Tudo moderno
«Tudo o que disserem, desafia. E muito se disse e dirá sobre este filho de Vila Chã do Marão, Amarante. Nascido a 10 de setembro de 1950 da união entre, diz a bio oficial, “uma camponesa e um alfaiate”, aos 6 meses levado pelos pais emigrantes para o Brasil, regressará aos 14 anos com a mãe (que celebrou, lacrimoso, numa crónica e várias entrevistas aquando da discussão pública sobre a coadoção em casais de pessoas do mesmo sexo, a que se opõe em nome “da família natural”, dizendo recordar-se do seu nascimento e da “vagina ensanguentada” da progenitora) a Portugal. Onde, ainda adolescente, se mete na política: crítico vocal do salazarismo, é em 1970 preso pela PIDE em Coimbra, episódio em relação ao qual frisa não ter “falado” apesar de “três dias e três noites sem dormir.”» («O homem que se lembra de nascer nasceu para a política», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 27.05.2014, p. 6).
«Bio», redução vocabular, é um pouco equívoco, e escassamente usado. «Crítico vocal» (já me ocupei de «vocal» aqui) jamais passaria no exame Vieira.
[Texto 4630]