17
Jun 14

Gramática mal-amada

O princípio de uma bela inimizade

 

 

      «“O pior são as funções sintáticas.” “Para mim, o mais difícil são as orações e os verbos.” Rodrigo e Carolina, ambos de 15 anos, estão entre os mais de 105 mil alunos que hoje fazem o exame de Português do 9. º ano e os seus receios são comuns: a gramática. Já os professores temem que eles metam água na interpretação dos episódios d’Os Lusíadas, que neste ano são diferentes e têm “conceitos mais abstratos”. […] Já Paulo Feytor Pinto, ex-presidente da APP e coordenador de estágios de outros docentes, acredita que o problema está na forma como a matéria é dada. “A gramática é dada de forma muito teórica. Os alunos sabem que a resposta é assim porque o professor disse.”» («Alunos têm medo da gramática, os professores temem ‘Os Lusíadas’», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 17.06.2014, p. 24).

 

[Texto 4727] 

Helder Guégués às 11:35 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Vocativo, já era

O vocativo já não chama

 

 

      «A saída do coma [de Schumacher] motivou muitas mensagens nas redes sociais. Rio Ferdinand, ex-futebolista inglês, salientou o facto de a notícia ser divulgada no dia do jogo Alemanha-Portugal. O internacional alemão Podolski associou-se à alegria pela saída do coma, assim como [sic] piloto espanhol Fernando Alonso: “Excelente início de semana, com a notícia de Michael. Continua a lutar Michael.”» («Schumi saiu do coma e recupera em Lausana», Diário de Notícias, 17.06.2014, p. 36).

   A culpa é do jornalista, evidentemente. Fernando Alonso não é conhecido pelos seus dotes literários, mas não errou: «Good start of the week with the news of Michael! So happy this is going in the good direction!» Enfim, mais uma cagada.

 

[Texto 4726]

Helder Guégués às 09:38 | comentar | ver comentários (5) | favorito
17
Jun 14

Broca não é turbina

Mais uma confusão

 

 

    «A utilização de um instrumento que é inevitável nos dias de hoje, como a turbina, aquela broca dentária, que as pessoas tratam por broca dentária, provoca algum desconforto, e portanto os avanços que temos em várias áreas fazem prever que a médio prazo será possível evitar, em grande parte dos casos pelo menos, o uso da broca dentária» (Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Dentistas, no noticiário das 6 da manhã na TSF).

    Com que então «que as pessoas tratam por broca dentária»... Talvez as «pessoas» se lhe refiram apenas como broca. De qualquer maneira, não chamamos broca à turbina, como parece que os dentistas fazem.

 

[Texto 4725]

Helder Guégués às 08:39 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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