03
Jul 14

Sobre «toque»

Um toque especial

 

 

      «A grande diferença registava-se a nível do cabelo. Vinte e oito anos antes, quando fora tirada a fotografia, ele tinha a cabeça coberta pela toque, e agora, sem esse resguardo, a cabeça do Chefe apresentava uma calvície profunda» (Os Memoráveis, Lídia Jorge. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2014, p. 72).

      «A nível de» é lamentável, mas não estamos aqui para isso. «Toque», que nesta acepção não encontramos registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é do género feminino em francês, não em português. O Dicionário Houaiss regista-o como masculino: «chapéu de tecido (p.ex., brim) ou descartável, de papel, de altura variável segundo o nível hierárquico de quem o enverga, usado por cozinheiros, padeiros, pasteleiros e pelos que trabalham nas suas equipas».

 

[Texto 4795]

Helder Guégués às 23:06 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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03
Jul 14

A palavra de Cambronne

Merda francesa

 

 

       «Uma polémica acendeu-se em França. Não, não é sobre a detenção de Sarkozy, essa não merece polémica. Um homem (um qualquer) e a sua circunstância, leis – que assunto banal. Outra coisa é uma revista prestigiada, L’Express, fazer capa com a foto da ministra Ségolène Royal, ex-candidata presidencial e ex-mulher do Presidente, com o título: “L’Emmerdeuse”. O osso da palavra, merde, sugere à nossa branda língua oficial uma tradução que não é a adequada (está é “A Irritante”, tão-só). Mas em francês merde é uma palavra vulgar, não no sentido baixo mas correntio do termo. E até com estatuto de nobreza, ganho em campo de batalha quando o general Cambronne, intimado a render-se em Waterloo, respondeu curto: “Merde!”» («Para nos desenjoar do bocejo doméstico», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 3.07.2014, p. 48).

 

[Texto 4794] 

Helder Guégués às 17:16 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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