26
Jun 14

Pequenas embirrações

«Tarde na noite»

 

 

  «Mas agora é tarde na noite e as ruas largas permitem-te fazer ziguezagues» (Enquanto Lisboa Arde, o Rio de Janeiro Pega Fogo, Hugo Gonçalves. Lisboa: Casa das Letras, 2013, p. 256).

   Serve apenas — calma, calma! — para exemplificar, porque a expressão ouve-se e lê-se por aí algumas vezes. Poucas, felizmente. Detesto-a, com todas as veras do meu coração.

 

[Texto 4767]

Helder Guégués às 21:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Nem os topónimos escapam

Adeus, Córdova

 

 

    «[José] Castro nasceu em Córdoba, em 1947. Foi funcionário do sistema prisional, secretário judicial e magistrado, antes de se tornar juiz de instrução, há quase um quarto de século, já tendo ocupado cargos em várias regiões espanholas. Em vez de fato e gravata costuma usar casacos de cabedal, que combinam com a moto alemã que conduz. Pratica kendo, a esgrima japonesa, está separado e tem três filhos» («O ‘justiceiro’ que levou a infanta a tribunal», Diário de Notícias, 26.06.2014, p. 17).

    Querem ver que esta também mudou de nome?! É o que alguém me virá dizer um dia destes, como disseram em relação a Calcutá e a Pequim. Temos de ter paciência — e mudar para b o v das derivadas: cordovês, cordovaneiro, cordovão, cordovês, cordovil...

 

[Texto 4766]

Helder Guégués às 16:01 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Adeus, plural

 

 

   «Da experiência [de Greta Taubert] de sobreviver sem dinheiro resultou o livro Apokalypse Jetzt! (Apocalipse Now!, em referência ao filme homónimo de Francis Ford Coppola, de 1979, em que o coronel do exército americano organiza uma guerrilha austera e primitiva para combater as forças vietcongue e do Vietname do Norte)» («Alemã viveu um ano sem gastar um cêntimo», A. C. M., Diário de Notícias, 26.06.2014, p. 17).

 

[Texto 4765]

Helder Guégués às 11:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Jun 14

Léxico: «galha»

Veio da China

 

 

      «Chama-se vespa-do-castanheiro. Na realidade, não é uma vespa, é uma mosca [Dryocosmus kuriphilus]. É oriunda da China. Vive apenas dez dias, mas pode custar mais de 40 milhões de euros por ano à economia nacional» (Rui Sá, Jornal da Tarde, 25.06.2014). Um dos entrevistados, José Laranjo, presidente da Associação Portuguesa da Castanha (RefCast), disse: «Quando nós vemos uma galha, um abcesso, um inchaço, já com um buraquinho, significa que a mosquinha já saiu.»

      Galha, para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «excrescência que se forma nos tecidos vegetais por acção de insectos ou de parasitas». São tecidos simbióticos, neoformações do tecido vegetal induzidas por insectos, bactérias ou fungos. É um tumor, uma neoplasia (neo, novo; plasia, formação), como os cancros.

 

[Texto 4764] 

Helder Guégués às 07:01 | comentar | favorito
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