tónico». (Está bem, o m é meu.) O flair bartending é o malabarismo feito com os diversos utensílios, garrafas e até ingredientes usados para preparar as bebidas. Malabarismo, não «acrobacia», como o jornalista percebeu, pois usou as aspas.

 

[Texto 4600]

Helder Guégués às 07:49 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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