20
Jun 14

Léxico: «tarã»

Têm «tara»

 

 

   «Julgou-se que Poiares estava a criar uma nova categoria de funcionários, de segunda. Mas não, ele estava a participar num diálogo dialético. A prova é que, logo depois, ontem, um ministro mais alto do que Maduro trouxe a contradição: que não. Que, afinal, todos os funcionários são iguais e não se pensa pôr avisos nos urinóis da administração pública: “Proibido a funcionários apressadinhos que fazem férias primaveris.” Não, repito: era só dialética: um murro nos dentes, um beijo na boca. E assim, pela contradição, avançamos. Aliás, não é nada de novo neste Governo. Ainda no ano passado, um ministro apareceu e disse: “Demito-me!” E dias depois: “Tarã! Voltei!” Só que essa contradição, protagonizada pelo mesmo, soou um bocado a esquizofrenia. Agora, é mais elaborada. É dialética» («O Governo insiste em ilustrar o povo», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 20.06.2014, p. 48).

   Também não a encontramos nos dicionários. Mais uma. «Tarará», o som de trombeta, corneta, tambor, etc., sim, registam.

 

[Texto 4741]

Helder Guégués às 15:14 | comentar | favorito
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Variantes de «cãibra»

Esta não aparece

 

 

      «Assim que afrouxou o bater de dentes e que pôde falar, esboçou um sorriso e declarou que tudo aquilo decerto fora devido a uma cãimbra» (A Mulher de Branco, Wilkie Collins. Tradução de Maria Franco e Cabral do Nascimento. Lisboa: Portugália Editora, 1972, 2.ª ed., p. 10). No original:  «As soon as his chattering teeth would let him speak, he smiled vacantly, and said he thought it must have been the cramp.»

      O Vocabulário da Academia Brasileira de Letras regista câimbra, não «cãimbra». Rebelo Gonçalves e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registam cãibra, cambras e câmara(s).

 

[Texto 4740]

Helder Guégués às 14:19 | comentar | favorito
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«Por havê-lo encontrado»

É um facto

 

 

     «Relacionei-me com esse italiano por havê-lo encontrado em casas de gente abastada onde ele ensinava o seu idioma e eu desenho» (A Mulher de Branco, Wilkie Collins. Tradução de Maria Franco e Cabral do Nascimento. Lisboa: Portugália Editora, 1972, 2.ª ed., p. 9). No original:  «I had first become acquainted with my Italian friend by meeting him at certain great houses where he taught his own language and I taught drawing.»

     Seriam poucos os tradutores que, hoje em dia, não pespegavam ali com um «facto». Até me parece que acham que «por havê-lo encontrado» está errado.

 

[Texto 4739]

Helder Guégués às 13:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «high-road»

Conhecemos «canada real»

 

 

      «Que espécie de mulher seria, e como se achava ali sòzinha na estrada real, a horas mortas da noite?» (A Mulher de Branco, Wilkie Collins. Tradução de Maria Franco e Cabral do Nascimento. Lisboa: Portugália Editora, 1972, 2.ª ed., p. 19). No original: «What sort of a woman she was, and how she came to be out alone in the high-road, an hour after midnight, I altogether failed to guess.» Será a melhor tradução? Não será simplesmente estrada ou caminho principal? Há mais ocorrências de high-road, e por isso vamos ver como estão traduzidas.

 

[Texto 4738]

Helder Guégués às 11:57 | comentar | ver comentários (5) | favorito
20
Jun 14

Exame de Português

Como um dia veremos

 

 

      «Os professores de Português contestaram a correção sugerida a uma das perguntas de gramática do exame do 12.º ano de Português, que vale meio valor em 20. O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pelas provas, considera que a resposta à questão 2.3 do grupo II é “ato ilocutório compromissivo”. Os docentes dizem que não, mas o IAVE não reconhece haver erro» («Erro em exame de Português», Diário de Notícias, 20.06.2014, p. 15).

     A frase, diga-se, é esta: «Como um dia veremos.» (A prova está aqui.) O artigo não o refere, mas os professores defendem que se trata de um acto ilocutório assertivo. Cada um julgue por si: a tipologia dos actos ilocutórios está aqui.

 

 [Texto 4737]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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