24
Ago 14

Ainda sobre «precaridade»

«Malogrei»!?

 

 

   Sobre «precariedade/precaridade», hoje há mais um episódio, pois o director-geral do Tribunal de Contas, em ofício ao provedor do leitor do Público, veio estranhar a «simplicidade do comentário». Por isso, novo «Comentário do provedor: Já escrevi ao director-geral do Tribunal de Contas, conselheiro José F. F. Tavares, a penitenciar-me da “estranha simplicidade” do meu comentário. Baseado nas fontes por mim adoptadas (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, no S.O.S. — Língua Portuguesa, da autoria de Sandra Duarte Tavares e Sara de Almeida Leite) malogrei na convicção de que a forma correcta era “precariedade”. Afinal, as duas formas são admitidas. Errando se aprende. Sinceramente, não pretendi ironizar com o Tribunal de Contas.»

 

[Texto 4976]

Helder Guégués às 10:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Maltrato», «achegar»?

Inventadas, só para nós

 

 

    «Parafraseando um texto que o sociólogo Manuel Sarmento co-assina com Natália Fernandes e Catarina Tomás, essa é uma das muitas contradições de um país que pode orgulhar-se de ter uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil e um dos mais elevados níveis de segurança urbana do mundo e ainda leva puxões de orelhas pelo maltrato intrafamiliar e pelo abandono escolar» («Fechados em casa, mas expostos aos mundo», Ana Cristina Pereira, Público, 24.08.2014, p. 18).

    Se não fosse apenas uma forma verbal, seria óptima para quem, qual asno de Buridan, hesita entre «maus-tratos» e «maus tratos». Mas não param aqui as invenções: «Simão e Lucas vivem entre a casa da mãe e do padrasto e a casa do pai, da madrasta e da meia-irmã, situada uma rua acima. Não lhes faz confusão. “As casas ficam perto”, diz o rapaz, escorregando no sofá. “É giro, é um tempo para um, um tempo para o outro”, achega a rapariga.» Está pronta para escrever um romance.

 

 [Texto 4975] 

Helder Guégués às 09:00 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Toca-e-foge e pizas

A tal doença

 

 

    «André Agante divertiu-se muito este Verão com os primos e os amigos. Passaram horas na piscina, fizeram pizza, jogaram ao “toca-e-foge”, soltaram as galinhas e correram atrás delas» («Fechados em casa, mas expostos aos mundo», Ana Cristina Pereira, Público, 24.08.2014, p. 18).

      Toca-e-foge (game of tag, para a legião de anglófonos que nos segue) não precisa de aspas, Ana Cristina Pereira. (É mais uma que não está nos dicionários.) E já devia ter percebido a vantagem de aportuguesar palavras tão comuns como pizza.

 

[Texto 4974]

Helder Guégués às 08:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito

«Downshifter», dizem eles

Acima de tudo, em inglês

 

 

      «“Downshifter”. O termo em inglês serve para falar de quem abranda o ritmo de vida e faz mudanças» («Abrandaram o ritmo e foram viver para a Ericeira», Lina Santos, Diário de Notícias, 20.08.2014, p. 38).

 

[Texto 4973]

Helder Guégués às 08:55 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Ago 14

Comentário do provedor do leitor

Pois, pois

 

 

      Um leitor do Público achou que devia queixar-se ao provedor do leitor: «Respeitando o uso habitual, começo por dizer que sou leitor do jornal PÚBLICO desde o seu lançamento (devo dizer que teve muita influência na minha fidelização
a série de banda desenhada Calvin and Hobbes). Na passada edição de 12 de Agosto, terça-feira, na página 2, na rubrica ‘Destaque’, estava escrito no cabeçalho: Tribunal de Contas critica ‘precaridade’ das medidas tomadas na Segurança Social. Suponho, portanto, que as aspas significam que o jornalista Sérgio Aníbal está a ironizar acerca do erro cometido pelo Tribunal de Contas no relatório. Se assim é, só tenho de o felicitar por ter tido a coragem de sublinhar esse erro crasso, tão repetido por pessoas de menos nível escolar, mas também, ao que se verifica, por quem tem maiores responsabilidades sociais”» («Repetido erro», Público, 17.08.2014, p. 47). «Comentário do provedor: A adição de aspas na precariedade só pode significar isso.» Ai sim, só pode significar isso? Eu diria que significa tudo menos isso.

 

[Texto 4972]

Helder Guégués às 08:04 | comentar | favorito
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