02
Jun 14

Tradução: «crypt»

Não para mim

 

 

      «Sugerira tomarem um copo para festejar o aniversário de Treslove no bar que havia na cripta [crypt] do teatro» (A Questão Finkler, Howard Jacobson. Tradução de Alcinda Marinho. Porto: Porto Editora, 2011, 2.ª ed., p. 305).

      Cripta? Não sei; o Teatro Nacional D. Maria II, por exemplo, tem cave, onde estão o arquivo e a biblioteca. Cripta faz-me logo pensar em igrejas, não em teatros.

 

[Texto 4664]

Helder Guégués às 20:47 | comentar | favorito
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O AO90 assassinado

A sequência consonântica -ct- já era

 

 

      «Os alérgicos à latose, mais de 30 por cento da população, já podem comer requeijão. Esta nova “massa comestível formada de nata coalhada pela ação do calor” (como explica o dicionário) também não possui glúten, é feita à base de leite de amêndoa e foi apresentada pelo seu criador, o chefe António Mauritti, no Museu do Queijo, na Covilhã» («Requeijão para alérgicos», Expresso Diário, 2.06.2014).

     Nesse tal dicionário também está «latose»? Que latosa! Deve ter sido importado da China, e por isso é melhor comprarem um decente.

 

[Texto 4663]

Helder Guégués às 19:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Palácio Ratão»

Ratões e ratonas

 

 

      O último interveniente de hoje do programa Antena Aberta foi uma senhora, de sua graça Elisa, apenas para «dar os parabéns aos juízes do Palácio Ratão». É o que resta do povo, temos de ouvir estes programas.

 

[Texto 4662]

Helder Guégués às 13:42 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Abreviatura de «santos»

S., no plural

 

 

     «SS. Giovanni e Paolo, Igreja 18» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 159).

   Ah, sim, é só isto: a abreviatura de «santos». Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e para outros dicionários, SS é somente a sigla de «Segurança Social» ou de «Schutzstaffel», o Esquadrão de Protecção nazi. Já aqui vimos outra abreviatura com reduplicação, FFAA. E não escrevemos «pp.» para abreviatura de «páginas»? Em castelhano também é assim: CCOO, EEUU, FFAA...

 

[Texto 4661]

Helder Guégués às 13:40 | comentar | favorito
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Léxico: «Crucíferos»

Mas por precaução

 

 

  «Os Crociferi gabavam-se de que as suas origens remontavam aos primeiros cristãos, mas não existem documentos que o provem» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 16).

   Não sei como está no original, é certo, mas devo dizer que em português é Crucíferos. Ordem dos Crucíferos da Cruz Vermelha ou da Estrela Vermelha (Ordo Militaris Crucigerorum cum Rubea Stella).

 

[Texto 4660]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | favorito
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«Dogaresa» ou «dogaressa»?

Afinal

 

 

      «Várias gerações de uma das mais antigas e ilustres famílias da cidade – os Morosini (4 doges, 3 dogaresas e 2 rainhas) – viveram neste bairro medieval» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 11).

      É como também se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que nem sequer tem verbete independente. Mas não devia ser «dogaressa»? O étimo italiano é dogaressa, que é também como José Pedro Machado regista no seu Grande Dicionário da Língua Portuguesa.

 

[Texto 4659]

Helder Guégués às 11:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Attaché de presse»/«conseiller en communication»

Tudo evidente, mas...

 

 

      Como traduzir attaché de presse? Por «adido de imprensa» ou «assessor de imprensa», talvez. «Adido» está muito ligado ao funcionário diplomático para uma área específica numa embaixada. Por exemplo, adido cultural. Mas «adido» também é o «funcionário agregado a outro, como auxiliar, ou que não pertence ao quadro de efectivos» (seguindo a definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). E conseiller en communication, como devemos traduzir? Não, decerto, também por «assessor de imprensa», mas sim por «conselheiro de comunicação». Não pode ser chapa cinco, não é?

 

[Texto 4658]

Helder Guégués às 11:18 | comentar | favorito
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Diocese histórica

Omitem o mais interessante

 

 

      «O padre José Traquina foi ordenado ontem bispo auxiliar de Lisboa, numa cerimónia presidida pelo patriarca, D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos. José Augusto Traquina Maria nasceu a 21 de janeiro de 1954 em Évora de Alcobaça, e foi ordenado padre a 30 de junho de 1985. Era padre na paróquia de Nossa Senhora do Amparo, Benfica. Mestre em Teologia Pastoral pela Universidade Católica Portuguesa, o bispo auxiliar de Lisboa esteve vários anos ligado à preparação de candidatos ao sacerdócio, tendo feito parte da equipa formadora do Seminário de Almada e do Pré-Seminário de Lisboa. Citado pela agência Ecclesia, José Traquina disse querer “ser um bispo compreensivo e empenhado na valorização de todas as pessoas”. “Tudo aquilo que existe de preocupação humana neste mundo (...) não pode esquecer esta verdade da fé cristã: todos são chamados à dignidade, a pessoa humana é o centro.”» («Novo bispo auxiliar quer colocar “a pessoa no centro”», S. S., Diário de Notícias, 2.06.2014, p. 22).

     Infelizmente, os jornais omitem muitas vezes o mais interessante. Como um bispo auxiliar não pode tomar posse da diocese em que exerce o seu ministério, a Santa Sé atribui-lhe uma diocese histórica. No caso do novo bispo auxiliar de Lisboa, a antiga diocese de Lugura, no Norte de África.

 

[Texto 4657]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
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As imprecisões da imprensa

Do pó, talvez

 

 

      «Estava na lista da Direção-Geral de Segurança Interna francesa porque terá estado mais de um ano na Síria – depois de ter sido condenado sete vezes por roubos e conduzir sem carta e ter cumprido pena em cinco ocasiões – e tinha na sua posse um pano com uma inscrição do grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante» («Suspeito do ataque a Museu Judaico é francês e passou um ano na Síria», S. S., Diário de Notícias, 2.06.2014, p. 27).

      Um pano... Será a melhor palavra para descrever o que ele tinha na sua posse? Claro que nunca chegaremos a nenhuma conclusão, porque a imprensa internacional ora fala numa «white sheet emblazoned», ora numa «white sheet scrawled with the name of the Islamic State of Iraq and the Levant», ora numa «flag with the inscriptions of the Islamic State of Iraq and the Levant (ISIS)»... Mas um pano...


[Texto 4656] 

Helder Guégués às 09:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Jun 14

Os exageros da imprensa

Meia dúzia de palavras

 

 

      «Bowe Bergdahl, de 28 anos, foi capturado pelos talibãs a 30 de junho de 2009 na província de Paktika, pouco mais de um mês após [sic] chegar ao Afeganistão. Natural do Iowa, trabalhou como tripulante num barco e, antes de se alistar em 2008, viajou pela Europa. Nestes cinco anos, Bergdahl foi promovido duas vezes, agora é sargento, e foram divulgados seis vídeos a atestar que estava vivo. Um comandante talibã contou à AFP que Bowe adaptou-se à vida de cativeiro, bebia muito chá verde, jogava badmínton com os guardas e celebrava datas como Natal e Páscoa [sic]. Bob Bergdahl contou que já falou com o filho ao telefone, mas em pashtum, pois Bowe mostrou algumas dificuldades em expressar-se em inglês» («Cativeiro ‘enferrujou’ inglês do militar», Diário de Notícias, 2.06.2014, p. 26).

      Falou com o filho em «pashtum»... Os exageros da imprensa. Apendeu a dizer «em nome de Deus, o mais bondoso, o mais misericordioso», e já está.


[Texto 4655]

Helder Guégués às 09:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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