15
Ago 14

«Prò», um «caso omisso»

Fica esclarecido, ou não

 

 

      «Um amor algarvio nunca é só um amor de verão. Mas, se não se importam, o lado solar do Algarve fica prò ano» («Os algarvios», Henrique Raposo, Expresso Diário, 15.08.2014).

      Acabaram de me mandar este excerto, por causa do erro. Que erro? «Prò». Não está errado, respondo. «Está certo? Pensava que o acento grave tinha sido banido há muito anos, com exceção da contração de a com a...» Também é uma contracção, esclareço. É a contracção da preposição para + o artigo definido ou pronome demonstrativo o. «No Vocabulário Ortográfico do Português, do ILTEC, está “pró”.» Está? Ora, ora. Henrique Raposo «adotou» o Acordo Ortográfico de 1990, e por isso talvez não seja uma coisa nem outra... O AOLP90 é «omisso» em relação a esta contracção, leio aqui e ali. Passim. Curiosa opinião... Sendo assim, reafirmo a minha convicção de que os gentílicos continuam a grafar-se com maiúscula inicial. Parafraseando, de novo, Amália, o Acordo Ortográfico é um mistério. Nunca ninguém vai conseguir explicá-lo!

 

[Texto 4946] 

Helder Guégués às 17:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como se escreve nas revistas

Tudo faz sentido

 

 

      Casas de Portugal. Bela revista. Caiu-me no colo o n.º 133, referente a Junho/Julho deste ano da graça de 2014. Vamos até à página 10: «O resultado é uma sala onde tudo faz sentido e onde o bom gosto permanece. Do outro lado da sala duas chese-longs e um armário-escrivaninha pintado à mão, antecedem uma salinha da televisão. Tapete é Barreiros e Barreiros.» E pronto, é isto, e agora tenho de beber qualquer coisa bem forte.

 

[Texto 4945]

Helder Guégués às 15:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «hachemita»

Vamos esperar

 

 

      «O Largo de São Pedro [de Penaferrim], em Sintra, vai transformar-se até domingo num super souk [sic] com encantadores de serpentes, dança do ventre, magia, artesanato, música, malabaristas, gastronomia, especiarias, cuspidores de fogo e os mais tentadores vendedores. Nesta feira será possível passear de camelo. As crianças não são esquecidas: no [Espaço] Castelo Velho de Alcoutim há histórias e jogos tradicionais da dinastia Omíada» («Arabian Days em Sintra», Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 39).

   O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista omíada, é que não há meio de acolher hachemita.

 

[Texto 4944]

Helder Guégués às 11:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Como falam os militares

Ciosos do seu léxico (e tal)

 

 

      «Luís Araújo disse também que os comandantes dos ramos das FA “agora até têm algum comando lá da Autoridade Marítima [Nacional], mas eu sei pouco disso. Isso de autoridades marítimas e tal não sei muito. Sei mais da Autoridade Aeronáutica [Nacional]”, observou, acrescentando de imediato: “Não sei porque não quero saber.” O general criticou uma expressão da lei vigente que o Governo manteve na proposta de lei (e que os deputados deixaram inalterada): “Mantém uma coisa de que não gosto nada [...], ‘articulação operacional’ com os serviços de segurança interna. Articulações só nos reumatologistas e nos ortopedistas. A articulação é um termo que não faz parte do léxico militar”, enfatizou, pois “chama-se coordenação”» («Ex-chefe militar relativiza leis em pleno Parlamento», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 9).

 

[Texto 4943]

Helder Guégués às 10:48 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Prometa que revê

 

      «O mesmo acontece mal se entra no edifício da Comunidade Hindu, em Lisboa, que serve os nove mil membros presentes em Portugal. Além do templo, há uma cantina com refeições em regime de buffet (10 euros) e ainda workshops de comida indiana. Nalini Bhayani, 59 anos, é a mestre e, tal como o chef do filme, tem uma caixa onde guarda as especiarias que usa nas suas receitas, vegetarianas por opção: sementes de mostrada [sic], cominhos em grão, açafrão das índias, piripiri, cravo-da-índia, canela do Sri Lanka e mangostão selvagem. Nascida no Uganda, filha de uma indiana e um inglês, criada em Londres, casada com um médico indiano nascido em Moçambique, esta analista clínica que optou por não exercer para criar os dois filhos, [sic] prepara em pouco mais de duas horas várias especialidades: bhajiya, daal, jeera rice, shak (caril) de ervilha, batata e beringela, salada de mungo germinado, roti e rava no sheero (doce de sémola de trigo)» («Encurtar distâncias e vencer preconceitos através da comida», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 36).

   Bufete, cursos, chefe, açafrão-da-índia, piripíri, canela-do-ceilão, rebentos de feijão-mungo, róti, sêmola...

 

[Texto 4942]

Helder Guégués às 10:23 | comentar | favorito
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Como se escreve nos jornais

Devem ser ordens

 

 

    «Esta é a primeira deslocação de Francisco à Ásia, um continente para onde, em 1965, pediu para ser enviado como missionário. Então jovem jesuíta, Jorge Mario Bergoglio viu o pedido negado, tendo o líder da ordem, o sacerdote espanhol Pedro Arrupe, usado como argumento a doença que tinha nos pulmões» («Papa apela ao diálogo após [sic] ser recebido com mísseis», Susana Salvador, Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 24).

    «Líder da ordem»! Estamos tramados. Recentemente, revi uma tradução do inglês. Ao grand master do original, o tradutor fez corresponder, em várias ocorrências, «grande mestre». Mas as peneiras, meu Deus.

 

[Texto 4941]

Helder Guégués às 09:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Nomes compostos coreanos

Talvez não leia

 

 

      «“A diplomacia baseia-se numa convicção firme e perseverante de que a paz pode ser mais bem alcançada pelo diálogo e a escuta atenta e discreta, do que com recriminações recíprocas, críticas inúteis e demonstrações de força”, disse Francisco, em inglês, no primeiro discurso na “terra do calmo amanhecer”, diante da Presidente Park Geun-Hye. No seu Twitter, as mensagens têm sido traduzidas também para coreano» («Papa apela ao diálogo após [sic] ser recebido com mísseis», Susana Salvador, Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 24).

   A jornalista devia saber que com os nomes compostos chineses e coreanos o segundo termo tem inicial minúscula. Não costuma ler jornais?

 

[Texto 4940]

Helder Guégués às 08:55 | comentar | favorito
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Câmara de pressão negativa

Espécie de casulo

 

 

      «O simulacro do INEM decorreu no aeródromo de Cascais e consistiu na chegada e no desembarque de uma mulher de 28 anos, vinda da Serra Leoa, transportada numa espécie de casulo – câmara de pressão negativa – sem risco para a tripulação e para quem vai contactar com a estrutura» («Portugal envia fatos e medicamentos para Moçambique e Guiné», P. J., Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 13).

 

[Texto 4939]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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15
Ago 14

Como se escreve nos jornais

Escrita em contramão

 

 

      «O acidente foi registado às 08.52 de ontem. Rosa Descalço saiu da freguesia de Aveiras de Cima (concelho da Azambuja), onde residia, depois das 08.00, com destino à praia de São Martinho do Porto, a 65 quilómetros e 44 minutos de viagem do seu local de residência, segundo informações recolhidas junto de uma vizinha amiga da vítima» («Mulher de 63 anos morreu a conduzir em contramão», Rute Coelho, Diário de Notícias, 15.08.2014, p. 12).

      Se o objectivo da jornalista, ao escrever assim, era fazer rir o leitor, conseguiu-o.

 

[Texto 4938]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | favorito
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