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Jul 14

Como se escreve por aí

Vergonha

 

 

      Os pós-pós-pós-doutorados: «Esta tomada de consciência trás com ela, etc.» Era para trás que deviam ser obrigados a ir, sim, tão para trás como a escola primária, à antiga, com abundância de reguadas. (De que só os heróis conseguiam fugir, como o Alcatrabas, que saltou pela janela.) E agora, para espairecer, vou caminhar mais 4,5 km à beira-mar, como faço duas vezes por dia.

 

[Texto 4845]

Helder Guégués às 19:20 | comentar | favorito
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Léxico: «subchassi(s)»

Pelo sim, pelo não

 

 

   «Entre vários outros pontos de destaque, está o veio de transmissão sem cardan em [sic] carbono, o subchassi traseiro diretamente aparafusado na estrutura e a permanência da versão de caixa manual» («BMW M4 de 438 cv vai ser “mais M”», «Ocasião»/Diário de Notícias, 16.07.2014, p. 1).

    Desta vez correu bem, é verdade, mas parece-me prudente pô-la nos dicionários, porque não é raro pespegarem-lhe com um hífen.

 

[Texto 4844]

Helder Guégués às 12:12 | comentar | favorito

Sobre «bio»

A Voz da Rússia

 

 

      «O ator, que há ano e meio trocou a nacionalidade francesa pela russa, vai lançar-se no fabrico de vodca biológica na Rússia, anunciou à Itar-Tass. Há duas semanas disse querer abrir um restaurante em Moscovo» («Depardieu vai produzir vodca bio na Rússia», Diário de Notícias, 16.07.2014, p. 56).

      Vê-se logo que copiaram de uma notícia em francês, língua pródiga em reduções vocabulares. Sim, em inglês também se diz bio. Este bio vai-se vendo de vez em vez. No entanto, nos dicionários, «bio» ainda é somente a pequena cavilha de pau com que se prega o fundo dos cortiços e por vezes a sua costura lateral. E que se usa também nos tarros, acrescento eu.

     «L’acteur français Gérard Depardieu, qui a obtenu il y a plus d’un an la nationalité russe, va se lancer dans la production de la vodka bio, selon ITAR-TASS, qui cite sa déclaration, faite récemment à Saratov.»

 

[Texto 4843] 

Helder Guégués às 11:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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16
Jul 14

Ortografia: «contra-argumentar»

Ah, mas não chega

 

 

   «Ana Tapadinhas [jurista da Deco] contra argumenta, sublinhando que questionaram a legalidade das cobranças na reunião com os operadores» («Empresas cobram 200 euros por desistir da TV no prazo», Céu Neves, Diário de Notícias, 16.07.2014, p. 13).

   Como não está em todos os dicionários — no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, não o encontramos —, pensam que não precisa de hífen. Vêem lá «contra-argumento», mas não chega, ficam com dúvidas, hesitam, erram. Tadinhos.

 

[Texto 4842]

Helder Guégués às 08:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito