11
Ago 14

Léxico: «monoclonal»

É a ciência

 

 

      «Ainda há poucas certezas, até na importância da administração do soro na recuperação dos dois doentes, mas é uma luz que se acende numa luta marcada pelas más notícias – mais de metade dos infetados morrem. O tratamento é um “soro de anticorpos monoclonais” que combate a doença, explica ao DN Jaime Nina, professor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Esta técnica é semelhante à usada no tratamento do tétano, que existe desde o século XIX, salienta. “A principal diferença é que em vez de se usar ratinhos ou coelhos para produzir os anticorpos necessários para o soro, usaram a planta do tabaco geneticamente modificada”» («Planta do tabaco usada para fazer soro contra ébola», Patrícia Jesus, Diário de Notícias, 6.08.2014, p. 2).

   Monoclonal já está registado nos dicionários gerais da língua portuguesa. O que ainda não encontramos neles é «planticorpo», usado no meio científico, e que é tradução do inglês plantibody. Neste caso, o tabaco é o planticorpo.

 

 [Texto 4918]

Helder Guégués às 12:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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11
Ago 14

«Dirigente político»

Ah, isso era no século XX

 

 

      «O repórter sublinha os “dotes de dirigente político” do homem que assumiu a chefia da Igreja Católica no momento em que na Europa “batiam-se, como feras, homens contra homens, cristãos e católicos uns contra os outros”. Augusto de Castro destaca ainda o papel de Bento XV no reatar de relações entre o Vaticano e Portugal. Com a implantação da república em 1910, o Governo português revelou todo o seu anticlericalismo, passando a defender uma menor intervenção da Igreja na vida pública, culpando-a pelo atraso do País. No ano seguinte aprovava a Lei da Separação da Igreja do Estado. A reação da Santa Sé não se fez esperar: cortou relações diplomáticas com Portugal» («Como entrar no Vaticano e ficar a sós com o Papa», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 8.08.2014, p. 46).

      É nestes exemplos que os Pedros e Ineses do jornalismo e da tradução têm de pôr os olhos: «dirigente político», escreveu o então director do Diário de Notícias, Augusto de Castro (1883-1971). Se fosse hoje, lá nos chimpavam um «líder» mil vezes regurgitado, e ainda pagávamos.

 

[Texto 4917]

Helder Guégués às 05:30 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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