05
Ago 14

Léxico: «pau-de-cabinda»

Reclamam as ervanárias

 

 

      Estou a ver que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista pau-de-cabinda. Não que eu precise, mas precisa aqui a personagem de um livro, porque é imbumbável. E mais: se os dicionários registam estrangeirismos a dar com um pau, porque não registam estas palavras?

 

 [Texto 4904]

Helder Guégués às 13:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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05
Ago 14

Tradução: «splitscreen»

A negação do jornalismo

 

 

    «Uma das características das Pão de Forma é não terem cintos de segurança à frente, mas podem mesmo assim circular porque foram descontinuadas em 1967 e a lei dos cintos de segurança só saiu um ano depois. Mas é apenas uma das características. Outra é, por exemplo, os vidros da frente em splitscreen, característica das Pão de Forma mais antigas» (Cristina Liz, Telejornal, 4.08.2014).

   A prosa é mais do que duvidosa, mas o pior acaba por ser aquele splitscreen. É o pára-brisas dividido, mas se a jornalista usa a palavra inglesa é porque quer que boa parte dos espectadores não a perceba. A negação do jornalismo. Afinal, o Jornal de Angola tem um pouco de razão: «Nos jornais já se escrevem mais palavras em inglês do que em português. Nas rádios e televisões a situação é […] pior.»

 

[Texto 4903]

Helder Guégués às 09:39 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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04
Ago 14

De «pousa-copos» a «lobitango»

Isto também falta

 

 

      Devíamos pedir a Teodoro (cá está: um nome português) Obiang que nos financiasse um bom dicionário da lusofonia. Por momentos, pensei que «lobitango» estivesse nos nossos dicionários. Nada. Nem, aliás, palavras mais corriqueiras: pousa-copos, por exemplo, só nas lojas. Até o Sr. Ingvar Kamprad há-de conhecer a palavra.

 

[Texto 4902]

 

Helder Guégués às 23:22 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Descontando a hipérbole e um certo desconhecimento

O que nos falta

 

 

      «Desde 1976 nenhum Governo se ocupou seriamente da defesa da língua. O Dicionário da Academia de Ciências não passa de uma triste imitação do Oxford Shorter, não há uma gramática decente e acessível ao leigo ou um Thesaurus ou sequer, com as confusões do Acordo, um prontuário ortográfico decente e fiável. Também não há uma edição completa e crítica dos “clássicos” reconhecidos, nem a investigação universitária redescobriu a literatura do século XVI ao século XIX, que merecia outra sorte. Em matéria de língua, os Governos ficaram entre a ignorância e o desdém. Ou seja, abandonaram o principal interesse de Portugal e um dos seus melhores meios de influência» («Merecidos vexames», Vasco Pulido Valente, Público, 26.07.2014, p. 48).

 

[Texto 4901]

Helder Guégués às 13:39 | comentar | ver comentários (3) | favorito
04
Ago 14

Léxico: «alfa-sinucleína»

Nem rasto

 

 

    «Uma equipa internacional de cientistas, liderada pelo português Tiago Fleming Outeiro, constatou que duas proteínas, associadas à doença de Parkinson, interagem e reagem a mutações genéticas, uma “chave” que pode abrir portas a possíveis tratamentos contra a patologia. As proteínas em questão são a DJ-1 e a alfa-sinucleína. Sabe-se que alterações nos genes que codificam estas proteínas estão na origem de formas familiares da doença» («Avanço no tratamento de Parkinson», Diário de Notícias, 4.08.2014, p. 23).

   Alfa-sinucleína. Nos dicionários, nem rasto. É uma proteína nuclear com 140 aminoácidos e massa molecular de 14 kDa, presente nos terminais pré-sinápticos e na mitocôndria.

 

[Texto 4900]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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03
Ago 14

Léxico: «bravo-de-esmolfe»

Mas menos um hífen

 

 

      «Poejo, castanha assada, marmelada, maçã-bravo-de-esmolfe, groselha rubi e tangerina-pinhão são outros seis sabores dos licores [da Fábrica do Rebuçado Santa Clara, em Portalegre]» («O inventor de sabores», Dora Mota, «Notícias Magazine»/Diário de Notícias, 3.08.2014, p. 32).

    Não são tantos hífenes: maçã bravo-de-esmolfe. Estranhamente, tendo em conta a etimologia, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só regista «bravo-de-esmolfo».

 

 [Texto 4899]

Helder Guégués às 18:39 | comentar | ver comentários (1) | favorito
03
Ago 14

Sobre «casuística»

Só falta isso

 

 

    De «caso», muito mais depressa chegaríamos a «casístico» do que a «casuístico», mas este foi o caminho linear por que enveredou a língua italiana, não a nossa, e tudo porque recebemos a palavra do francês. Agora só é preciso que alguém avise os serviços em português do Vaticano. Bem, eu até conheço pessoas que conhecem o papa, talvez lhe mande um recado.

 

 [Texto 4898]

Helder Guégués às 14:18 | comentar | favorito
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02
Ago 14
02
Ago 14

Tradução: «galleass»

Isso e a preguiça

 

 

       Por vezes, não é preciso muito para que os tradutores deixem uma palavra por traduzir. Tomemos como exemplo galleass. O Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, por exemplo, não o regista, mas encontramo-lo no Dicionário de Português-Inglês. Para quem não conhece o termo correspondente em português, isto não ajuda. A tradução é galeaça (do italiano ou do árabe? Isso agora...), que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define como o «navio de guerra de maiores dimensões do que a galé, com três velas bastardas». Em inglês, «a large fast galley used especially as a warship by Mediterranean countries in the 16th and 17th centuries and having both sails and oars but usually propelled chiefly by rowing» (in Merriam-Webster).

 

 [Texto 4897]

Helder Guégués às 17:49 | comentar | favorito