24
Mai 14

Os Rothschilds

Ah, sim

 

 

   «O novo livro de Simon Schama é uma “história” e comporta o subtítulo de “Encontrar as Palavras”. A partir da formidável obra que já produziu, sabemos que ele é um inato contador de histórias, a quem nunca faltam as palavras. A dimensão e a complexidade das grandes histórias do passado, tais como o império da república holandesa, a Revolução Francesa ou a ascensão dos Rothschild, não lhe infundiram qualquer terror» («O antagonismo entre judeus e cristãos surgiu no século II», G. W. Bowersock, tradução de Adelaide Cabral, «Q»/Diário de Notícias, 24.05.2014, p. 4).

   Sendo assim, prefiro em inglês: «Simon Schama’s new book is a “story” and bears the subtitle “finding the words.” From his huge oeuvre we know him to be a natural storyteller who is never short of words. The size and complexity of great stories from the past, such as the empire of the Dutch republic, the French Revolution, or the rise of the Rothschilds, have held no terrors for him.» 

 

[Texto 4616] 

Helder Guégués às 22:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «judeuzada»

Não é

 

 

   «Desta vez, tinham pintado “Morte à judeusada” [Death to Jewishes] em todas as paredes» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 278).

   Ignorantes, estes anti-semitas dum raio? Sim — mas o erro ortográfico não é deles. As palavras derivadas com sufixos aumentantivos escrevem-se com z. Judeuzada, como cafezada, chazada, gurizada (para os nossos irmãos do Brasil não ficarem tristes), mãozada, fezada, pazada, cabazada...

 

[Texto 4615]

Helder Guégués às 21:48 | comentar | favorito
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«Espectador/espetador»

Não vivemos no mesmo país

 

 

      «Por exemplo: “Espectador”, que era alguém que a gente sabia que assistia, tinha assistido, ou ia assistir a um “espectáculo”, passou a “espetador”, que é alguém que assiste, assistiu ou assistirá a um “espetáculo”, coisa que dá um certo trabalho a perceber o que é. Ao que parece, e apesar de “espetáculo” não poder ser “espectáculo”, “espetador” admite dupla grafia e deixam-nos continuar a escrever “espectador” se nos apetecer (Obrigada! Obrigada! Obrigada!, como diria a Amália)» («A língua? Um tigre de papel», Ana Cristina Leonardo, «Atual»/Expresso, 23.05.2014).

     Para mim, é «espetador» que dá um certo trabalho a perceber o que é, mas adiante. Nem sei como é que «espectador» admite dupla grafia, mas dizem que sim. Mais: «Dupla grafia no mesmo espaço geográfico, dado os falantes apresentarem oscilações de pronúncia dentro de uma mesma variante, neste caso, a portuguesa; é neste tipo de situação que se inscreve espectador/espetador, um caso de dupla grafia dentro da nossa variante, o que, na prática, significa que, em Portugal, os falantes poderão escrever a palavra com ou sem c, consoante o pronunciem ou não» (Anaísa Gordino, in Ciberdúvidas). Parafraseando Amália, o Acordo Ortográfico é um mistério. Nunca ninguém vai conseguir explicá-lo!

 

[Texto 4614]

Helder Guégués às 12:27 | comentar | favorito
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24
Mai 14

Tudo simples, mas depois...

Ámen

 

 

      Todos os meses vejo – mesmo em obras revistas ­– o nome da oração dirigida a Nossa Senhora mal grafado. É ave-maria. Tal como também se escreve pai-nosso ou padre-nosso e salve-rainha. Mas atenção, a própria oração é «Ave, Maria, cheia de graça, etc.» Não é, meus santinhos, como vejo quase sempre, «Ave Maria, etc.». «Maria» é vocativo.

 

[Texto 4613]

Helder Guégués às 10:02 | comentar | ver comentários (5) | favorito