22
Mai 14

Sinónimos, sim, mas

Não desta vez

 

 

      «A cabeça de Libor estava a ficar fétida. O veredicto era do próprio» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 256).

      Toda a gente sabe que «cabeça» é, em certos contextos (lembremo-nos, entre muitas outras, da expressão — que a língua francesa também tem, perdre la tête — «perder a cabeça»), sinónimo de «juízo», «tino», «razão», mas, neste caso, porque o adjectivo qualifica de uma forma tão física, eu não traduziria mind (que é o que se lê no original) desta forma.

 

[Texto 4608]

Helder Guégués às 22:40 | comentar | favorito
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Formação de vocábulos

Ele também o fez

 

 

   «Camilo criou muitos vocábulos, formando-os em regra dentro da própria língua, por meio de processos correctamente gramaticais» (A Linguagem de Camilo, Cláudio Basto. Porto: Edição de Maranus, 1927, p. 41).

 

[Texto 4607]

Helder Guégués às 18:43 | comentar | favorito
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A linguagem de Camões [22.05.2014]

Não os contem: são 5000

 

 

  «Ainda hoje é costume situar na primeira plana dos atributos que axalçam [sic] Camilo — a riqueza numérica dos vocábulos que êle usou. Não é em tal riqueza, porém, que está o valimento de um literato. Ela é, sem dúvida, factor de valimento, mas não é “o valimento”. Camões empregou 5.000 vocábulos diferentes nos Lusíadas, — repetindo alguns com demasiada insistência: 86 vezes “peito”, 101 vezes “alto”... E, no entanto, os Lusíadas são —­ os Lusíadas» (A Linguagem de Camilo, Cláudio Basto. Porto: Edição de Maranus, 1927, pp. 13-14).

 

[Texto 4606]

Helder Guégués às 18:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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22
Mai 14

«Ciano/cião»

Pequenas petas

 

 

      «O novo fardamento da PSP, em que predomina o azul cião (parecido com o celeste), vai começar a ver-se nas ruas a partir do início de 2015 e quase pode ser confundido com equipamento desportivo. […] A ideia foi dar um ar “mais jovial” à Polícia, que estava dominada, na farda e nos carros, pelo “azul-escuro marcial”, como explicou o comissário João Moura, das relações públicas da Direção Nacional da PSP. […] A psicóloga e consultora de imagem Alexandra Carvalho estudou durante um ano a cor ideal para as novas fardas e garante que azul cião “é menos intimidatório” do que o azul-escuro para uma polícia “mais interativa” com o cidadão» («Novas fardas da PSP custam seis milhões de euros por ano», Rute Coelho, Diário de Notícias, 22.05.2014, p. 22).

   Um ano a estudar a cor ideal... Numa loja de tintas, teriam feito a afinação da cor em minutos. E o resultado, a meu ver, não se recomenda. Tal como também não se recomenda o «cião». Não será — quando já tínhamos «ciano», do mesmo étimo — para macaquear o inglês cyan, mais prestigiante? Cião era, e é, apenas o nome de uma ave também conhecida como petinha e escrevedeira.

 

[Texto 4605] 

Helder Guégués às 07:48 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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