19
Jun 14

João Baptista decepado

Triste sina

 

 

      João Baptista perdeu a cabeça por causa daquela megera da Salomé, filha de Herodias. Agora, os sequazes do Acordo Ortográfico também lhe cortaram o p. «Para ressalva de direitos», estatui o Acordo Ortográfico de 1990, «cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registo legal, adote na assinatura do seu nome», mas João Baptista nada pode fazer. É uma das desvantagens de estar morto.

 

[Texto 4736]

Helder Guégués às 18:32 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Tradução de filmes

Marinheiros congelados

 

 

      Daniel Keyes foi, lê-se na sua biografia, merchant seaman. Ora, isto trouxe-me à memória um dos piores erros de tradução em legendas de filmes e séries de que fala Michael A. Jacobs em Como não Aprender Inglês. «They use the frozen semen», dizia-se num documentário sobre inseminação artificial. O tradutor brasileiro verteu assim: «Usam marinheiros congelados.»

 

[Texto 4735]

Helder Guégués às 15:00 | comentar | favorito
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«Flowers for Algernon»

Traduzir os erros

 

 

      «O escritor americano Daniel Keyes, que morreu no domingo aos 86 anos, tornou-se famoso pelo seu premiado livro de ficção científica Flowers for Algernon, sobre um homem com um QI muito baixo que se transforma temporariamente num génio após [após] ser submetido a uma intervenção cirúrgica experimental. […] O livro transformou-se num clássico do género, foi traduzido para quase trinta línguas e publicado em outros tantos países» («O autor do clássico de FC ‘Flowers for Algernon’», Eurico de Barros, Diário de Notícias, 19.06.2014, p. 39).

   Traduzido para quase trinta línguas, mas não para português, até porque não é nada fácil traduzir uma obra com erros linguísticos intencionais (ver aqui). Entretanto, fica aqui a ligação para o audiolivro, com nove horas de gravação.

 

[Texto 4734]

 

Helder Guégués às 12:46 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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A palavra «saudade»

Daqui a uns anos já há resultados

 

 

    «A Universidade do Luxemburgo lançou um inquérito sobre o significado da palavra “saudade” para os imigrantes portugueses no país. O trabalho baseia-se num questionário usado noutro estudo sobre o sentido da palavra em jovens universitários portugueses, feito pela Universidade do Porto e pelo Institute of Advanced Studies, de Paris. “Queremos comparar os resultados, para ver se os imigrantes portugueses, cabo-verdianos e os lusófonos em geral no Luxemburgo definem a palavra da mesma forma que os portugueses que não saíram do país”, disse a investigadora Stéphanie Barros Coimbra, da Universidade do Luxemburgo» («Estudo sobre a palavra saudade», Diário de Notícias, 19.06.2014, p. 31).

 

[Texto 4733]

Helder Guégués às 12:15 | comentar | favorito
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Mudar de nome

Nome de guerra

 

 

      Depois de uma longa ausência, o subcomandante zapatista Marcos apareceu para anunciar que tinha mudado de nome. Agora dá pelo nome de Galeano. Por um pouco era Galliano. Isto é normal?

 

[Texto 4732]

Helder Guégués às 11:33 | comentar | favorito
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19
Jun 14

Léxico: «terna»

E pormaiores

 

 

      Da entrevista do Papa Francisco a Henrique Cymerman, na SIC: «De tal maneira que quando vim para aqui para o Conclave, a 26 de fevereiro, falei com o núncio e disse-lhe: “Oiça, quando eu voltar para a Páscoa” – porque eu ia voltar no Domingo de Ramos – “vamos iniciar o processo de apresentar a Roma a proposta para o meu sucessor e eu venho para esta casa”.» Não é bem isto que o papa disse, mas antes: «iniciamos todo o processo de apresentar a terna a Roma do novo sucessor». Refere-se ao processo em que se indicam três nomes – a terna – ao Vaticano dos quais sairia eleito o bispo seu sucessor na Catedral de Buenos Aires. Ah, «e eu venho para esta casa» não foi dito ao núncio, e por isso não podia estar dentro das aspas. Pormenores, não é? Claro que não estar nos dicionários é determinante. Para o dicionário da Real Academia Espanhola, terna é o «conjunto de tres personas propuestas para que se designe de entre ellas la que haya de desempeñar un cargo o empleo».

 

[Texto 4731]

Helder Guégués às 11:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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