02
Jun 14

Diocese histórica

Omitem o mais interessante

 

 

      «O padre José Traquina foi ordenado ontem bispo auxiliar de Lisboa, numa cerimónia presidida pelo patriarca, D. Manuel Clemente, no Mosteiro dos Jerónimos. José Augusto Traquina Maria nasceu a 21 de janeiro de 1954 em Évora de Alcobaça, e foi ordenado padre a 30 de junho de 1985. Era padre na paróquia de Nossa Senhora do Amparo, Benfica. Mestre em Teologia Pastoral pela Universidade Católica Portuguesa, o bispo auxiliar de Lisboa esteve vários anos ligado à preparação de candidatos ao sacerdócio, tendo feito parte da equipa formadora do Seminário de Almada e do Pré-Seminário de Lisboa. Citado pela agência Ecclesia, José Traquina disse querer “ser um bispo compreensivo e empenhado na valorização de todas as pessoas”. “Tudo aquilo que existe de preocupação humana neste mundo (...) não pode esquecer esta verdade da fé cristã: todos são chamados à dignidade, a pessoa humana é o centro.”» («Novo bispo auxiliar quer colocar “a pessoa no centro”», S. S., Diário de Notícias, 2.06.2014, p. 22).

     Infelizmente, os jornais omitem muitas vezes o mais interessante. Como um bispo auxiliar não pode tomar posse da diocese em que exerce o seu ministério, a Santa Sé atribui-lhe uma diocese histórica. No caso do novo bispo auxiliar de Lisboa, a antiga diocese de Lugura, no Norte de África.

 

[Texto 4657]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | favorito
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As imprecisões da imprensa

Do pó, talvez

 

 

      «Estava na lista da Direção-Geral de Segurança Interna francesa porque terá estado mais de um ano na Síria – depois de ter sido condenado sete vezes por roubos e conduzir sem carta e ter cumprido pena em cinco ocasiões – e tinha na sua posse um pano com uma inscrição do grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante» («Suspeito do ataque a Museu Judaico é francês e passou um ano na Síria», S. S., Diário de Notícias, 2.06.2014, p. 27).

      Um pano... Será a melhor palavra para descrever o que ele tinha na sua posse? Claro que nunca chegaremos a nenhuma conclusão, porque a imprensa internacional ora fala numa «white sheet emblazoned», ora numa «white sheet scrawled with the name of the Islamic State of Iraq and the Levant», ora numa «flag with the inscriptions of the Islamic State of Iraq and the Levant (ISIS)»... Mas um pano...


[Texto 4656] 

Helder Guégués às 09:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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02
Jun 14

Os exageros da imprensa

Meia dúzia de palavras

 

 

      «Bowe Bergdahl, de 28 anos, foi capturado pelos talibãs a 30 de junho de 2009 na província de Paktika, pouco mais de um mês após [sic] chegar ao Afeganistão. Natural do Iowa, trabalhou como tripulante num barco e, antes de se alistar em 2008, viajou pela Europa. Nestes cinco anos, Bergdahl foi promovido duas vezes, agora é sargento, e foram divulgados seis vídeos a atestar que estava vivo. Um comandante talibã contou à AFP que Bowe adaptou-se à vida de cativeiro, bebia muito chá verde, jogava badmínton com os guardas e celebrava datas como Natal e Páscoa [sic]. Bob Bergdahl contou que já falou com o filho ao telefone, mas em pashtum, pois Bowe mostrou algumas dificuldades em expressar-se em inglês» («Cativeiro ‘enferrujou’ inglês do militar», Diário de Notícias, 2.06.2014, p. 26).

      Falou com o filho em «pashtum»... Os exageros da imprensa. Apendeu a dizer «em nome de Deus, o mais bondoso, o mais misericordioso», e já está.


[Texto 4655]

Helder Guégués às 09:29 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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01
Jun 14
01
Jun 14

«Making the Green One red»

Pode ser que ninguém repare

 

 

      «Di Giovanni contesta também a erudição de Borges recordando uma ocasião em que eles estavam a discutir Macbeth: “Estranhamente ele compreendeu mal as palavras ‘tornando o verde em vermelho’. Disse-me uma vez: ‘Olhe, Di Giovanni, Shakespeare personificou o mar.’ Borges lia ali ‘Tornando o verde em vermelho’.” Assim era, de facto, e muitos diretores de teatro inteligentes também optaram por essa interpretação comum» («Borges biografado por um dos seus tradutores», K. Jackson, tradução de Cristina Queiroz, «Quociente de Inteligência»/Diário de Notícias, 31.05.2014, p. 10).

      Ou seja?... Pois é, não se percebe. No original está assim: «Di Giovanni quibbles with Borges’s scholarship, too, recalling an occasion when they were discussing Macbeth: ‘Strangely, he misunderstood the words “making the green one red.” He once said to me, “Look, di Giovanni, Shakespeare has personified the sea.” Borges was reading it, “making the Green One red.”’ Indeed he was, and plenty of intelligent theatre directors have also chosen to favour that common interpretation.» Querem ver que não temos recursos para traduzir a frase?

 

[Texto 4654] 

Helder Guégués às 12:12 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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