23
Jun 14

Léxico: «serra-da-estrela»

Já que falamos nisto

 

 

      «Era um novo enigma, e foi a astronomia que acabou por dar a solução. Fazendo contas, descobriu que há seis mil anos era acima daquele ponto que nascia, em fins de abril, depois de meses de invisibilidade, a estrela Aldebaran, a mais brilhante da constelação de Touro e uma das 15 mais brilhantes no céu. “Esse era, provavelmente, o sinal para o início da mudança de pessoas e rebanhos para os terrenos altos da montanha.” E bate certo com a tradição oral, que conta a origem do nome da serra da Estrela. “Fui verificar”, conta [o astrofísico e arqueólogo Fábio Silva, da University College de Londres]. A história fala de um pastor que viu uma estrela brilhante nascer sobre a montanha e se pôs a caminho com o seu cão. Lá chegado, chamou-lhe serra da Estrela e ao cão também» («Antas apontam estrela que deu nome à serra», Filomena Naves, Diário de Notícias, 23.06.2014, p. 26).

      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o nome destes cães, serra-da-estrela. Nem tão-pouco lobo-da-alsácia. Está mal. (Como está mal o nome da estrela avermelhada do hemisfério norte: é Aldebarã.)

 

[Texto 4755]

Helder Guégués às 08:42 | comentar | ver comentários (4) | favorito

Coimbra é uma marca?

Até pode ser

 

 

      «O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, destacou ontem que Coimbra é uma marca de Portugal e do mundo lusófono e um símbolo central da língua portuguesa e da sua cultura. “Coimbra é uma marca reconhecida no mundo”, sublinhou o reitor, na sessão comemorativa do primeiro aniversário da passagem da Universidade – Alta e Sofia a Património Mundial da UNESCO» («Coimbra é símbolo da nossa língua», Diário de Notícias, 23.06.2014, p. 25).

     O magnífico reitor da Universidade de Coimbra a falar sobre a língua portuguesa? Hum... Nós é que nunca nos esqueceremos do «hão».

 

[Texto 4754]

Helder Guégués às 07:42 | comentar | favorito
Etiquetas:
23
Jun 14

A morte anunciada do plural

Ainda mudam a gramática

 

 

      «É altura de revisitar os slogans que as seleções escolheram para os seus autocarros. Como geralmente não precisam de anunciar os destinos (hotel-estádio-hotel) as palavras dos Hyundai das equipas pretendem ir mais longe. Será que vão?» («Ler o Mundial através da carroçaria dos autocarros», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 23.06.2014, p. 13).

   A língua portuguesa também está a perder o Mundial: vai perdendo pelo caminho algumas letras. Então, caro Ferreira Fernandes, já não há plurais? Um Hyundai, dois Hyundais. E aquela locução adverbial do título... Bem, esqueçamos.

 

[Texto 4753]

Helder Guégués às 07:41 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: