28
Mai 14

«Escoteiro/escuteiro»

Para baralhar

 

 

    «Escoteiro do ramo católico em miúdo, [Matteo Renzi] também foi árbitro de futebol amador e jogou, ele próprio, futsal» («Guia para ganhar eleições com estilo», Pedro Cordeiro, Expresso Diário, 28.05.2014).

    Ainda que mal pergunte: ao «escoteiro do ramo católico» não damos o nome de escuteiro?

 

[Texto 4640]

Helder Guégués às 23:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Cap and gown»

Vá, agradeçam

 

 

      «A atriz Emma Watson, que interpreta Hermione na saga Harry Potter, licenciou-se recentemente em Literatura Inglesa na Universidade de Brown. Embora uma experiência normal para uma jovem de 24 anos, Emma Watson decidiu levar consigo uma guarda-costas armada e vestida com a batina de aluna» («50 pontos para Gryffindor», Expresso Diário, 28.05.2014).

   Uma estudante de batina? Como leram a notícia na imprensa anglo-saxónica, que dizia que a actriz estava acompanhada de uma «woman who was wearing a cap and gown», omitiram o cap e já temos sorte que não tivessem traduzido gown por «roupão».

 

[Texto 4639]

Helder Guégués às 19:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «effet de mode»

Crista da onda

 

 

      «Il faut enfin se méfier des effets de mode», lê-se no original. Verdade simples que o tradutor quis impedir os leitores de conhecerem: «É preciso desconfiar dos efeitos de modo.» E o contexto, não serve para nada, não ajuda, não encaminha? Depende, não é? A expressão effets de mode (bandwagon effect, para a legião de anglófonos que nos segue) pode traduzir-se por «tendência da moda» ou «efeito da moda», talvez até «efeito de contágio», por exemplo. Qualquer maria-vai-com-as-outras sabe isto.

 

[Texto 4638]

Helder Guégués às 18:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Vitória pírrica

Como vitória segura

 

 

      «A vitória do PS, infelizmente, foi uma vitória de Pirro... Isto é: que não devia ter sido aclamada com o entusiasmo que o seu líder fez [sic]. O povo falou claro, não quer a direita que está no poder. Mas também quer que o PS dê expressão política ao descontentamento popular”, escreveu o socialista Mário Soares na sua crónica de hoje no “Diário de Notícias”. Pirro foi rei de Épiro [sic] e da Macedónia, ficou famoso pela expressão “Vitória Pírrica” por ter ganho [sic] por um fio a Batalha de Ásculo contra os romanos. Quando o felicitaram, terá respondido: “Mais uma vitória como esta e estou perdido”» («“Mais uma vitória como esta e estou perdido”», Expresso Diário, 27.05.2014).

      Acho que não há uma frase, mesmo as do cronista, que não precise de umas talas para se endireitar, mas estou aqui por causa daquela «Vitória Pírrica» (Pyrrhic victory, para a legião de anglófonos que nos segue) de letra grelada. O leitor (suponho que os leitores de jornais digitais não são nem mais cultos nem mais inteligentes do que os leitores dos jornais tradicionais) pode ficar com a ideia errada de que Pirro proferiu aquela expressão. É como vir a atribuir-se a António José Seguro a expressão «vitória segura» (e mesmo assim ir descalço para a rua, empurrado por António Costa), quando apenas alguns socialistas disseram que os pontos de diferença em relação à coligação de direita são suficientes.

 

[Texto 4637]

Helder Guégués às 13:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nos jornais

E ainda pagamos

 

 

   «No que toca a política, há perguntas que são necessárias fazer aos portugueses. Por vezes, umas são menos óbvias que as outras» («A sondagem que realmente importa», Expresso Diário, 27.05.2014).

 

[Texto 4636]

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «gemónias»

Mais rico

 

 

      «Malgré les gémonies vaticanes, etc.» Também temos e – maldição! – eu não conhecia. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «lugar onde se expunham os cadáveres dos supliciados romanos; escárnio público; extremo ultraje; desgraça infamante». Arrastar alguém às gemónias é fazer-lhe os últimos ultrajes, expor à irrisão pública, levar à última desgraça.

 

[Texto 4635]

Helder Guégués às 11:13 | comentar | favorito
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28
Mai 14

Árbitros e... árbitras

Só o público não melhora

 

 

  «Duas mulheres, duas árbitras, apenas duas do universo da arbitragem nacional» (Ana Sofia Rodrigues, Telejornal, 27.05.2014). São 400, diz-se na reportagem. Já são muitas. Vá, toca a alterar os dicionários. O público, claro, é o de sempre, como uma mulher com uma filha ao colo que grita para uma árbitra: «Ó badalhoca, és a vergonha das mulheres, caralho, és a vergonha da arbitragem, filha da puta.» O pi não mascarou nada.

 

[Texto 4634]

Helder Guégués às 09:32 | comentar | favorito
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