30
Mai 14
30
Mai 14

Tradução: «volontiers»

Pois não pode

 

 

      Traduzir volontiers por «sem se fazer rogado(a)» parece-me muito bem, mas, naturalmente, em certos contextos, não em todos. Também se pode traduzir por «de boa vontade», «com todo o prazer ou gosto», «normalmente», «naturalmente», «habitualmente»... Não pode ser chapa cinco, não é?

 

[Texto 4644]

Helder Guégués às 11:40 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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29
Mai 14

«Sôr/sora/sô»?

Sonotone, e já

 

 

   «O assassino que andou a monte, depois de ter assassinado duas mulheres, foi recebido com palmas pela população. Antes de começarmos a cuspir repugnância pelo povinho, devíamos tentar perceber. Até porque perceber não é o mesmo que desculpar, já dizia a Sôr Dona Hannah Arendt» («De onde vêm as palmas do “Palito”?», Henrique Raposo, Expresso Diário, 28.05.2014).

  A forma reduzida de «senhor» é (e sor); de «senhora», pelo menos para Henrique Raposo, é «sôr». Não estará a confundir com «sor», de «sóror»? Está, pois. Alguns dicionários registam sora como forma reduzida de «senhora». Para mim, é «sô» para senhor e para senhora. É óbvio que alguém anda a ouvir mal, e não costumo ser eu.

 

[Texto 4643]

Helder Guégués às 23:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Tradução: «line cook»

Como nas linhas de montagem

 

 

    «Acompanhado pelo filho Percy – seu gestor de redes sociais – e pelo sub-chefe Martin (John Leguizamo), o chef reinventa-se e realiza-se. Os sabores nacionais ganham nova vida na roulotte “El Jefe – Los Cubanos”» («Do gourmet à roulotte, um chef nas redes sociais», João Miguel Salvador, Expresso Diário, 28.05.2014).

    Está-se mesmo a ver: «chef» e... «sub-chefe». Nem «subchefe». O que se lê na imprensa anglo-saxónica é que Leguizamo representa o papel de «a line cook named Martin». Line cook é «a cook who works on an assembly line», ou seja, não é muito diferente de um ajudante de chefe (lead cook ou head line cook ou chef, para a legião de anglófonos que nos segue). E quanto a «roulotte», bem, até nas legendas do filme se lê «rulote».

 

[Texto 4642]

Helder Guégués às 22:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Mai 14

«Capô/tejadilho»

Trocam tudo

 

 

       «O carro está equipado com sensores e um laser no topo do capot que captam informação sobre o ambiente exterior em todas as direções (não há ângulos mortos), detetando obstáculos e distâncias, e tem um software que integra toda a informação, bem como um mapa detalhado da zona em que se faz a circulação» («Google cria carro ‘fofinho’ para quem não quer conduzir», Filomena Naves, Diário de Notícias, 29.05.2014, p. 26).

      Mais uma confusão clássica. O que se lê na imprensa internacional é que o carro tem «a laser sensor on the roof constantly scans the surroundings», e roof, em inglês, é «the structure forming the upper covering of a building or vehicle», ou seja, o nosso tejadilho; «capô» diz-se em inglês bonnet ou hood, «the hinged metal canopy covering the engine of a motor vehicle». Os tradutores confundem frequentemente «tecto» com «telhado», os jornalistas confundem «capô» com «tejadilho».

 

[Texto 4641]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | favorito
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28
Mai 14

«Escoteiro/escuteiro»

Para baralhar

 

 

    «Escoteiro do ramo católico em miúdo, [Matteo Renzi] também foi árbitro de futebol amador e jogou, ele próprio, futsal» («Guia para ganhar eleições com estilo», Pedro Cordeiro, Expresso Diário, 28.05.2014).

    Ainda que mal pergunte: ao «escoteiro do ramo católico» não damos o nome de escuteiro?

 

[Texto 4640]

Helder Guégués às 23:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Cap and gown»

Vá, agradeçam

 

 

      «A atriz Emma Watson, que interpreta Hermione na saga Harry Potter, licenciou-se recentemente em Literatura Inglesa na Universidade de Brown. Embora uma experiência normal para uma jovem de 24 anos, Emma Watson decidiu levar consigo uma guarda-costas armada e vestida com a batina de aluna» («50 pontos para Gryffindor», Expresso Diário, 28.05.2014).

   Uma estudante de batina? Como leram a notícia na imprensa anglo-saxónica, que dizia que a actriz estava acompanhada de uma «woman who was wearing a cap and gown», omitiram o cap e já temos sorte que não tivessem traduzido gown por «roupão».

 

[Texto 4639]

Helder Guégués às 19:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «effet de mode»

Crista da onda

 

 

      «Il faut enfin se méfier des effets de mode», lê-se no original. Verdade simples que o tradutor quis impedir os leitores de conhecerem: «É preciso desconfiar dos efeitos de modo.» E o contexto, não serve para nada, não ajuda, não encaminha? Depende, não é? A expressão effets de mode (bandwagon effect, para a legião de anglófonos que nos segue) pode traduzir-se por «tendência da moda» ou «efeito da moda», talvez até «efeito de contágio», por exemplo. Qualquer maria-vai-com-as-outras sabe isto.

 

[Texto 4638]

Helder Guégués às 18:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Vitória pírrica

Como vitória segura

 

 

      «A vitória do PS, infelizmente, foi uma vitória de Pirro... Isto é: que não devia ter sido aclamada com o entusiasmo que o seu líder fez [sic]. O povo falou claro, não quer a direita que está no poder. Mas também quer que o PS dê expressão política ao descontentamento popular”, escreveu o socialista Mário Soares na sua crónica de hoje no “Diário de Notícias”. Pirro foi rei de Épiro [sic] e da Macedónia, ficou famoso pela expressão “Vitória Pírrica” por ter ganho [sic] por um fio a Batalha de Ásculo contra os romanos. Quando o felicitaram, terá respondido: “Mais uma vitória como esta e estou perdido”» («“Mais uma vitória como esta e estou perdido”», Expresso Diário, 27.05.2014).

      Acho que não há uma frase, mesmo as do cronista, que não precise de umas talas para se endireitar, mas estou aqui por causa daquela «Vitória Pírrica» (Pyrrhic victory, para a legião de anglófonos que nos segue) de letra grelada. O leitor (suponho que os leitores de jornais digitais não são nem mais cultos nem mais inteligentes do que os leitores dos jornais tradicionais) pode ficar com a ideia errada de que Pirro proferiu aquela expressão. É como vir a atribuir-se a António José Seguro a expressão «vitória segura» (e mesmo assim ir descalço para a rua, empurrado por António Costa), quando apenas alguns socialistas disseram que os pontos de diferença em relação à coligação de direita são suficientes.

 

[Texto 4637]

Helder Guégués às 13:09 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Mai 14

Como se escreve nos jornais

E ainda pagamos

 

 

   «No que toca a política, há perguntas que são necessárias fazer aos portugueses. Por vezes, umas são menos óbvias que as outras» («A sondagem que realmente importa», Expresso Diário, 27.05.2014).

 

[Texto 4636]

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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