25
Mai 14

Série ignorantes (I)

Baptista desbaptizado

 

 

    Era tão ignorante, mas tão ignorante, que quando a Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 foi publicada no Diário da República, mudou de nome: ele, que era um dos mais preeminentes filhos do Sr. Baptista, passou a ser J. Batista. A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT para os amigos) é que não deixou de lhe exigir o pagamento dos impostos.

 

[Texto 4621]

Helder Guégués às 22:56 | comentar | favorito
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O argumento dos gambozinos

Na mesa ao lado, no McDonald’s

 

      – ...

      – Acaso não existisse existiria a palavra que a expressa?

      – Evidentemente.

    – Dá-me então um exemplo de algo que não exista na realidade e tenhamos palavra para o expressar. Só um.                        

      – Gambozinos.

   – Não, não. Existe o conceito de gambozinos; assim, existem gambozinos. Ou é como se existissem gambozinos, o que para o caso é, caso não saibas, ontologicamente equivalente.

      – ...

 

[Texto 4620]

Helder Guégués às 17:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os presidentes

Apanhado à hora do almoço

 

 

   Cavaco Silva sobre as eleições de hoje: «Não quero fazer qualquer comentário de natureza política sobre os eventuais resultados que possam surgir ao fim do dia.» Se lhe pedissem comentários de natureza linguística, por exemplo, ou sociológica, já se abalançava, é isso? E mais: o Presidente da República admite que não haja resultados.

 

[Texto 4619]

Helder Guégués às 15:33 | comentar | favorito
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O truque para não pretejar

Uma língua tropical

 

 

      Lembram-se da brasileira do «selamento»? Ontem estava no mesmo parque infantil, o Verde Guia, com o filho e já com outra interlocutora, a quem ensinava a fazer pudim de «pão amanhecido» e leite condensado. Dizia que tem uma panela para cozer em banho-maria (double boiler, para a legião de anglófonos que nos segue). «O truque pra não pretejar a panela, eu vou ensinar pra você, é acrescentar uma colher de vinagre ou uma rodela de limão na água.» Obrigadinho, pelo truque e pela palavra.

 

[Texto 4618]

Helder Guégués às 11:24 | comentar | favorito
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25
Mai 14

Os cartoons dos cartunistas

Português, mas só um pouco

 

 

      «A semana foi também de Quino, o cartunista argentino que ganhou o prestigiado Prémio Príncipe das Astúrias. Ele é o “pai” de Mafalda, uma garota que há 50 anos se pôs a olhar o mundo e a dizer coisas simples e pertinentes. […] Mas o que eu mais gosto é do cartoon inicial de Mafalda, o primeiro publicado. Ela comove-se com a mãe que lhe parece triste por ela ir pela primeira vez para a escola: “Sabes, mãe? Quero ir para o jardim-escola, estudar muito, ir para a universidade e não ser uma mulher frustrada como tu...” A menina julga que animou a mãe... É tão pungente o otimismo da geração de Mafalda, que pensava ter o mundo na mão, e não tinha. Quino era cínico e lúcido» («Mafaldinha, a comentadora», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 25.05.2014, p. 72).

   «Cartunista»? O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora também tem, mas remete (contrariando o significado subjacente das remissões?) para «cartoonista». Ferreira Fernandes, num texto em que usa «cartunista», prefere não usar «cartune», seria uma fraqueza, um excesso de portuguesismo. Ou será que devia ser «cartum»? Bem, não interessa, ninguém usa, e os dicionários não o recomendam.

 

[Texto 4617] 

Helder Guégués às 10:07 | comentar | ver comentários (2) | favorito